O PCP e o STAL criticaram a Câmara de Beja por aprovar um concurso público internacional para a aquisição de serviços de limpeza urbana, mas o presidente do município defendeu ser “a melhor solução” para a cidade.
Em comunicado, a Concelhia de Beja do PCP explicou que os dois vereadores da CDU na Câmara de Beja votaram contra a opção de “manter a entrega a privados por mais dois anos” da prestação do serviço de limpeza urbana, que “devia ser assegurado pelos próprios serviços municipais”.
A proposta acabou por ser aprovada, em reunião do executivo municipal realizada a 19 de junho, com os votos favoráveis dos vereadores da coligação Beja Consegue (que junta PSD, CDS-PP e IL) – que lidera o município -, do PS e do Chega.
“Tal decisão constitui uma medida negativa que não só não contribui para a melhoria da qualidade do serviço que se impõe, como representa um peso maior nos custos suportados pela câmara”, criticou o PCP.
E, continuaram os comunistas, “mantém uma linha de privatização de serviços que a CDU tem combatido e continuará a combater”.
Também a Direção Regional de Beja do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) manifestou, em comunicado, “a sua profunda preocupação e indignação com a decisão tomada” pela Câmara de Beja.
De acordo com o sindicato, o município deu “mais um passo no processo de externalização de serviços”, o que pode acarretar “graves prejuízos” para “os interesses da população e a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores”.
O STAL frisou ainda que “um concurso público internacional entrega a higiene e imagem” da cidade “a grandes grupos económicos que não partilham do compromisso social exigido a uma autarquia, uma vez que a lógica empresarial da maximização do lucro é incompatível com a missão de serviço público que deve orientar a gestão municipal”.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da Câmara de Beja, Nuno Palma Ferro (Beja Consegue), limitou-se a dizer que a contração de uma empresa externa para a realização do serviço de limpeza urbana é “a melhor solução para o município”.
“É a melhor solução dentro do quadro geral que temos, dos recursos que temos e das possibilidades e necessidades que temos”, afirmou.
O autarca acrescentou ainda: “Obviamente que esta foi uma solução que nos parece a melhor [de] entre todas as disponíveis”.
Em novembro de 2025, na sequência das eleições autárquicas realizadas a 12 de outubro, a coligação Beja Consegue e a CDU firmaram um acordo de governação, com um dos dois vereadores comunistas, Vítor Picado, a assumir pelouros a tempo inteiro.
No comunicado, o PCP afirmou que a decisão agora tomada pelo executivo da autarquia, “não obstante as diligências que a CDU tomou junto do presidente da câmara municipal”, constitui “objetivamente um questionamento dos compromissos assumidos no início de mandato”.
Questionado sobre este posicionamento dos comunistas, o presidente do município disse à Lusa não temer que o acordo de governação entre a coligação Beja Consegue e a CDU possa estar em causa.
“Temos um princípio de entendimento, as coisas têm funcionado em ampla articulação e, portanto, não vejo motivos nenhuns para tal preocupação”, afiançou Nuno Palma Ferro.

