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Comentário semanal do deputado João Oliveira aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 16 Out. 2019

O deputado João Oliveira, eleito pelo círculo de Évora da CDU à Assembleia da República, no seu comentário desta quarta-feira, 16 de outubro, abordou os resultados das eleições legislativas e ainda a constituição do novo governo.

João Oliveira começa por referir que “existiram muitos fatores que condicionaram a votação da CDU”, acrescentando que “a leitura que as pessoas fazem sobre a nossa posição em 2015 penso que não é a correta”.

O deputado considera que “as pessoas ficaram muito agradadas com a solução política que tivemos durante os últimos 4 anos”, referindo que “durante a campanha eleitoral transmitiram-me essa opinião”. João Oliveira declara ainda que “a vontade maioritária que ouvi durante a campanha era de que a ‘geringonça’ devia continuar”.

Questionado pela RC sobre o que motivou a não reedição da solução política vigente nos últimos 4 anos, João Oliveira explica que “uma coisa foi o que aconteceu tendo em conta as circunstâncias de 2015 e dizermos que isso era irrepetível”. O deputado justifica que “dizemos que é irrepetível porque tínhamos a certeza absoluta que o que ia acontecer depois das eleições não seria sequer próximo do que aconteceu em 2015”.

João Oliveira aponta como diferenças “António Costa em 2015 demorou quase 2 meses para ser indigitado, com a insistência do então Presidente da República em nomear Pedro Passos Coelho, e desta vez ao fim de 3 dias António Costa já estava indigitado”. Para o deputado “isso faz toda a diferença, em 2019 não foi preciso 1/10 daquilo que tivemos de fazer em 2015 para termos um governo”.

Posto isto, o deputado explica que “não significa que o PCP não esteja disponível para continuar a encontrar soluções de estabilidade, antes pelo contrário, estamos inteiramente disponíveis e tomaremos a iniciativa de apresentar na Assembleia da República as propostas que façam avançar as medidas que foram tomadas nos últimos 4 anos”.

Após a reunião com António Costa, “o PS compreendeu com grande naturalidade aquilo que nós estávamos a dizer na reunião, ou seja, o ‘caminho das pedras’ que fizemos em 2015 para ter António Costa indigitado foi ultrapassado, logo torna-se desnecessário assinar o papel”, declara João Oliveira.

O deputado considera que “aquilo que as pessoas denominavam de geringonça era na realidade um governo minoritário do PS”, acrescentando que “é o que vamos ter nos próximos 4”.

João Oliveira refere que “pegar no que aconteceu em 2015 e transformar num guião para a nova legislatura é um erro”, referindo ainda que “só foi preciso assinar o papel porque Cavaco Silva não queria dar posse ao PS e impôs que o entendimento estivesse assinado”.

Para o PCP “existe no entanto uma diferença substancial, o PS teve mais votos e mais deputados e nós tivemos menos votos e consequentemente menos deputados”, o que significa que “mesmo sem maioria absoluta o PS tem todas as condições para fazer tudo o que lhe apetecer, porque o PS deve ficar com 108 deputados, o que significa que só é possível derrotar o partido socialista se todos os outros estiverem de acordo, o que é praticamente impossível”.

Na sua opinião, João Oliveira refere que “os trabalhadores e o povo português vão estar em condições muito mais difíceis durante esta legislatura”.

Relativamente aos elementos que integram o novo governo, o deputado refere que “mais importante do que saber quem são as pessoas é saber o que as pessoas vão fazer”, considerando que “não existiram grandes surpresas, é perfeitamente normal secretários de estado passarem a ministros”.