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Pequenos gestos, grande ajuda: livro infantil angaria 2620 euros para a Federação dos Bombeiros do distrito de Évora (c/fotos)

O livro infantil “A Latinha dos Bombeiros” permitiu angariar 2620 euros para apoiar os corpos de bombeiros do distrito de Évora, numa iniciativa que pretende simultaneamente aproximar as crianças dos bombeiros voluntários e sensibilizá-las para a importância da solidariedade.

O valor foi entregue simbolicamente à Federação dos Bombeiros do distrito de Évora, numa cerimónia que decorreu nesta sexta-feira, 11 de setembro, no edifico do quartel dos Bombeiros Voluntários de Évora, e será posteriormente distribuído pelas associações de bombeiros dos municípios que aderiram à iniciativa. O montante deverá ser aplicado na aquisição de equipamentos considerados necessários por cada corporação.

Segundo Paulo Alves, presidente da Federação dos Bombeiros do distrito de Évora, a iniciativa surgiu depois de ter sido contactado pela autora do livro, Fátima Lourenço. Desde o primeiro contacto, percebeu que o projeto poderia ser uma forma de aproximar as crianças dos bombeiros e explicou que “é um livro muito interativo” e, por isso, “podia chegar, de uma certa forma, às crianças e aproximar as crianças também dos bombeiros voluntários”.

O responsável destacou ainda a vertente solidária do projeto. O livro tinha um preço de 5,99 euros, sendo que dois euros de cada exemplar adquirido pelos municípios revertiam para a Federação dos Bombeiros. No total, foram comprados 1310 livros, resultando nos 2620 euros agora angariados.

O dinheiro será distribuído pelas associações dos municípios que participaram na compra dos livros, ficando cada corporação responsável por decidir onde aplicar a verba.  “Cada uma vai comprar o equipamento que achar necessário para aquela associação”, afirmou Paulo Alves.

Para Paulo Alves, a divulgação agora realizada poderá ajudar a levar o projeto a outros municípios que ainda não aderiram.

“Pretendemos também chegar aos outros municípios e que possam ainda fazer a aquisição do mesmo”, afirmou o presidente da Federação dos Bombeiros do distrito de Évora, apontando o Natal como uma próxima oportunidade para os municípios oferecerem o livro às crianças.

A autora, Fátima Lourenço, explicou que a ideia nasceu durante o período de incêndios, depois de ouvir sucessivos apelos dos bombeiros relativamente à falta de apoios. A escritora começou então a pensar em formas de contribuir para os bombeiros, mas também numa maneira de aproximar as novas gerações destas instituições e explicou que a ideia surgiu devido “a ter pensado como é que vai ser o futuro dos bombeiros, uma vez que as crianças estão a ficar tão tecnológicas”.

Foi dessa reflexão que nasceu “A Latinha dos Bombeiros”, um livro interativo que combina uma história infantil com atividades de desenho e pintura e uma componente de sensibilização para a solidariedade. A intenção, explica Fátima Lourenço, é levar as crianças a conhecerem melhor o trabalho dos bombeiros, incentivando-as a visitar os quartéis e a conversar com familiares sobre a missão destas instituições.

Mas o projeto vai além da leitura. O livro inclui uma componente que permite à criança criar a sua própria “latinha dos bombeiros”, que poderá utilizar para juntar moedas e posteriormente entregar o donativo aos bombeiros.

A autora pretende, desta forma, transmitir às crianças a ideia de que pequenos gestos podem contribuir para ajudar as corporações. “É criar isso nas crianças”, resume Fátima Lourenço, defendendo que o projeto pode também envolver pais e avós num processo de sensibilização para a solidariedade.

Fátima Lourenço procurou inicialmente testar a ideia junto dos bombeiros do distrito de Setúbal, mas acabou por encontrar na estrutura federativa uma forma de tornar o projeto mais abrangente. Depois de contactar a Liga dos Bombeiros Portugueses, foi aconselhada a estabelecer a ligação com as federações distritais, que poderiam fazer chegar a iniciativa às corporações e, posteriormente, aos municípios.

A estratégia encontrada para fazer chegar o livro às crianças passa pelos municípios. As câmaras municipais podem adquirir os exemplares e posteriormente distribuí-los pelas escolas, nomeadamente em iniciativas do Dia da Criança ou do Natal.

No distrito de Évora, Estremoz foi o primeiro município a aderir, adquirindo livros para oferecer às crianças. A iniciativa contou também com a participação de outros municípios e entidades da região.

A autora considera que, apesar de a adesão inicial ter ficado aquém do objetivo de envolver todos os municípios, os resultados são positivos para uma primeira experiência e referiu que “foi uma boa adesão, uma vez que foi uma primeira iniciativa”.

Fátima Lourenço não pretende ficar pelo distrito de Évora. Depois de ter contactado federações de bombeiros de todo o país, a autora espera conseguir alargar o projeto a outros distritos e fazer chegar o livro a mais crianças.

A ambição é que a iniciativa possa ser replicada “de norte a sul” e que mais municípios utilizem o livro como oferta às crianças, contribuindo simultaneamente para o apoio às corporações de bombeiros.

A autora admite que os valores angariados por cada edição podem não ser muito elevados, mas considera que uma adesão mais ampla poderia representar uma ajuda significativa e exemplificou que “se a maior parte das câmaras comprasse este livro, o que estamos a ver ali dos 2620 euros podiam ser 10 mil euros”.

Para além da componente financeira, Fátima Lourenço sublinha o impacto que o projeto pode ter nas próprias crianças. Na primeira iniciativa, 1.310 exemplares já chegaram às mãos de outras tantas crianças, que poderão conhecer melhor a missão dos bombeiros e, eventualmente, despertar para o voluntariado.

A escritora pretende manter o projeto ativo nos próximos anos, reforçando a divulgação junto das federações e procurando novas adesões, sobretudo nas campanhas do Dia da Criança e do Natal.

A primeira edição de “A Latinha dos Bombeiros” deixa, assim, um primeiro resultado concreto no distrito de Évora, tanto pelo apoio financeiro às corporações como pelo número de crianças envolvidas. Agora, a autora quer levar o projeto mais longe e espera que outros municípios e federações se juntem à iniciativa, para que a solidariedade e a proximidade com os bombeiros possam chegar a mais crianças em todo o país.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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