Imprimir esta página

Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 17 Out. 2019

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 17 de outubro, abordou aos microfones da Rádio Campanário a situação do CDS-PP após a saída de Assunção Cristas, falou ainda sobre os pedidos que clamam pela sua candidatura a líder do partido, abordou o esboço do orçamento de estado e a carga fiscal dos funcionários públicos.

Nuno Melo começa por explicar que o CDS-PP “em 2019 com apenas 5 deputados não vive a mesma situação que viveu no passado com os mesmos 5 deputados. O eurodeputado explica que “nessa altura o CDS era o único partido da direita, contava com deputados com muita competência, e que com maior ou menor dificuldade permitiam ao partido crescer”, acrescentando que “hoje em dia temos uma nova conjuntura, a Iniciativa Liberal e o Chega entraram no parlamento, por isso os deputados que temos vão ter de disputar o espaço com estes novos partidos”.

Nuno Melo considera “vantajoso que o líder parlamentar possa fazer o debate diretamente com o Primeiro Ministro”, o que justifica que “o presidente do partido seja ao mesmo tempo deputado, podendo assim esgrimir argumentos com os restantes deputados e com o próprio governo”.

Para o eurodeputado “o CDS tem elementos capazes, que neste momento se encontram fora do parlamento, como são os casos do António Lobo Xavier, Pires de Lima, Diogo Feio ou Nuno Magalhães”.

Mais importante que saber quem será o próximo líder partidário, “é que o partido saia unido do próximo congresso, pois caso contrário, terá um tempo de vida muito difícil”, considera.

Relativamente a algumas vozes, no interior do CDS-PP, que pedem Nuno Melo como líder partidário, o eurodeputado considera que “tenho de ser coerente com o meu pensamento e com as posições que tomei num passado recente”, afastando assim uma eventual candidatura.

O eurodeputado justifica tal decisão com “o facto de estar a maior parte da semana em Bruxelas e não em Lisboa, acaba por ser uma desvantagem”, acrescentando que “se o partido estivesse num absoluto estado de necessidade, se não existisse mais ninguém, talvez avançasse”.

Nuno Melo reconhece que “estamos numa situação muito delicada, no entanto considero também que existem pessoas mais próximas, com a capacidade para a função”, apontando “Cecília Meireles, o João Almeida ou o Telmo Correia com grande capacidade para exercerem essa função”.

O eurodeputado refere mais uma vez que “o que me parece importante é que quem lidere consiga unir o partido”, afirmando ainda que “um presidente do partido que não debata com o Primeiro Ministro, arrisca-se a não existir”. O que atualmente “se agrava, quando temos outros partidos de direita que tem essa possibilidade, que lhes vai dar projeção e visibilidade e o CDS não a vai ter”.

Relativamente ao esboço do orçamento de estado que aponta para o primeiro défice zero em toda a história da democracia portuguesa, Nuno Melo considera que “será uma boa noticia, e quem o consegue terá o meu aplauso”.

O eurodeputado refere ainda que “os défices não podem significar o colapso dos serviços públicos, lembro os tempos em que Jorge Sampaio referia que existia vida para além do défice”. Nuno Melo afirma que “se o défice for feito ás custas dos doentes que morrem nos hospitais, dos transportes públicos que faltam, então o défice tem um custo de oportunidade muito grave”.

Na opinião do eurodeputado “tem de existir sempre um equilíbrio entre o défice e aquilo que são as funções básicas de um estado”.

Relativamente ás carreiras da função pública, e a carga fiscal inerente, o eurodeputado começa por referir que “qualquer Ministro das Finanças tem uma vida muito difícil”, justificando que “a fórmula entre o que o estado pode dar e as metas que quer alcançar é o que se avalia diariamente no parlamento”.

O eurodeputado refere ainda que “a nossa classe média está completamente asfixiada, as pessoas já chegaram ao ponto de não quererem trabalhar mais porque sobem de escalão e com os descontos ficam a ganhar o mesmo que muitos que recebem o RSI”.

Para Nuno Melo “o estado tem de ser justo, e nós chegámos a um ponto em que o estado não está a ser justo”.