Costuma dizer-se que o Natal é sempre que o homem quiser. Nos Bombeiros Voluntários, essa máxima ganha um significado ainda mais profundo. Enquanto muitos celebram a noite de Natal junto da família, há quem vista a farda e coloque, acima de tudo, o bem-estar das populações. É essa entrega diária que define os Bombeiros Voluntários de Vila Viçosa.
Mantendo viva uma tradição antiga, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Viçosa voltou a reunir o seu corpo ativo e antigos operacionais no primeiro fim de semana de janeiro — este ano ligeiramente mais tarde devido ao calendário — para celebrar a tradicional Festa de Natal. Um momento de união, partilha e reencontro, vivido no quartel que é casa para quem serve hoje e para quem ali deixou parte da sua vida.
A cerimónia decorreu este sábado e ficou marcada pelo reconhecimento de um ano exigente. Durante 2025, a corporação esteve sempre à altura dos desafios, cumprindo a sua missão com dedicação, profissionalismo e espírito de sacrifício, sem nunca deixar ninguém para trás.
Um dos momentos mais simbólicos da tarde foi a entrega da tradicional “prenda de Natal” aos bombeiros — o único pagamento que recebem ao longo do ano — resultante do Peditório de Natal, organizado pelos próprios operacionais. Um gesto simples, mas carregado de significado, que reflete a solidariedade e o reconhecimento da população calipolense.

Em declarações aos jornalistas, o comandante da corporação, Nuno Pinheiro, mostrou-se profundamente grato pelo apoio da comunidade, sublinhando que o valor angariado no peditório tem vindo a aumentar de ano para ano. Numa altura em que o setor da saúde enfrenta desafios acrescidos, garantiu que, em Vila Viçosa, os Bombeiros continuam a responder a todos os pedidos de socorro, como sempre aconteceu.
O comandante alertou, no entanto, para as recentes alterações no sistema de triagem das chamadas de emergência, explicando que nem todos os pedidos feitos para o 112 são automaticamente considerados urgentes, o que pode atrasar a chegada da ajuda ao quartel. Com o novo modelo, o tempo de resposta passa a ser definido pela gravidade clínica da situação e não apenas pela ordem de chamada ou proximidade da ambulância.
O olhar dos Bombeiros Voluntários de Vila Viçosa está já posto em 2026, com uma aposta clara na formação contínua, reforçando competências e preparando melhor os operacionais para os desafios futuros.

A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, que deixou palavras de forte reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela corporação. O autarca destacou a exigência formativa da profissão de bombeiro, sublinhando que se trata de uma das funções com maior necessidade de formação contínua. “Uma comunidade sem bombeiros é uma comunidade pobre”, afirmou, apelando ao carinho, reconhecimento e apoio permanente à corporação, desejando que “eles nunca nos faltem”.
A Câmara Municipal mantém um apoio constante à Associação Humanitária, assegurando, entre outros contributos, o pagamento de 50% do vencimento de 15 bombeiros da Equipa de Intervenção Permanente (EIP), apoios à Proteção Civil, seguros e aquisição de viaturas. Para 2026, está prevista a aquisição de uma nova viatura florestal de combate a incêndios (VFCI), com um investimento municipal de 45 mil euros, bem como a compra de uma tenda para a Proteção Civil.
No final, foi deixado um agradecimento especial aos empresários do concelho, pelo apoio contínuo e pela colaboração ativa com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Viçosa.
Entre sirenes, sacrifícios e gestos silenciosos de coragem, os bombeiros continuam a ser os primeiros a chegar e os últimos a sair — um verdadeiro pilar da comunidade.































































































































































































































