A aldeia do Ciborro, no concelho de Montemor-o-Novo, viveu esta quarta-feira, 12 de março, um momento carregado de simbolismo e emoção. Após oito anos de portas fechadas, a Escola Primária do Ciborro voltou finalmente a receber alunos, devolvendo à comunidade um espaço que sempre foi mais do que um simples edifício: um lugar de aprendizagem, encontro e futuro.
A reabertura da escola foi assinalada com uma cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Montemor-o-Novo e pela Junta de Freguesia do Ciborro, marcando o fim de um longo período de espera para alunos, professores e famílias.
Para tornar possível este regresso, o município investiu mais de 350 mil euros na requalificação do edifício, melhorando as salas de aula, o mobiliário e vários espaços do estabelecimento de ensino. O objetivo foi criar condições mais adequadas para que as crianças possam aprender e crescer num ambiente digno.
O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, destacou que “apostar na educação é investir no futuro”. O autarca sublinhou que “a prioridade passa por garantir que todas as crianças tenham acesso à escola, independentemente da sua origem ou situação económica”, defendendo que “a educação é um direito fundamental e um pilar essencial para a formação das novas gerações.”
Mas o caminho até aqui não foi fácil. Durante oito anos, alunos e professores tiveram de continuar as aulas em instalações provisórias, num espaço situado por cima de uma casa mortuária — uma realidade que marcou profundamente a comunidade educativa.
A presidente da Junta de Freguesia do Ciborro, Nélia Campino, recorda esse período como “particularmente difícil”. Em dias de funerais, o ambiente tornava-se ainda mais pesado, obrigando a gerir emoções e situações delicadas enquanto, ao mesmo tempo, se tentava garantir normalidade no dia a dia das crianças.
Ao longo dos anos, explicou, “foram lançados vários concursos públicos na tentativa de resolver o problema, mas muitos ficaram sem interessados, o que atrasou sucessivamente a concretização das obras”. A incerteza e a espera “acabaram por gerar momentos de angústia entre os responsáveis locais e a comunidade, que temiam que os alunos continuassem sem acesso ao espaço que sempre foi casa para eles.
Hoje, a realidade é diferente. Com a escola renovada, acrescentou ainda “os alunos passam a dispor de salas mais amplas, melhores condições de aprendizagem e um espaço de recreio, algo que fazia muita falta nas instalações provisórias onde estavam.”
As escolas desempenham um papel fundamental nos territórios mais pequenos, sendo muitas vezes um dos principais pilares da vida local. Para além de garantirem o acesso à educação às crianças que ali vivem, contribuem para fixar famílias, dinamizar a comunidade e manter viva a identidade do território
A reabertura da Escola Básica do Ciborro representa, por isso, mais do que uma obra concluída. Representa sobretudo o regresso da esperança, do riso das crianças no recreio e da certeza de que o futuro da freguesia continua a ser escrito ali, dentro da escola.
Um momento especial registado pela objetiva da Rádio Campanário:
















































