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Ocorrências de incêndios rurais aumentam mais de 30% em 2025: GNR reforça alerta

A Guarda Nacional Republicana (GNR) assinalou o Dia Mundial da Árvore e da Floresta com um reforço do apelo à prevenção dos incêndios rurais, numa altura em que, até 19 de março de 2026, já foram detidas 10 pessoas pelo crime de incêndio florestal

Em 2025, registaram-se 8278 ocorrências, face a 6304 em 2024, o que representa um aumento de cerca de 31% e evidencia a importância da manutenção de elevados níveis de vigilância, prevenção e sensibilização da população para adoção de comportamentos responsáveis no espaço rural.

A proteção da floresta passa igualmente pela sua defesa ativa contra os incêndios, sendo a GNR um ator fundamental na deteção e no alerta precoce destas ocorrências.

Através da vigilância permanente do território, assegurada pelos militares da Guarda e apoiada por meios fixos e móveis de deteção, foram emitidos alertas para 8 955 situações de 2024 e 12 113 em 2025 (número que incluem deteções precoces correspondendo ao 1. º e 2. º alertas).

No que respeita ao apoio às operações de supressão de incêndios rurais, a Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), desempenha um papel determinante no Ataque Inicial aos incêndios. A UEPS realizou 4 882 missões de Ataque Inicial em 2025, um aumento de cerca de 34% face a 2024 (3 649), evidenciando o significativo empenhamento operacional da Guarda no combate aos incêndios rurais.

Desde o início do ano até 19 de março de 2026, a GNR procedeu à detenção de 10 indivíduos pelo crime de incêndio florestal, no âmbito das ações de vigilância, fiscalização e investigação criminal desenvolvidas em todo o território nacional. Estes dados evidenciam uma atuação firme na identificação e responsabilização dos autores, reforçando a resposta da Guarda na prevenção e repressão de comportamentos que colocam em risco pessoas, bens e o património florestal.

No ano de 2024, foram monitorizados e fiscalizados 10 256 locais com ausência de gestão de combustível, dos quais 6 128 foram posteriormente regularizados de forma voluntária, na sequência das ações de sensibilização e fiscalização realizadas pela Guarda. Em 2025, a tendência manteve-se. Foram monitorizados e fiscalizados 10 417 locais onde se verificava ausência de gestão de combustível, tendo estas ações resultado em 6 189 situações de cumprimento voluntário por parte dos proprietários ou responsáveis, após prévia sinalização das irregularidades.

Portanto, apesar das ações de sensibilização e fiscalização, cerca de 40% das situações sinalizadas por falta de gestão de combustível permanecem por regularizar, evidenciando a necessidade de reforçar a consciencialização e a responsabilidade individual.

A preservação da diversidade florestal constitui também uma prioridade para a GNR. Neste âmbito, a arborização e rearborização do espaço florestal têm merecido especial atenção, refletida na realização de 348 ações de fiscalização em 2024 e 473 ações em 2025, que representa um aumento de 35,9% e que evidencia o reforço do esforço de acompanhamento e controlo nesta matéria. No domínio da sanidade florestal, a Guarda mantém igualmente uma atenção permanente à problemática associada à disseminação do nemátodo da madeira do pinheiro, praga de elevada gravidade que afeta o pinheiro-bravo, provocando a morte dos povoamentos de pinheiro. Neste âmbito, e com o objetivo de prevenir a sua propagação, a Guarda manteve vigilância apertada, tendo sido realizados 17 868 controlos rodoviários a viaturas que transportavam madeira de coníferas em 2025, e 19 566 controlos em 2024, no âmbito das ações de fiscalização desenvolvidas pela Guarda.

A floresta portuguesa, que ocupa mais de um terço do território nacional, constitui um recurso estratégico de elevado valor ambiental, económico e social, assumindo um papel determinante na proteção dos solos, na regulação da qualidade da água e do ciclo hidrológico, na conservação da biodiversidade e no sequestro de carbono, para além de contribuir significativamente para a criação de emprego, para a dinamização da economia e para a qualidade de vida das populações. Contudo, importa salientar que uma parte considerável dos incêndios rurais continua a resultar de comportamentos negligentes ou de práticas inadequadas associadas às atividades agrícolas e florestais, designadamente a realização de queimas e queimadas de sobrantes sem o devido enquadramento legal, bem como outras ações de risco. Neste contexto, e atendendo à crescente preocupação com a problemática dos incêndios rurais em Portugal, a GNR considera fundamental reforçar as ações de sensibilização e proximidade junto da população, promovendo uma cultura de responsabilidade coletiva na proteção da floresta.

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