O Presidente da República, António José Seguro, lamentou hoje a morte do pintor Armando Alves, recordando “o pintor, escultor e designer gráfico que foi uma das figuras maiores da arte portuguesa contemporânea”.
Uma mensagem publicada no ‘site’ da Presidência da República dá conta de que “foi com pesar que o Presidente da República recebeu a notícia” da morte do artista cofundador da Cooperativa Árvore, no Porto, nascido em Estremoz em 1935, e que “construiu, ao longo de mais de seis décadas, uma obra de referência que atravessou a pintura, a escultura e o design gráfico, marcada pela depuração do traço, pela profundidade da cor e por uma relação singular com a paisagem do Alentejo”.
“A ligação fundadora ao grupo Os Quatro Vintes, que reuniu, na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, Armando Alves, Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro, inscreveu-o num dos momentos mais fecundos da arte portuguesa do século XX”, prossegue a mensagem da Presidência da República.
A mensagem sublinha ainda “a marca douradora” de Armando Alves “em gerações de artistas”, na “renovação do design gráfico em Portugal” e através do “magistério que exerceu”, considerando-o “uma das figuras maiores da arte portuguesa contemporânea”.
“O Presidente António José Seguro apresenta as suas condolências à família de Armando Alves e a todos quantos com ele partilharam o ofício e a dedicação à cultura portuguesa”, nota ainda a mensagem.
Também a Câmara de Estremoz, manifestou hoje “profundo pesar” pela morte de Armando Alves, “ilustre artista plástico e designer gráfico”, natural desta cidade alentejana. Numa nota de pesar publicada na página da rede social Facebook do município, a autarquia realçou que a sua “obra e intervenção cívica marcaram profundamente a cultura portuguesa”.
Nascido em Estremoz em 1935, “destacou-se desde cedo no panorama artístico nacional, integrando exposições de relevo e, cofundando o grupo Os Quatro Vintes, essencial na arte moderna portuguesa”, adiantou a câmara.
“Ao longo da sua carreira, desenvolveu um trabalho notável na pintura e no design gráfico, influenciando gerações e contribuindo ativamente para a valorização das artes e da democracia”, salientou o município.
Segundo a autarquia, Armando José Ruivo Alves, foi também “um dos impulsionadores” da Galeria de Desenho de Estremoz e “deixou um legado ímpar nas áreas artística, pedagógica e cultural”. “Neste momento de dor, o município de Estremoz endereça à família e amigos as mais sentidas condolências”, lê-se na nota de pesar.
O pintor Armando Alves, que fez parte do grupo Os Quatro Vintes, com Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro, morreu aos 90 anos, anunciou hoje a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP).
Segundo a nota da FBAUP, que tem na origem a Escola de Belas Artes em que Armando Alves foi estudante e docente, o pintor nascido em 07 de novembro 1935, em Estremoz (Évora), formou-se em Pintura com “20 valores”.
“Formou, com Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro, o grupo Os Quatro Vintes, que apresentou várias exposições nacionais e internacionais no final dessa década e início da seguinte”, realça a nota de pesar publicada pela instituição, assinada pelo seu diretor, Miguel Carvalhais.
O grupo chamava-se assim precisamente pela nota de saída do curso de Belas Artes, tendo os quatro sido professores na Escola de Belas Artes do Porto, mais tarde FBAUP – Armando Alves foi “um dos pioneiros da formação em Artes Gráficas”, lembra Miguel Carvalhais.
Esse curso viria a dar origem à criação do primeiro de Design de Comunicação na cidade, e Alves dedicou-se ao design profissionalmente depois de deixar o ensino superior, com “uma carreira longa e ilustre, com particular destaque para a sua produção em design editorial e cartaz”.
Do grupo Os Quatro Vintes, de resto, Jorge Pinheiro é o único elemento ainda vivo, após a morte de Ângelo de Sousa, em 2011, e de José Rodrigues, em 2016.
Armando Alves foi agraciado em 2006 com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito e, em 2009, recebeu o Prémio de Artes Casino da Póvoa, numa carreira longa entre o trabalho como pintor, a docência e a construção de uma memória gráfica da vida cultural da cidade do Porto.
Com Ângelo de Sousa (1938-2011), José Rodrigues (1936-2016) e Jorge Pinheiro (1931), todos formados com a nota máxima, apresentou várias exposições no final da década de 1960, nomeadamente na Galeria Domingues Alvarez (Porto, 1968), na Galeria Zen (Porto, 1969), na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa, 1970) e na Galeria Jacques Desbrière (Paris, 1970).
Em 2025, a Cooperativa Árvore, no Porto, expôs obras do artista plástico desde 1958 até à atualidade, numa mostra “artística e afetiva” que visou assinalar os 90 anos do artista, no dia 07 de novembro.
Foto: Município de Estremoz

