Comentário semanal do eurodeputado José Gusmão aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 29 maio 2020

O eurodeputado José Gusmão, eleito pelo BE, no seu comentário desta sexta-feira, 29 de maio, abordou aos microfones da Rádio Campanário a proposta do Fundo de Resolução da União Europeia, de 750 mil milhões de euros.

José Gusmão refere que o debate para aprovar esta medida “será muito difícil, embora as últimas declarações proferidas pelo Primeiro-Ministro Holandês são já declarações de recuo, porque basicamente o Grupo dos 4 ficam muito isolados com a proposta Franco-Alemã, alem de que essa proposta já assume grandes concessões por parte dos Países da Coesão (Bulgária, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Grécia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, Portugal, República Checa e Roménia), que irão argumentar, e com razão, que a proposta baixa muito os montantes”.

“O Primeiro-Ministro Italiano já veio dizer que a proposta é insuficiente, o Governo Espanhol chamou uma boa base de trabalho, mas deu a entender que era preciso valores mais significativos. Por isso, na generalidade, os países da Coesão têm o apoio das instituições internacionais, que têm apontado para valores de 1 a 1,5 triliões”, realça o eurodeputado.

O bloquista afirma que o Conselho Europeu “vai haver pressão por parte dos 4 países que se opuseram ao apoio europeu, mas vai haver também oposição de alguns países da Coesão que consideram a proposta insuficiente, e é bem possível que o equilíbrio entre estas duas posições acabe por dar força à proposta que vem da comissão europeia, que corresponde à proposta Franco-Alemã”.

José Gusmão lembra que “Portugal apoiou a proposta espanhola, que do meu ponto de vista, era a melhor proposta, pois permitia ter uma resposta muito forte já em 2020, assim que o período de confinamento terminasse. A proposta era muito ambiciosa e estava alinhada com as estimativas mais credíveis que têm surgido sobre o impacto do PIB nas contas públicas e no conjunto da economia. Só para dar uma ideia, o financiamento que consta na proposta franco alemã cobra cerca de metade do aumento do défice previsto só para 2020, por isso acho que esta proposta um bom ponto de partida, mas é preciso mais”.

O eurodeputado afirma que “há um precedente que é importante, aquilo que a Alemanha e outros países sempre disseram sobre haver uma linha vermelha caiu, ou seja, vai haver mutualização da dívida na União Europeia”. No entanto “há um aspeto preocupante da proposta, porque a UE tinha dado a entender que iria também apresentar um quadro financeiro plurianual previsto refletindo as novas prioridades, e fê-lo, só que as prioridades que beneficiam de financiamento adicional são não a coesão, mas a segurança e a defesa, porque se entende que o Fundo de Recuperação cobra a parte da coesão. Ora isto é um raciocínio errado, porque o Fundo de Recuperação está previsto para 3 anos e o Quadro Financeiro plurianual está previsto para 7 anos”.

Ouça o comentário do eurodeputado José Gusmão na íntegra em baixo:

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