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Nova ETAR do Ciborro inaugurada após investimento de 2,1 milhões de euros (c/fotos)

A nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Ciborro, no concelho de Montemor-o-Novo, foi inaugurada na manhã desta terça-feira, 7 de julho, numa cerimónia presidida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, pelo presidente do Conselho de Administração da Águas Públicas do Alentejo (AgdA), Diogo Nascimento, e pela vice-presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Ana Mémé.

A nova infraestrutura, que representa um investimento de cerca de 2,1 milhões de euros, cofinanciado em 83,5% pelo programa Alentejo 2030, foi dimensionada para servir 900 habitantes-equivalentes, com uma capacidade de tratamento de 197 metros cúbicos de águas residuais por dia. A ETAR recebe a totalidade das águas residuais domésticas da aldeia do Ciborro através de emissários gravíticos e elevatórios.

Segundo a AgdA, a entrada em funcionamento da nova estação permitirá otimizar o tratamento das águas residuais, assegurar melhores condições de descarga e reforçar a proteção ambiental, contribuindo para a modernização das infraestruturas de saneamento no Alentejo e para a melhoria da qualidade dos recursos hídricos e da qualidade de vida das populações.

Durante a cerimónia, a ministra do Ambiente e Energia destacou que, apesar de se tratar de uma obra de dimensão relativamente reduzida, “é de uma importância crucial”, recordando que a antiga ETAR tinha cerca de 40 anos e estava desatualizada e afirmou que “Portugal teve um grande movimento de modernização nos anos 80 e início dos anos 90 e os equipamentos construídos nessa altura estão hoje obsoletos”, acrescentando que “durante muitos anos não foram realizados grandes investimentos e agora é necessário recuperar esse atraso”.

A governante sublinhou ainda que o Governo está a desenvolver um forte programa de investimento no setor da água e saneamento, referindo que, no Alentejo, existem atualmente 586 milhões de euros em projetos em construção, em fase de lançamento ou de conclusão. Destacou igualmente o plano de investimento superior a 200 milhões de euros da AgdA, o projeto da dessalinizadora de Sines e a Barragem do Pisão, cuja execução tem sofrido atrasos devido a processos judiciais.

Maria da Graça Carvalho salientou ainda que a nova ETAR permite resolver mais uma situação de incumprimento das normas ambientais comunitárias. “Não é aceitável que, em 2026, Portugal continue a ter incumprimentos perante a União Europeia por falta da qualidade ambiental exigida, este é mais um problema que fica resolvido, embora ainda haja muito trabalho pela frente”, afirmou.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da AgdA, Diogo Nascimento, explicou que a antiga ETAR, construída no final da década de 1980, apresentava sucessivas avarias, particularmente no sistema de biodiscos, situação que originava dificuldades no cumprimento dos parâmetros legais de descarga e revelou que “a reparação era cada vez mais difícil devido ao estado de obsolescência da infraestrutura, tornando inevitável a construção de uma nova ETAR, mais eficiente e capaz de garantir o cumprimento das normas nacionais e comunitárias”.

O responsável destacou ainda as características técnicas da nova instalação, equipada com um sistema de lamas ativadas em regime sequencial (SBR), produção de água de serviço desinfetada e preparada para futura reutilização, enquadrando-se nos princípios da economia circular e da sustentabilidade ambiental.

Diogo Nascimento aproveitou igualmente a ocasião para anunciar outros investimentos previstos para Montemor-o-Novo, nomeadamente a futura ETAR do Escoural, atualmente em concurso, com um investimento estimado de 3,2 milhões de euros, bem como projetos de reforço do abastecimento de água através do sistema Bica Fria-Minutos, que envolverá os concelhos de Montemor-o-Novo, Arraiolos e Vendas Novas, num investimento global próximo dos 38 milhões de euros.

Na sua intervenção, a vice-presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo considerou que a inauguração da nova ETAR representa “um momento de grande significado” para o Ciborro e para todo o concelho. Ana Mémé afirmou que a infraestrutura constitui “um importante passo para a melhoria da qualidade ambiental do território”, reforçando o compromisso do município com a resolução dos problemas associados ao ciclo urbano da água.

A autarca reiterou ainda a defesa da gestão pública dos sistemas de abastecimento de água, saneamento e resíduos, lembrando que Montemor-o-Novo esteve na origem da criação da Águas Públicas do Alentejo enquanto parceria público-pública entre o Estado e os municípios alentejanos.

Ao mesmo tempo, deixou um apelo ao Governo para garantir os financiamentos necessários à concretização de novos investimentos considerados prioritários para o concelho, entre os quais o sistema de saneamento da Zona Industrial da ADUA e da cidade de Montemor-o-Novo, bem como o reforço do abastecimento de água a partir da Barragem dos Minutos.

Ana Mémé revelou ainda que o município está a desenvolver estudos para a requalificação das ETAR de Cortiçadas de Lavre, Foros de Vale de Figueira, Cabrela e São Geraldo, além da reparação da ETAR de Silveiras, reforçando que a cooperação entre Governo, municípios e Águas Públicas do Alentejo tem permitido concretizar investimentos estruturantes para a região.

A nova ETAR do Ciborro foi construída em pouco mais de um ano, num processo global que se prolongou durante cerca de dois anos, constituindo uma das intervenções integradas no plano de modernização das infraestruturas de saneamento promovido pela Águas Públicas do Alentejo.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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