O Largo das Portas de São Bento, em Mourão, acolheu na tarde deste sábado, 15 de agosto, a inauguração do Monumento de Homenagem ao Emigrante, numa cerimónia que contou com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e que pretendeu reconhecer o percurso, o esforço e a ligação à terra de todos aqueles que partiram em busca de melhores condições de vida.
A cerimónia deu lugar à Festa do Emigrante, promovida pelo Município de Mourão como um momento de homenagem aos emigrantes e às suas famílias. A iniciativa procurou proporcionar uma noite de convívio, música, animação e diversão, celebrando aqueles que, apesar da distância, continuam a levar Mourão e as suas raízes no coração.
Durante a inauguração, Emídio Sousa destacou a importância de reconhecer e valorizar as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Para o Secretário de Estado, Portugal é um país de emigrantes há séculos, tendo a emigração sido, ao longo de gerações, motivada sobretudo pela procura de melhores condições de vida.
“Hoje nós percebemos que o emigrante foi e é muito importante para a nossa economia, que mantém a ligação às nossas terras e é um ativo estratégico”, afirmou.
Emídio Sousa sublinhou ainda que o Governo pretende desenvolver uma nova política pública que envolva os emigrantes em áreas como a exportação, a importação e o investimento, considerando que essa ligação poderá representar uma oportunidade de desenvolvimento para os territórios de origem. Nesse sentido, elogiou a iniciativa do Município de Mourão, considerando que o reconhecimento prestado aos emigrantes pode reforçar a ligação à terra e, inclusivamente, influenciar futuras decisões de investimento no concelho.
O governante salientou também o impacto económico da presença dos emigrantes durante o verão, quando muitos regressam temporariamente a Portugal e afirmou que “quando os que estão na Europa, regra geral, vêm a Portugal passar uns dias de férias, as terras animam-se, os restaurantes animam-se e as vilas, com as suas festas populares, animam-se”.
A importância das remessas enviadas pelos emigrantes e dos investimentos realizados nas suas terras de origem foi igualmente destacada, nomeadamente através da construção ou aquisição de habitação, que contribui para dinamizar as economias locais.
Emídio Sousa defendeu, por outro lado, uma visão de Portugal que ultrapasse as fronteiras geográficas. “O português é o que está em Portugal e em todos os outros países”, afirmou, apresentando o conceito de “Portugal Nação Global”, uma visão que pretende considerar como parte da nação portuguesa os milhões de portugueses e descendentes espalhados pelo mundo.
Segundo o Secretário de Estado, existem comunidades portuguesas em 178 países, o que demonstra, na sua perspetiva, a dimensão global da presença portuguesa.
Também o presidente da Câmara Municipal de Mourão, João Fortes, destacou a importância do monumento enquanto símbolo de reconhecimento e de reflexão sobre o percurso dos emigrantes do concelho. O autarca enquadrou a emigração na própria história de Portugal, enquanto país de “descobridores” e de pessoas que partiram com coragem em busca de melhores condições.
Para Mourão, o reconhecimento dos emigrantes assume também uma dimensão estratégica, numa altura em que o município identifica sinais de um possível aumento do regresso de pessoas que emigraram.
João Fortes afirmou que o município pretende apresentar aos emigrantes que ponderam regressar não só os incentivos disponibilizados pelo Estado, mas também as condições que Mourão tem vindo a criar, nomeadamente ao nível das infraestruturas desportivas, culturais e educativas, a que se juntará em breve uma nova creche.
“Queremos acreditar que estas pessoas trarão mais valor acrescentado para o município, riqueza e eventualmente a criação de novas oportunidades económicas”, afirmou.
O presidente da Câmara recordou ainda as dificuldades que marcaram o percurso de muitos emigrantes de Mourão. O concelho perdeu uma parte significativa do seu território com a construção do projeto de Alqueva e assistiu ao desaparecimento de uma importante unidade industrial, a fábrica de papel, que empregava entre 200 e 300 pessoas.
Perante a ausência de novas oportunidades de emprego, muitos habitantes viram-se obrigados a emigrar para países como Inglaterra, França e Suíça, procurando garantir melhores condições económicas para si e para as suas famílias e destacou que “há que reconhecer esse esforço que foi feito, porque custa muito sair do meio familiar onde cresceram, onde estudaram, para ir para um sítio desconhecido”, lembrando também as dificuldades de integração e situações de xenofobia enfrentadas por alguns emigrantes.
O Monumento de Homenagem ao Emigrante pretende, assim, constituir-se como um espaço de memória e reconhecimento, mas também como um lugar de reflexão sobre o futuro. “Espero que este passe a ser um espaço de reflexão, cada vez que regressem a Mourão, para olharem com otimismo para o futuro, olharem para a imigração como uma oportunidade que se abriu para ter melhores condições de vida, mas também com a esperança de um regresso à sua terra natal”, afirmou o autarca.
João Fortes destacou ainda o crescimento recente da população de Mourão, com um aumento de cerca de 60 pessoas, considerando que este indicador resulta não apenas do regresso de emigrantes, mas também da fixação de nova população estrangeira.
O autarca revelou que o município tem acolhido emigrantes que, sobretudo entre os 40 e os 50 anos, procuram regressar após anos de trabalho no estrangeiro. Alguns encontram atualmente emprego no próprio município.
“Eles querem criar valor, querem criar riqueza”, afirmou, defendendo que esta realidade deve ser encarada como “um fator estratégico, não de circunstância, não de conjuntura, mas estratégico de crescimento da nossa comunidade”.
O regresso de emigrantes com poupanças e poder de compra poderá igualmente contribuir para o desenvolvimento económico local. João Fortes apontou, em particular, para o potencial dos setores da hotelaria e do turismo, áreas onde o município identifica oportunidades de investimento. “Temos que lhes fazer acreditar que o melhor que podem fazer é investir aqui na sua terra, criar postos de trabalho e também fazer render aquilo que com dificuldade criaram lá fora”, afirmou.
A inauguração do Monumento de Homenagem ao Emigrante e a realização da Festa do Emigrante assinalaram, assim, não apenas um momento de homenagem àqueles que partiram, mas também uma tentativa de reforçar os laços entre Mourão e a sua diáspora e de transformar essa ligação num recurso para o futuro do concelho.
A noite prosseguiu com a Festa do Emigrante, num ambiente de convívio e celebração, proporcionando às famílias e à comunidade momentos de música, animação e partilha, numa iniciativa que pretende afirmar-se como um dos momentos marcantes do verão em Mourão.
A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:





































