Comentário semanal do eurodeputado Carlos Zorrinho aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 13 Out. 2020

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, 13 de outubro, abordou aos microfones da Rádio Campanário o Orçamento de Estado (OE) para 2021.

Na opinião do socialista, este é “sem dúvida o Orçamento de Estado possível do ponto de vista de conteúdo, porque estamos perante uma pandemia e perante um impacto brutal da pandemia. Temos um Governo que é progressista e de esquerda. Portanto, é um OE com um grande pendor social, muito focado nas pessoas, dando melhores condições, dentro do possível, àqueles que estão mais expostos, por exemplo àqueles que não têm nada -  a subida do subsídio de desemprego, o salário mínimo - no fundo uma preocupação com aqueles que menos têm, mas ao mesmo tempo é um OE em que este ano não é necessário cumprir os défices de Bruxelas, é um OE que para além de fazer tudo isso do ponto de vista da sustentabilidade das pessoas, também alivia a carga fiscal das empresas, apoia as empresas para manter os postos de trabalho, apoia e tem um nível de investimento público bastante grande para poder dar lastro ao plano de recuperação e resiliência. É um OE que não desiste do médio-longo, mas que teria de se focar no curto prazo”.

Questionado de que forma o OE irá beneficiar o Alentejo, Carlos Zorrinho salientou que “vai haver bastantes mais coisas, nomeadamente, o plano da ferrovia, o investimento do hidrogénio em Sines, agora com o lançamento do 5G, os pacotes também terão de incluir o Alentejo. Toda a aposta do reforço na saúde, o Alentejo precisa também destes tipos de investimento e vamos ter. Por um lado, um investimento que permite ser mais competitivos enquanto região, atrair mais gente qualificada ou fixar mais gente na região e depois coisas muito imediatas e de curto prazo, no fundo as pessoas encontrarem lugar nos nossos hospitais. Este é de facto um OE com muita sensibilidade e seria uma enorme irresponsabilidade, sobretudo por parte dos partidos à esquerda que estão a negociar até ao último minuto este orçamento, se este Orçamento não for aprovado (…) Um eventual chumbo do OE ficaríamos com as «asas cortadas»”.

Neste OE vai haver reformas congeladas acima dos 658 euros e fora desses aumentos ficam cerca de 2,1 milhões de pensionistas. Para o socialista “há sempre uma escolha, há sempre um limite. Mesmo assim este orçamento prevê um déficit de 7,4 e se tudo correr bem, se para o ano já não tivermos COVID-19 ou tivermos saído do COVID-19, embora tenhamos ainda muitas sequelas, podemos rapidamente convergir para défices menores, não porque Bruxelas imponha ou porque os mercados vão impor. Se tivermos défices muito altos depois não conseguimos rentabilizar. Este acho que é um orçamento em que se espremeu ao máximo tudo o que podia dar para minorar o sofrimento dos portugueses”.

O Governo destina cerca de 26 milhões de euros do OE para o novo Hospital Central do Alentejo. Questionado se este dinheiro foi destinado porque a obra tem de ser adjudicada, Carlos Zorrinho referiu que “não tenho um acompanhamento de especialidade do processo, mas o que sei é a construção do Hospital foi tida por fases, exatamente para não ficar toda bloqueada num concurso e para se poderem encontrar financiamentos para as várias fases e o que é importante é adjudicar a primeira fase. Se há 25ME prevê-se que uma outra fase possa arrancar e, certamente, em fase sequente e eventualmente há uma terceira fase. Ou seja, é mais fácil fazermos por fases e esse foi o processo que foi considerado. Neste momento, sinceramente, o que mais quero é começar a ver obra. O que já me deixa um pouco «nervoso» é continuarmos apenas a ter papéis. Quero começar a ver obra porque este Hospital é muito importante para o Alentejo e para o país (…)”

O Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa disse que embora o Governo se tenha aproximado da esquerda, não chegará e a Coordenadora do BE, Catarina Martins, diz que poderá ser curto para fazer passar o OE. Na opinião de Carlos Zorrinho, “tudo vai correr bem”.

“Acho que antes de falarmos de crise política, se eventualmente este orçamento que já foi conseguido com a contribuição dos parceiros sociais, se chegámos a este ponto e o orçamento não for aprovado isso é uma enorme irresponsabilidade e eu não vou falar de crise política porque acho que isso levará a uma imediata crise social enorme, porque com o orçamento não aprovado todas as medidas enunciadas ficam paradas e, portanto, ficamos a viver de duodécimos do orçamento anterior que foi um orçamento onde não havia pandemia, portanto, a crise social provocada por um chumbo do orçamento seria tão grande que chumbar o orçamento é uma irresponsabilidade”, refere o eurodeputado.

Questionado se há alguma possibilidade de este ser OE ser aprovado com os votos favoráveis da direita, Carlos Zorrinho respondeu que “os votos favoráveis penso que não, mas poderia haver uma abstenção de última hora. Espero que seja aprovado à esquerda, porque foi sobretudo negociado à esquerda e porque é um orçamento com muita sensibilidade social e com muitas medidas que orgulham a visão progressista da sociedade”.

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