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“Opção pelos mais pobres será sempre a prioridade das Misericórdias”

A ressalva foi feita pelo presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, no final da Assembleia Geral que este sábado juntou 109 Misericórdias em Fátima.

Assumiu que o acordo com o Governo, em sede do Compromisso de Cooperação para 2025 e 2026 foi, de modo geral, “bom”, mas deixou para o fim uma cláusula que “não foi a tempo de ser negociada, nem alvo de reflexão”, ao nível dos apoios aos cidadãos mais carenciados, numa altura em que avança o “método inovador” – como foi adjetivado na reunião magna – para apurar os custos reais entre as respostas sociais.

“Coloca em causa um problema no cumprimento da nossa opção especial pelos mais pobres”, salientou Manuel de Lemos, para assumir que esse ponto, por agora pendurado, será corrigido. “Vamos falar com a senhora ministra da saúde”, disse, garantindo que a opção pelos mais pobres “será sempre a prioridade das Misericórdias”.

O dirigente admitiu entender o objetivo da governante, mas alertou que esta cláusula “tem um lado que é nefasto. E é pior que o lado bom do acordo. Mas estamos convencidos que vamos lá chegar”, assegurou.

Numa Assembleia Geral que aprovou o relatório de atividades e contas de 2024, Manuel de Lemos abordou o “ano politicamente confuso” que começou em março de 2024 e vem gerando instabilidade nas instituições que “privilegiam a estabilidade e a previsibilidade”. Enfatizou que “isto torna-se mais difícil, porque o dia a dia é muito condicionado pelo que se passa no resto do Mundo”.

Destacou ainda a importância do regresso da formação junto dos profissionais das Misericórdias, depois de vários anos em que esta não teve lugar. “Agora conseguimos encontrar um modelo de formação e vamos começar a apostar. 2025 ainda não vai ser a cem por cento, mas já temos um pedido de 650 ações. É muita coisa”, reconheceu.

Entre as preocupações do momento, Manuel de Lemos “puxou” pela carência de enfermeiros, sobretudo nos territórios de baixa densidade. A questão financeira tem peso na carência que se vai avolumando, com os enfermeiros a optarem para emigrar para países como Inglaterra. “Resta-nos fazer o que outros países fazem em relação a 50% dos enfermeiros. É ir importar a países onde sabemos que a formação é boa, como o Brasil e Cuba”, resumiu.

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