CARLOS ZORRINHO

Comentário semanal, do eurodeputado Carlos Zorrinho, aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 26 Out. 2021

Na revista de imprensa de hoje, dia 26 de outubro, contámos com o habitual comentário habitual do eurodeputado do PS, Carlos Zorrinho. No dia de hoje os temas abordados foram: as negociações sobre o orçamento de estado; e as implicações de um cenário de eleições antecipadas par ao país, neste momento.

 

Questionado sobre o possível divórcio entre o PS e os partidos à esquerda, referiu que “em política nada é definitivo”, porém “houve um casamento, que durante seis anos permitiu que o país fosse governado com estabilidade e que tivesse recuperado, com dificuldades, muito daquilo que foi o processo de empobrecimento, desemprego, até no sentido de tristeza e desistência que o país viveu na governação à direita”. Contudo, “a verdade é que o PS não tem maioria absoluta para governar, para poder aprovar os seus orçamentos precisa ter uma maioria no parlamento e se essa maioria não se verificar – e tudo leva a crer que não se verificará – a democracia tem os seus caminhos e os portugueses serão chamados a pronunciar-se, temos que ver isso com naturalidade democrática”, acrescentou.

 

No que diz respeito às posições de PCP e BE, que têm vindo a perder eleitorado, Carlos Zorrinho diz que aquilo que o choca é “o calculismo tático, político, do PCP e do BE, procurando no fundo, quase que fazendo um jogo entre eles”, sobre “se é o PCP a segunda força ou a força mais relevante na esquerda radical, ou se é o BE” e “enfim, com essa luta entre os dois, esquecem-se que o que está em jogo é o aumento de pensões, é o aumento do salário mínimo, é a redução de vários impostos para a classe média, são as creches gratuitas, é o fator de sustentabilidade nas reformas, é um conjunto de benefícios concretos para as pessoas que de alguma maneira não são colocados na balança, ou melhor, perdem na balança, para outro tipo de análise que é se houver eleições eu vou ficar à frente, ou vou ficar atrás, vou ganhar mais um deputado ou menos um”, sublinha.

 

Voltando ao passado recente, Carlos Zorrinho relembra “o que aconteceu com o PEC IV, o famoso PEC IV, em que também com uma aliança da direita e dos partidos à esquerda derrubaram o governo, depois vivemos quatro anos tremendos de empobrecimento e os partidos que derrubaram o governo do PS também não foram beneficiados nas urnas”, por isso “acho que é um calculismo mau para os portugueses”, desabafa, “mas democraticamente é possível”.

 

Sobre as propostas apresentadas pelo BE e as alegações de que estas não teriam sido aprovadas “na íntegra”, o eurodeputado socialista sublinha que “a questão é o «na íntegra», uma negociação é isso mesmo”. Não havendo maioria absoluta para o PS, o governo vê-se obrigado a negociar e a fazer concessões, explica, e “acho que essas concessões aconteceram”. Contudo “em certa medida o BE, sobretudo, queria que o PS governasse com o programa do BE: ora, o programa do Bloco não tem nem 10% de apoio dos Portugueses e, portanto, não é correto, não é aceitável, nem é justo, que o PS, para viabilizar um orçamento, governasse com o programa do BE”. Pelo que, isso seria “um orçamento alternativo”, que “seria uma traição aos portugueses” que “votaram no PS para fazer um orçamento em articulação com outras forças e foi isso que o PS fez, que “não adotou na íntegra, mas adotou grande parte das medidas e propostas do PCP e do BE”.

 

Em relação à posição perentória do Presidente da República, ao declarar que dissolveria o Parlamento, caso não haja acordo, Carlos Zorrinho diz que este “terá feito aquilo que entende” com base na informação que tem”, porém, “o que é importante nesta crise é que não gangrene”. Isto é, “que prejudique o menos possível o país, a recuperação do país”. Apesar de que “o ideal é mesmo que o orçamento venha a ser aprovado”, mas “se não for, teríamos que recorrer ao PR, porque ele é o guardião das instituições, e é aquele que mais rapidamente nos permitiria ter uma governação sólida”. Sobre se este se precipitou ou não, considera que “o PR normalmente não se precipita”.

 

Sobre a possibilidade de haver uma viragem para o PSD, num cenário de eleições antecipadas, a par da disputa pela liderança do partido, o socialista diz que “a questão interna do PSD, de facto, tem que ser resolvida dentro do PSD”. Par isso, “acho que vão ser muito importantes as sondagens que vão sair nos próximos dias e que vão dizer qual dos dois [candidatos] tem mais hipótese de enfrentar o PS”, ainda assim, “aquilo que eu espero, se houver eleições, é que seja formado um governo estável, um governo sólido e um governo que não abra as portas às forças que lhe não são respeitadoras dos princípios constitucionais, do não-populismo, do não fomento do ódio e do extremismo e radicalismo”.

 

Mediante a possibilidade de demissão de António Costa, o eurodeputado é perentório ao negar essa hipótese, afirmando que “não, um vazio acho que não faz sentido, os mecanismos estão previstos”, e “o modelo de gestão em que isso ficará será definido pelo PR” e “os governos ficam em funções, com as competências que lhes são atribuídas em função das circunstâncias”. Apesar disso, perante todos os projetos de recuperação previstos para serem aplicados de imediato, num cenário de eleições “partimos com seis meses de atraso”, afirma.

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