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Comentário semanal do eurodeputado José Gusmão aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 11 Set. 2020

O eurodeputado José Gusmão, eleito pelo BE, no seu comentário desta sexta-feira, 11 de setembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário as medidas tomadas pelo Governo para o Estado de Contingência, as Eleições Presidenciais de 2021 e o Orçamento de Estado (OE) para o próximo ano.

Sobre as medidas apresentadas pelo Governo para o Estado de Contingência em que Portugal vai ficar a partir de 15 de setembro, o bloquista avalia as medidas como “previsíveis”, porque “enfrentando o país algumas novidades do ponto de vista do desconfinamento, por exemplo no que diz respeito às escolas, que eram absolutamente necessárias para que as pessoas possam começar a retomar a sua vida normal e profissional e o encerramento das escolas tinha um facto muito assimétrico do ponto de vista social, havia pessoas que tinham condições para encontrar soluções para os seus filhos e havia pessoas que não as tinham. É muito importante que se retome, na medida do possível, a normalidade tida antes da pandemia. Obviamente isso trará consigo um agravamento dos números, e é importante que se invista no SNS, do ponto de vista dos profissionais e dos equipamentos, para poder dar resposta a um previsível aumento dos números associado a esse retomar, muito parcial da vida normal”.

Relativamente a Portugal continental ter sido de novo excluído do corredor aéreo com Reino Unido, José Gusmão refere que “apesar de tudo, é positivo que o Reino Unido se tenha aguentado no período alto das férias. O que me parece lamentável é que não exista uma abordagem integrada, pelo menos à escala europeia, sobre a forma de lidar com este problema. É evidente que com o Reino Unido é mais difícil, porque já não está na União Europeia, mas a verdade é que mesmo dentro do espaço da União Europeia tem sido cada país por si, com os seus critérios. Nós já fomos colocados em lista negra por países que tinham piores indicadores do que nós em tudo a não ser nos diagnósticos e estes são uma função do número de testes que são realizados. Ainda por cima, este tipo de medidas unilaterais e sem critério acabam por ter efeitos muito perniciosos, porque estando a maior parte dos países a utilizar as estatísticas de contaminados e sendo essas estatísticas muito dependentes da intensidade com que as pessoas estão a ser testadas isto é praticamente um incentivo a que os países não testem, o que é muito prejudicial do ponto de vista do combate à pandemia. Isto precisava de uma abordagem europeia com muito mais critério e que fosse consistente com os compromissos que os estados membros têm com a integridade do Espaço Schengen e tudo isso está muito posto em causa no atual contexto”.

Sobre as eleições presidenciais para 2021 e questionado se Ana Gomes esperava o apoio do BE e sobre o duelo à esquerda entre Ana Gomes e Marisa Matias, o eurodeputado pensa que “neste momento, o facto de haver candidaturas à esquerda na primeira volta serve para mobilizar todo o eleitorado da esquerda nas diversas sensibilidades. O primeiro objetivo da esquerda nestas eleições é conseguir que aconteça uma segunda volta e para que isso aconteça é preciso  que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha a maioria absoluta dos votos. Desse ponto de vista, todos os votos que qualquer dos candidatos à esquerda mobilizar, são votos que contam para esse objetivo. Depois os portugueses decidirão qual dos candidatos à esquerda estará em melhores condições para enfrentar Marcelo numa segunda volta e, naturalmente, estou absolutamente convencido de que os outros candidatos à esquerda que os portugueses não escolherem para ir a uma segunda volta com Marcelo Rebelo de Sousa, apoiarão o candidato que ficar”.

Caso Ana Gomes vá à segunda volta das eleições presidenciais contra Marcelo Rebelo de Sousa, José Gusmão frisa que “sem dúvida” que o BE apoiaria Ana Gomes e “estou convencido que Ana Gomes assumirá o mesmo compromisso em relação a Marisa Matias. Aliás, há cinco anos Ana Gomes disse sobre Marisa Matias que ela seria uma excelente Presidente da República e até por isso eu diria que não existe propriamente um duelo entre Ana Gomes e Marisa Matias, existe uma cooperação. O achado destas eleições presidenciais está no eleitorado socialista. Existe uma indefinição da parte da direção do PS, que eu acho que era bom que tivesse sido evitada, mas não tendo sido, cabe aos vários candidatos da esquerda conseguir mobilizar todo este eleitorado para fazer a diferença nas eleições presidenciais, porque é este eleitorado que vai decidir se vamos ter segunda volta e se Marcelo Rebelo de Sousa irá ganhar. Desse ponto de vista, a pluralidade de candidaturas à esquerda é uma solução melhor para mobilizar todo o eleitorado à esquerda, porque como sabemos a candidatura de Ana Gomes está associada a divergências internas do PS”.

Sobre se o PS apoiará oficialmente a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, o bloquista tem dúvidas: “o próprio Primeiro-Ministro recuou nisso quando viu que membros do Governo tinham reservas em relação às suas posições nas eleições presidenciais. Suspeito que o PS não dará qualquer espécie de orientação, mas, precisamente, porque existe este contexto de indefinição. Estou convencido que uma pluralidade de candidaturas à esquerda mobilizará muito mais eleitorado do que faria uma candidatura única de uma das correntes dentro da esquerda e acho que este é o único caminho que pode levar a um objetivo muito difícil, que é o de obrigar Marcelo Rebelo de Sousa a uma segunda volta e derrotar o candidato da direita”.

Já sobre o Orçamento de Estado (OE) para 2021 e sobre uma aproximação do BE ao PS para acordos para o OE, José Gusmão lembra que “o BE foi a única das três forças políticas que compunham a Geringonça que se mostrou disponível para um novo acordo a seguir às eleições legislativas”.

“Primeiro o PCP colocou-se imediatamente de fora, depois o PS rejeitou uma solução a quatro anos e agora o PCP não se disponibilizou a encontrar-se com o PS para negociar os termos. O que me parece é que o PS tem de compreender que não pode esperar que os outros partidos aceitem que governe com uma maioria absoluta que os portugueses não lhe deram. Portanto, se quer o voto de outras forças políticas para o OE tem de fazer concessões no plano político e o BE apresentou-as publicamente, com toda a transparência no plano da legislação laboral, no plano da política social e no plano da política de saúde e caberá agora ao PS definir esse plano”, diz o eurodeputado.

Questionado se partilha da opinião de que a única forma do BE se “manter à tona da água” é fazer este acordo com o Governo neste OE, dado os últimos resultados, o bloquista enaltece que “o BE teve um excelente resultado nas últimas legislativas e, portanto, manter-se-á à tona da água, se respeitar o mandato que fizeram os eleitores e isso não significa oferecer o seu voto a quem não o teve. O BE está disponível, mas não está à venda e não está em oferta. Não viabilizaremos um OE que não dê resposta à crise económica social que achamos que tem de ser dada. Se isso acontecer o PS decidirá se quer criar uma crise política ou se quer negociar e para negociar há duas partes e tem de haver concessões de dois lados. Naturalmente a proposta de OE será do Governo, que é quem a tem de apresentar, o BE poderá até colocar as suas condições para um voto favorável, mas o PS não pode pretender governar o país com uma maioria absoluta que o país não lhe deu”.

O bloquista termina dizendo que “não pode haver eleições agora mas se o PS, na primeira oportunidade que tiver, provocar uma crise política para exigir aos cidadãos uma maioria absoluta estou convencido que os cidadãos vão voltar a dizer que não, porque estou convencido que não mudaram de ideias desde há uma ano quando não quiseram dar ao PS uma maioria absoluta”. 

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