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PAN defende reabertura do Parque de Campismo da Praia da Galé em Melides

A deputada única do PAN – Pessoas-Animais-Natureza, Inês de Sousa Real, recomenda ao Governo, “em estreita articulação” com ICNF — Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, o município de Grândola, com a freguesia de Melides e os promotores imobiliários privados, que “leve a cabo esforços no sentido de assegurar a reabertura do Parque de Campismo da Galé a campistas e caravanistas ou à criação na freguesia de Melides de um espaço alternativo para o efeito”.

Em Projecto de Resolução entregue na Assembleia da República, Inês de Sousa Real propõe ainda que o Governo “assegure a devida conservação e protecção dos habitats naturais existentes na península de Tróia e no cordão dunar entre Tróia e Melides” e que “permita a intervenção nestas zonas apenas para esforços de conservação da natureza e dos ecossistemas dunares”, além de assegurar “a preservação do direito de fruição e acesso público às praias entre Tróia e Melides, em detrimento da sua privatização”.

Explica aquela deputada que “há muitos anos que o areal entre Tróia e Melides é cobiçado por grandes empresas que procuram aproveitar a sua beleza natural para construir diversos empreendimentos turísticos de luxo. Este interesse remonta ao tempo do Estado Novo onde, nos anos 70, foram construídas as maiores piscinas da europa na península da Tróia. Estas acabaram por ser destruídas, mas viu-se, a partir dos anos 90, o regresso dos investimentos de luxo a esta zona, investimentos estes que, infelizmente, vieram para ficar”.

“Nos anos 90, foi finalizada a urbanização Soltróia e seguiu-se o Tróia Resort poucos anos depois, ambos construídos na ponta da península da Tróia. A investidura empresarial nesta parte da península seria finalizada em 2012, com o surgimento do Pestana Tróia Ecoresort, mas apenas por pouco tempo. Entretanto, surgiram vários projectos turísticos a serem a serem construídos ao longo do areal entre Tróia e Melides, incidindo todos eles numa área de especial relevo ecológico, com uma rica fauna e flora que deve ser protegida”, realça Inês de Sousa Real.

A construção destes empreendimentos turísticos “tem sido alvo de críticas da população e de associações ambientalistas, registando oposição por parte destas”. “Mais um caso que tem ganho destaque na comunicação social prende-se com o investimento Costa Terra Golf & Ocean Club, em Melides. Este empreendimento, detido pela empresa americana Discovery Land, compreende 200 hectares para construção de 292 residências de luxo e um campo de golfe”, acrescenta a deputada única do PAN, realçando que “este caso já tinha ganho destaque em 2022, quando a associação de defesa do ambiente Proteger Grândola denunciou as obras na Praia da Aberta Nova, obras estas que poderão bloquear, na prática, o acesso a esta praia por parte dos populares, para não falar de todas as questões ambientais associadas a este tipo de intervenções”.

Para aquela deputada, “infelizmente o cordão dunar entre Troia e Melides já foi danificado, mas ainda vamos a tempo de travar este caminho de destruição e garantir a protecção das zonas que não foram ainda intervencionadas. (…) muitas destas áreas já fazem parte da Rede Natura 2000 que deveria garantir a conservação da biodiversidade”. No entender de Inês de Sousa Real, “isto deveria ser suficiente para garantir a não aprovação destes empreendimentos, mas tal não se verificou. Por isso, torna-se necessário exigir que estas zonas sejam devidamente protegidas e que a construção de projectos turísticos de luxo seja travada”.

À parte disto, frisa a deputada do PAN, “uma das consequências directas do investimento Costa Terra Golf & Ocean Club, em Melides, foi o encerramento, em Setembro de 2021, do Parque de Campismo da Galé, um parque com muitos anos de história, que era um lugar por excelência de contacto com a natureza e pelo qual passaram (e criaram memórias) milhares de campistas e de caravanistas”.

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