Comentário semanal do eurodeputado Carlos Zorrinho aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 21 Jul. 2020

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, 21 de julho, abordou aos microfones da Rádio Campanário o acordo alcançado pelos líderes dos países membros da União Europeia (UE) para o próximo Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação da economia para superar a crise criada pela COVID-19, cujo pacote total inclui 1,82 biliões de euros: 1,074 biliões no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2027 e 750 mil milhões para o Fundo de Recuperação. Portugal irá receber cerca de 45 mil milhões de euros.

Para Carlos Zorrinho, “depois daquilo que se temeu ao longo das negociações nos últimos quatro dias, a verdade é que os interesses portugueses ficaram salvaguardados: temos mais 37% do que aquilo que tínhamos antes da pandemia, temos 15,3 mil milhões de euros em subvenções só para a recuperação da pandemia e depois vamos ter também, e aí chegamos aos 45 mil milhões de euros, aquilo que estava previsto no Quadro Plurianual de Financiamento, que são 29,3 mil milhões de euros em subvenções e podemos ainda recorrer a empréstimos com taxas de maturidade muito longas e que não terão impacto direto na nossa divida, que é o mais importante para não aumentar a taxa de juro”.

Questionado se são verbas suficientes para a retoma económica da União Europeia e de Portugal, o socialista refere que “depende da forma como o vamos usar. A verba é brutal e é uma grande percentagem do PIB. Nós não temos ainda a noção dos danos totais da pandemia (…) mas tudo depende de definirmos bem qual é o desafio. Mas seja qual for, temos que gerir muito bem essas verbas, até porque uma das características deste pacote de financiamento é a existência de mais verbas de gestão nacional, ou seja, há mais verbas geridas pelos Estados-Membros, que depois têm de apresentar os seus planos a Bruxelas, e menos gerido em conjunto, porque significa que temos de ser menos burocráticos e mais eficazes e não podemos desperdiçar dinheiro”.

O eurodeputado não tem dúvidas de que “é um desafio grande, de boa execução, e isso faz-se com toda a sociedade portuguesa comprometida, envolvida, com grande transparência e com grande sentimento sobretudo para as nossas gerações e para as mais novas que viveram tempos extraordinários de progresso e de paz, mas foram também confrontados com o terem de gerir e ultrapassar esta brutal crise sanitária, que se transformou numa crise económica e social e nós temos uma responsabilidade moral de fazer a recuperação. Acredito que vamos conseguir, mas não basta apenas anunciar o dinheiro. Temos de o usar bem, em projetos estruturantes, que qualifiquem as pessoas e que os preparem para ser mais competitivos e para estarmos menos dependentes de alguns setores”.

Carlos Zorrinho frisa ainda que “este acordo demonstrou que os anúncios de que a UE estava morta eram claramente exagerados. Desde o princípio tenho dito que esta crise era uma prova de vida para a UE e a verdade é que ultrapassou essa prova, mas tendo de fazer também face a algumas coisas lamentáveis, como os ataques dos Países Baixos, imputando alguma supremacia moral em relação aos outros povos, ou os ataques populistas da Hungria e da Polónia. Mas a verdade é que a UE resistiu a tudo isso”, e exalta o papel feito por Portugal, “desenvolvido pelo Primeiro-Ministro, indo aos sítios difíceis e onde os outros não queriam ir, como reunir com o Primeiro-Ministro holandês e o Primeiro-Ministro húngaro. Fez também o papel de que, quando há um grande confronto entre «gigantes», às vezes é um país de «meio tamanho» que pode ajudar a fazer as pontes e isso foi muito importante”.

O socialista, questionado se a elaboração dos planos de execução “à pressa” pode levar a erros, responde que “temos que os minimizar, mas também só não comete erros quem não executa. Também não temos que fazer as coisas assim tão à pressa. Em primeiro lugar, é um bom sinal que os Fundos de Coesão e os Fundos para a Agricultura não foram cortados. Por outro lado, há garantia de um acordo e que a partir do início de 2021 vai passar a chegar esse dinheiro. (…) Não é preciso ficar à espera que chegue formalmente o dinheiro, pode-se começar já a aplicar naquilo que é importante, com mais confiança, mas preparando bem e de forma muito robusta como se vai utilizar essas verbas”.

Sobre as áreas que vão ser reforçadas em primeiro lugar, o eurodeputado disse que “neste momento o fundamental é área da saúde. É prepararmos o outono, em que poderemos ter ao mesmo tempo a COVID-19, as doenças típicas dessa estação do ano e as pneumonias. Mas também temos que continuar a apoiar as empresas, para que elas não encerrem. Há muitas empresas em que nós já percebemos que não vai ser um verão totalmente parado, vai haver muito turismo português, mas vai ser um verão muito diferente em relação a anos anteriores”.

“Nesta fase não podemos perder essas cadeias de valor, é muito importante garantir todo esse processo de funcionamento, porque dá muito trabalho criar um emprego na economia. Nós tínhamos feito um trabalho extraordinário, estávamos quase a chegar ao pleno emprego técnico e quando se perde um emprego é terrível para a pessoa que o perde e para a economia”, garantiu Carlos Zorrinho.

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