Comentário semanal do eurodeputado Carlos Zorrinho aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 22 Set. 2020

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, 22 de setembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário sobre a questão sobre o possível uso obrigatório da máscara ao lar livre uma possível “Geringonça 2”, os aterros em Portugal, os testes à COVID-19 nas escolas e sobre os médicos que se recusam a integrar brigadas para os lares.

Esta segunda-feira, a DGS anunciou que em breve será publicada uma nova orientação que recomenda o uso de máscara em espaços públicos movimentados, sempre que não seja possível assegurar o distanciamento físico. Já a Ordem dos Médicos defende que deve ser obrigatório o uso da máscara em espaços públicos abertos. Questionado sobre qual a sua opinião relativamente a este tema, Carlos Zorrinho advertiu que “tenho sempre muito cuidado em emitir opiniões sem uma base técnica”, mas falou que “a experiência aqui em Bruxelas é que é obrigatório usar máscara nas ruas, mas depois há um certo facilitismo noutros contextos, maior que em Portugal. A verdade é que os números da Bélgica não são melhores que em Portugal e, portanto, acho que é importante que a DGS e os médicos se entendam e façam a escolha melhor”. O eurodeputado admitiu que “sinto algum conforto em usar a máscara, sobretudo quando estou com outras pessoas, mas como lhe disse os resultados não são melhores. Está demonstrado que a carga viral é muito limitada se a máscara for usada e toda a etiqueta respiratória. Mais vale prevenir que remediar”.

Também esta segunda-feira, o Primeiro-Ministro recebeu os partidos com assento parlamentares para discutir o Plano de Recuperação e Resiliência 2020-2030. À saída da reunião com António Costa, o Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, mostrou-se pouco disponível para uma “Geringonça 2”, enquanto que o Primeiro-Ministro frisa a necessidade de novos acordos á esquerda. Para Carlos Zorrinho, “temos de compreender o contexto, pois são diferentes. O contexto da «Geringonça», em 2016, foi o necessário para responder a 4 anos de profunda austeridade, empobrecimento do povo português e nessa altura juntaram-se um conjunto de peça que, à partida, eram improváveis e por isso é que se chamou ao resultado «Geringonça». Desta vez podemos ter as mesmas peças, não tendo necessariamente de as juntar como um «lego». Desde que o compromisso de voto dos partidos que integraram a dita «Geringonça» e de mais alguns que possam vir a viabilizar parte do Orçamento de Estado para 2021 se garanta, nós teremos o OE aprovado. Não é necessário fazermos uma «Geringonça» para fazermos um OE, o que temos de ter é um Orçamento de Estado”.

“Agora olhamos em frente e vemos eleições presidenciais, eleições autárquicas e é normal que os partidos, ainda que assumam um compromisso com o país, não queiram ficar amarrados uns aos outros. Desde que fiquem amarrados ao país e aos cidadãos, isso é o que é importante para nós todos”, salienta o socialista.

Foi ainda abordado o tema de Portugal continuar a ser “o lixo” da Europa, pois os países estrangeiros estão a pagar 80 euros por tonelada para deixar em Portugal o seu lixo, um preço menor à média europeia, que se situa nos 100 euros. A Quercus já alertou para o facto de que os aterros nacionais possam esgotar a capacidade de armazenamento mais depressa. O eurodeputado considera o assunto “muito complicado”, referindo ainda que “também é falado que temos um conjunto de infraestruturas que têm de ser geridas. A própria reciclagem em Portugal poderia ser melhorada. Mas nós também exportamos lixo, também exportamos biomassa. Do meu ponto de vista acho que todo o sistema de resíduos na União Europeia devia ser repensado e melhor monitorizado. O setor dos resíduos é um setor que merece um olhar muito atento”.

A Cruz Vermelha Portuguesa disponibilizou-se para oferecer às escolas e lares 500 mil testes rápidos à COVID-19. Os testes já foram aprovados pelo Infarmed, mas o Governo ainda não tomou qualquer decisão. Carlos Zorrinho não tem dúvidas de que “se o Governo não iniciou ainda os testes é porque está a montar toda a logística para que funcionem bem e sem risco, para que haja uma distribuição equitativa e para que haja respostas rápidas”.

“Um medicamento ser aprovado pelo Infarmed significa que pode ser usado. Depois a forma como deve ser usado, a forma como deve ser distribuído e como deve ser feito, toda essa montagem compete ao Governo”, enaltece o socialista.

Por último, falou-se sobre os médicos que estão a recusar integrarem as Brigadas de Intervenção Rápida que vão dar apoio aos lares de idosos afetados por surtos de COVID-19. Questionado se este “braço-de-ferro” entre o Governo e a Ordem dos Médicos tem prejudicado os utentes dos Lares de Idosos, Carlos Zorrinho não chama “braço de ferro”, mas sim “negociações duras. É óbvio que em condições normais cada um de nós tem um quadro funcional. É provável que, em condições normais, determinados médicos não tenham na sua função os cuidados aos lares. Estamos numa situação que não é normal, portanto, a minha recomendação e o meu apelo é que rapidamente as entidades que representam os médicos do ponto de vista profissional e as entidades que os contratam cheguem a um acordo, porque a cada dia que passa o risco aumenta”.

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