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Oncologia de Portalegre: Movimento em defesa de Rui Dinis avança com exposição e marcha silenciosa

A contestação em torno da reorganização do Serviço de Oncologia do Hospital Doutor José Maria Grande, em Portalegre, poderá ganhar uma nova dimensão nas próximas semanas. O movimento “Valorizar Quem Cuida”, que junta doentes oncológicos, familiares e amigos, prepara uma nova iniciativa de protesto caso não obtenha respostas às preocupações que tem vindo a manifestar.

O grupo reuniu-se na noite de terça-feira, 8 de setembro, na Praça da República, onde definiu uma estratégia para continuar a defender uma resposta oncológica de proximidade. Entre as principais reivindicações está a manutenção das consultas asseguradas pelo oncologista Rui Dinis, com a regularidade que, segundo os participantes, tem sido essencial para os doentes acompanhados no hospital.

A primeira ação será o envio de uma exposição a um conjunto alargado de responsáveis e instituições. O documento deverá chegar às autarquias e assembleias municipais do distrito, à Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, aos deputados eleitos por Portalegre e às estruturas partidárias, mas também à Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, Ministério da Saúde, Liga Portuguesa Contra o Cancro e Presidência da República.

O movimento pretende, desta forma, chamar a atenção para aquilo que considera serem riscos associados à reorganização em preparação para o Serviço de Oncologia. Para os seus promotores, qualquer alteração deve assegurar que os doentes continuam a ter acesso a cuidados próximos, regulares e humanizados.

Uma das questões que mais inquieta os participantes prende-se com a possibilidade de redução da atividade do oncologista Rui Dinis no Hospital de Portalegre. O grupo entende que a diminuição da presença de médicos diferenciados pode ter consequências particularmente relevantes numa região do interior onde persistem dificuldades em atrair e manter profissionais de saúde.

A mobilização dos doentes não começou agora. O movimento nasceu a partir de um grupo criado no WhatsApp, inicialmente destinado à partilha de informação e experiências entre doentes, familiares e amigos. Com o aumento da participação, a iniciativa passou também para as redes sociais e para ações públicas de sensibilização.

Entretanto, foi lançada uma petição em defesa da resposta oncológica em Portalegre que, de acordo com os responsáveis pelo movimento, já ultrapassou as 2.700 assinaturas e foi remetida à Assembleia da República.

Na reunião de terça-feira, os participantes voltaram a sublinhar que a avaliação de um serviço de saúde não pode limitar-se a números ou critérios administrativos. Defendem que devem ser igualmente considerados fatores como a experiência dos profissionais, a capacidade efetiva de resposta, a proximidade dos cuidados e a relação humana estabelecida com os doentes.

A preocupação é agravada, segundo o movimento, pelas dificuldades que muitos utentes do interior já enfrentam para aceder a determinados exames e tratamentos. Em vários casos, os doentes são obrigados a viajar para outras regiões do país, suportando despesas adicionais e deslocações que podem representar um esforço significativo numa fase particularmente exigente das suas vidas.

Perante este cenário, o “Valorizar Quem Cuida” estabeleceu uma data para voltar a avaliar a situação. Caso até 17 de setembro não exista uma resposta ou qualquer evolução que vá ao encontro das reivindicações apresentadas, os participantes admitem avançar para uma ação de rua.

A concentração está prevista para as 17h00, na Praça da República, seguindo depois os participantes, em silêncio, até à entrada do Hospital Doutor José Maria Grande.

A opção por uma marcha silenciosa não é casual. O movimento pretende que o silêncio represente a realidade enfrentada por muitos dos doentes que acompanha, numa luta marcada pela espera, pela incerteza e pelo desgaste provocado pela doença.

“O percurso do doente oncológico é feito de longos e duros silêncios” foi uma das frases deixadas durante o encontro e que acabou por traduzir o significado atribuído à eventual manifestação.

Com esta mobilização, os doentes pretendem reforçar uma mensagem: a defesa de uma resposta oncológica de proximidade e com capacidade de acompanhamento regular deve continuar a ser uma prioridade para Portalegre e para todo o Alto Alentejo.

Recorde-se que a Rádio Campanário solicitou uma entrevista ao Presidente do Conselho de Administração da unidade de Saúde do Alto Alentejo e/ou Direção Clínica mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

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