Comentário semanal do deputado João Oliveira aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 24 Jun. 2020

O deputado João Oliveira, eleito pelo círculo de Évora da CDU à Assembleia da República, no seu comentário desta quarta-feira, 24 de junho, abordou aos microfones da Rádio Campanário, a evolução da pandemia COVID-19 em Portugal, com enfoque no Alentejo.

Questionado se estamos perante uma segunda vaga, o líder parlamentar do PCP disse que “sinceramente, a minha esperança é que não estejamos verdadeiramente perante uma segunda vaga, mas que seja apenas alguma consequência das medidas de desconfinamento que têm sido tomadas e que ainda assim tudo isto se contenha dentro daquilo que as Autoridades de Saúde consideravam expectável em relação ao número de casos e que não haja descontrolo em relação à propagação da infeção e que, de forma geral, a segurança e a saúde das pessoas possa ser assegurada sem sobressaltos”. Ainda assim, “há motivos de preocupação e não podem ser transformados em motivos de alarme e precisam de ser encarados como motivos de preocupação que são com as medidas que são adequadas e necessárias para dar combate a esta situação que estamos a viver. As situações na Área Metropolitana de Lisboa e no Alentejo estão a preocupar as Autoridades de Saúde, mas ainda assim são distintas na sua natureza, na sua configuração e acho que não devíamos baralhar, nem misturar umas coisas com as outras, pois são situações distintas que precisam de respostas distintas, mas elas têm de ser tomadas ao nível dos serviços de saúde, ao nível dos serviços de Proteção Civil, ao nível da intervenção de todos os agentes com responsabilidade”.

Relativamente às medidas adotadas pelo Governo, João Oliveira referiu que “não parecem desproporcionais nem desadequadas, mas não chegam por si só. Pode servir de pouco se o facto das pessoas que estão doentes não poderem ficar em casa porque ficam sem rendimento e fechar os centros comercias às 20 horas serve de pouco. É preciso em primeiro lugar conhecer a situação das populações. Os transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa não podem funcionar como estão. É uma situação que no resto do país não se conhece, mas a situação que está criada é inaceitável. As empresas de transportes puseram os trabalhadores em lay-off, mantiveram ao serviço apenas aqueles que são essenciais, estão a fazer os serviços mínimos com carreiras muito insuficientes e, ao mesmo tempo embolsando o dinheiro do estado. As pessoas estão à espera uma hora pelo autocarro e quando chega vai cheio. Isto não contribui para resolver o problema da saúde e é preciso que os transportes públicos correspondam às necessidades das pessoas, para que as pessoas não tenham de ir amontoadas”.

Questionado se, apesar da evolução da pandemia, a Festa do Avante se vai manter, o comunista sublinhou que “ainda ontem [terça-feira] o Secretário-Geral do PCP disse que vamos ter em conta as circunstâncias que existirem na altura, portanto continua em consideração”, frisando que “têm havido coisas muito diferentes, têm havido coisas feitas em segurança e outras que são uma balbúrdia. Por exemplo, o Primeiro de Maio da CGTP, tomara-nos que toda a gente cumprisse as regras dessa iniciativa na praia de Carcavelos. As pessoas estavam ao monte na semana passada”. Questionado se no 1ºMaio havia condições para aquele ajuntamento, o Líder Parlamentar do PCP atirou que “o problema não é quantas pessoas estão, é como estão. Vimos na televisão que as pessoas estavam a mais de dois metros de distância”. Sobre o transporte para a manifestação da CGTP, “as camionetas que foram para o 1º de Maio levaram um terço das pessoas, cumprindo o que a DGS tinha definido”, salientando que “se as regras do 1º de Maio tivessem sido cumpridas em todas as situações, podíamos estar descansados que as coisas tinham sido feitas em segurança. O problema é que há coisas muito diversas e há pessoas que não estão a respeitar as regras que foram determinadas e é preciso que as respeitem. Há sobretudo um aspeto que é o ponto central: os serviços de saúde disseram-nos que a partir do momento em que houvesse medidas de desconfinamento o número de casos ia aumentar, o que é natural, e o que seria relevante não era o aumento do número de casos mas sim haver capacidade dos serviços de saúde de acompanhar as cadeias de transmissão de maneira a poder identificar sempre onde está o foco, como evoluem as coisas, ir rastreando as pessoas. Ou seja, mesmo aumentado o número de pessoas infetadas conseguia-se saber por quem tinham sido infetadas e quais as cadeias de transmissão. Haverá todos os dias novos infetados, a questão é saber se se consegue controlar ou não, essa é que é a questão decisiva”.

Sobre o crescimento significativo de casos de COVID-19 no Alentejo, ao que a Rádio Campanário teve conhecimento, as urgências do Hospital de Évora estão a ficar lotadas com pessoas que sentem sintomas de COVID-19. Confrontado com esta situação e questionado se as pessoas se esqueceram das recomendações da DGS, João Oliveira pensa que “confirma uma das coisas que estávamos agora a ver: é menos perigoso haver mil pessoas que estão a dois metros de distância umas das outras do que meia dúzia num café ao monte. O cumprimento das regras é que é a questão decisiva e sobretudo a questão do uso de máscara, da distância de segurança e da desinfeção das mãos são as três chaves para este problema ser enfrentado com sucesso. Em Reguengos [de Monsaraz] não houve nenhuma concentração de pessoas. O que são pequenos ajuntamentos, sem cumprimento das regras, que dá a propagação da infeção. O essencial não é saber quantas se juntam, mas em que condições estão a conviver e a juntar-se umas com as outras. Se a nossa população mais envelhecida fica exposta a um problema destes podemos ter uma situação difícil”.

Para o comunista, “se o Hospital Central do Alentejo não tivesse sido adiado tantas vezes, podíamos ter agora uma capacidade muito reforçada e com melhores condições para dar resposta a estas dificuldades. Esta tem sido uma luta com a qual o PCP se tem debatido e voltaremos a pedir na Assembleia da República para ouvir com urgência a Ministra da saúde para perceber o porquê da adjudicação está parada nas mãos da ARS do Alentejo desde o início de março. Não há explicação para que a ARS do Alentejo esteja a atrasar a adjudicação da obra”.

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