As centenárias Festas dos Capuchos, em Vila Viçosa, continuam a afirmar-se como um espaço de tradição, reencontro e valorização da identidade alentejana. Para Pedro Beato, vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, este tipo de eventos representa um importante contributo para a oferta cultural e turística da região.
À margem da inauguração de mais uma edição das Festas dos Capuchos, Pedro Beato destacou o papel dos eventos tradicionais na dinamização das localidades alentejanas, considerando que são iniciativas que ajudam a manter vivas as aldeias, vilas e cidades. “Estes são o tipo de eventos que agregam valor àquilo que é a nossa rede, a nossa manta de oferta cultural dos eventos pelo nosso território todo”, afirmou.
Segundo o responsável, as festas contribuem para dar “energia” e “cor” às localidades, ao mesmo tempo que promovem a memória, as raízes, a identidade e a singularidade do território e explicou que “são eventos culturais que dignificam e que levam à memória, as raízes, a identidade, a singularidade, o património, que é muito relevante”.
O vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo destacou que as Festas dos Capuchos têm “uma forte dimensão familiar e comunitária”, marcada pelo regresso de pessoas naturais de Vila Viçosa ou do concelho que vivem noutras regiões do país.
Pedro Beato considera que este movimento de regresso representa também uma forma de turismo e de valorização da própria identidade local. “Estamos a falar desse regresso de pessoas que estão fora, dentro do nosso país, mas que são oriundos de Vila Viçosa ou do próprio concelho”, explicou.
Para o vice-presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, este reencontro permite recuperar uma dimensão essencial da cultura alentejana: o acolhimento e afirmou que “nestes eventos volta-se a encontrar aquilo que é muitas vezes também a alma do Alentejo, que é o acolhimento, são as pessoas, são as famílias que recebem”.
É precisamente essa ligação às pessoas e ao território que, na sua perspetiva, torna as Festas dos Capuchos num acontecimento com uma forte identidade e que deve ser preservado para as gerações futuras e salientou que “é uma festa que é para preservar e para continuar para o futuro”.
A manutenção de tradições seculares, contudo, não deve significar uma repetição permanente do passado. Pedro Beato considera que é necessário encontrar um equilíbrio entre a preservação da essência das festividades e a introdução de elementos capazes de aproximar novos públicos. “É preciso preservar, mas também dar-lhes muitas vezes um cunho de inovação, mantendo aquilo que é a base para continuar a atrair o público e para atrair outros públicos”, salientou.
Nesse sentido, considera que as Festas dos Capuchos constituem “um bom exemplo” da forma como a tradição pode continuar a ter um papel relevante na oferta turística e cultural do Alentejo.
Mais do que um simples evento festivo, as Festas dos Capuchos assumem-se, assim, como um ponto de encontro entre quem permanece no território e quem regressa às suas origens, reforçando os laços familiares e comunitários e projetando a identidade de Vila Viçosa enquanto parte da riqueza cultural e patrimonial do Alentejo.

