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Olival em Alqueva atinge 76 mil hectares e confirma crescimento histórico na região

A cultura do olival no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) continua a afirmar-se como a grande protagonista da agricultura no Alentejo. Os dados constam do Anuário Agrícola de Alqueva , uma publicação anual da EDIA, que apresenta um retrato técnico e económico da agricultura na região de Alqueva, que conta atualmente com cerca de 130 000 hectares de área regada, consolidando-se como um dos principais polos de agricultura de regadio em Portugal.

Em 2025, a área ocupada por olival atinge 76.728 hectares, consolidando um crescimento sustentado ao longo da última década, sem paralelo com qualquer outra cultura agrícola instalada na região.

Desde 2017, o olival tem registado uma expansão expressiva no EFMA, impulsionada pelo elevado valor do azeite nos mercados internacionais. Embora, a partir de 2020, se observe um ligeiro abrandamento no ritmo de expansão, a tendência de crescimento mantém-se firme, refletindo a continuidade de condições económicas favoráveis e a elevada competitividade do setor.

A forte procura internacional por azeite, aliada ao seu posicionamento como produto de elevado valor acrescentado, tem incentivado produtores e investidores a procurar novas áreas de plantação e a acelerar a instalação de olivais modernos, sobretudo em sistema intensivo e superintensivo.

O principal investimento estrangeiro no Alqueva tem origem espanhola, representando cerca de 31% do total aplicado no olival. Foram investidores espanhóis que instalaram as primeiras grandes áreas de olival moderno na região, introduzindo modelos de exploração mais intensivos, mecanizados e tecnologicamente avançados, aproveitando as condições edafoclimáticas favoráveis e o regadio assegurado pelo sistema de Alqueva.

Atualmente, contudo, os operadores portugueses lideram o investimento, sendo responsáveis por 64% do total aplicado na cultura do olival no EFMA. Esta evolução resulta da transferência de conhecimento técnico ao longo dos anos, que permitiu aos produtores nacionais dominar práticas de gestão da rega, mecanização e inovação agronómica.

Este processo consolidou o olival como atividade estratégica, não apenas do ponto de vista económico, mas também social, contribuindo para a modernização do setor agrícola e dinamização do tecido produtivo regional.

As estimativas para a campanha 2024/25 apontam para uma produção nacional entre 170 mil e 180 mil toneladas de azeite, o que representará um aumento superior a 10–15% face às 150 mil toneladas registadas na campanha anterior.

O crescimento resulta da entrada em produção de novos olivais em sebe e de condições climatéricas mais favoráveis, com menor incidência de fenómenos extremos. Esta evolução reflete não só o aumento da área plantada, mas também o compromisso do setor com práticas inovadoras e sustentáveis que garantem elevados padrões de qualidade.

Nas últimas duas décadas, Portugal assistiu a uma profunda transformação do setor olivícola. Embora a área nacional de olival tenha aumentado apenas 7% desde 2000, a produção de azeite cresceu impressionantes 320%, um valor 140% superior à média mundial.

O centro de produção deslocou-se progressivamente para o Alentejo, que representa atualmente mais de 55% da área nacional de olival e cerca de 90% da produção de azeite português.

Com 80% da produção proveniente de olivais modernos e mecanizados, e com um dos parques industriais de lagares mais modernos e capacitados do mundo, Portugal ocupa já a 6.ª posição entre os maiores produtores mundiais de azeite. Especialistas do setor consideram que o país reúne condições para alcançar o top 3 global nos próximos anos.

O crescimento do olival em Alqueva confirma, assim, a consolidação da região como motor estratégico da olivicultura nacional e como pilar fundamental da competitividade portuguesa no mercado global do azeite.

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