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“O álcool é dos principais problemas identificados no país e deve ser prioridade na intervenção” – Marciano Lopes

O Auditório da CCDR Alentejo, em Évora, recebeu na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, o VI Encontro do CRI do Alentejo Central, integrado nas comemorações dos 30 anos desta estrutura dedicada à resposta às dependências. A iniciativa reuniu especialistas, técnicos e responsáveis institucionais num momento que cruzou celebração, reflexão e partilha de conhecimento.

À margem do encontro, Marciano Lopes, vice-presidente para a área da saúde na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, explicou que a escolha da CCDRA como anfitriã do encontro surgiu a convite do coordenador do CRI, sublinhando a importância dos instrumentos de financiamento disponíveis, nomeadamente fundos europeus que apoiam tanto a aquisição de equipamentos como o desenvolvimento da atividade e afirmou que “é um dia muito importante porque se cruzam os 30 anos da instituição com intervenções técnicas e clínicas e o debate entre especialistas”, acrescentando que estes encontros são essenciais para reforçar a formação, a educação e a comparação de práticas entre profissionais.

No que diz respeito ao combate às dependências, o responsável referiu a existência de relatórios anuais por região, que permitem monitorizar a evolução do fenómeno. Na área da prevenção, destacou o papel das escolas e universidades como parceiros fundamentais, enquanto ao nível do tratamento, apontou para a emergência de novas formas de adição, destacando a alcoologia como uma área que ganhou maior expressão nos últimos anos. “O consumo de álcool é atualmente um dos principais problemas identificados a nível nacional e transversal a todas as regiões”, afirmou, defendendo que tanto o CRI como o ICAD devem concentrar esforços nesta área, tornando-a prioritária na intervenção.

Além das dependências associadas a substâncias, o vice-presidente chamou a atenção para o crescimento das chamadas dependências comportamentais, impulsionadas pelo desenvolvimento tecnológico. Entre estas, destacou o jogo e o uso excessivo de ecrãs, sobretudo entre os mais jovens. “O que estamos a identificar é que têm de existir regras mínimas e pedagógicas para o uso destes dispositivos, especialmente nas fases de desenvolvimento das crianças”, afirmou. Nesse sentido, considerou positiva a adoção de medidas que limitem o uso de telemóveis em contexto escolar, à semelhança do que já acontece noutros países.

Marciano Lopes sublinhou ainda a importância do envolvimento das famílias neste processo, defendendo que a restrição do uso de dispositivos digitais em idade escolar pode ter um impacto positivo no percurso educativo e no desenvolvimento dos jovens.

O encontro terminou com um apelo ao reforço do trabalho articulado entre instituições, profissionais de saúde, escolas e famílias, numa resposta integrada aos desafios crescentes das dependências. A celebração dos 30 anos do CRI do Alentejo Central ficou assim marcada não só pela evocação do percurso desenvolvido, mas também pela definição de prioridades futuras, num contexto em que novas formas de adição exigem estratégias cada vez mais adaptadas, preventivas e sustentadas.

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