02 Dez. 2020
Augusta Serrano;
Firmamento da Noite
22:00-04:00
×

Alerta

JUser: :_load: Não foi possível carregar o utilizador com o ID: 64

Comentário semanal do eurodeputado José Gusmão aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 20 Nov. 2020

O eurodeputado José Gusmão, eleito pelo Bloco de Esquerda (BE), no seu comentário desta sexta-feira, 20 de novembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário a descida do Bloco de Esquerda das intenções de voto nas próximas legislativas e a sua correlação com a atitude do partido face ao Orçamento de Estado para 2021; a cooperação do PSD com o CHEGA nos Açores, e também a extensão do Estado de Emergência até Dezembro.

Questionado sobre a descida do Bloco de Esquerda na intenção de voto dos portugueses,para as próximas legislaturas, de acordo com as sondagens do intercampus, o eurodeputado afirma que "o Bloco tem tido flutuações nas sondagens e acho que isso não deve ser o que orienta a atuação politica, quando as sondagens sobem ou descem, o partido deve orientar-se pela defesa dos compromissos que assumiu com as pessoas e na defesa daquilo que considera ser o melhor para o país."

De acordo com a última sondagem da intercampus para o Correio da Manhã e o Jornal de Negócios, relativamente às legislativas, os dados indicam que o PSD teria que reunir não só o CHEGA, como também o CDS e também a IL para conseguir superar o PS nas próximas legislativas. O eurodeputado, face a estas indicações, refere que as "últimas semanas têm sido muito reveladoras" conduzindo o discurso para a situação do PSD e do CHEGA nos Açores. O Dr. José Gusmão, nota que "existe uma transformação completa do discurso político à direita," mais especificamente uma mutação "do discurso político do PSD e da sua direção politica, na sequência do debate que se gerou a partir do acordo com os Açores."

"O acordo com os açores é um acordo muito preocupante," afirma o bloquista, justificando que "é o ataque sem precedentes aos apoios sociais naquela que é a região mais pobre do país." O eurodeputado aponta ainda que "o valor médio de reinserção nos Açores é o mais baixo de todo o país com 88,11 euros por mês. A extrema-direita passa a vida a falar do povo, mas na altura de assumir o poder e as responsabilidades políticas, a primeira coisa que decidem e colocam como condição para apoiar um governo, é ir atacar os mais pobres do povo dos açores. Acho que isso é bastante esclarecedor," remata o bloquista.

Confrontado com a hipótese de terem sido os partidos de esquerda a dar abertura para coligações de direita,como a que se vê nos Açores, quando se formou a "geringonça", o Dr. José Gusmão salienta que "quando o PCP e o Bloco de Esquerda chegaram a um acordo com o PS, é bom ver quais as condições destes dois partidos. As condições eram a restituição dos cortes salariais que tinham sido impostos durante o período da Troika; o reinvestimento em serviços essenciais como a saúde e a educação; e uma politica generalizada de devolução de rendimentos aos portugueses. Se na direita portuguesa, há quem ache, que este programa é comparável ao programa do CHEGA, que é de um racismo assumido, de uma descriminação de minorias, da castração química, do debate sobre a pena de morte, de propostas de retirar os ovários às mulheres que abortam, isto diz mais sobre a direita do que sobre a esquerda ou sobre o partido socialista."

O eurodeputado faz uma comparação entre o Partido de Angela Merkel na Alemanha e o PSD, onde enaltece as ações da chanceler alemã ao dissociar-se da extrma-direita mesmo "que perdesse o governo daquela província para não abrir o precedente de uma aliança com a extrema-direita," explica. O eurodeputado finaliza o tema afirmando que "a Angela Merkel sabe que, onde a direita democrática abriu a porta à extrema-direita, acabou absorvida pelo discurso e pela agenda da mesma, como já se está a ver com Rui Rio." 

Confrontado, de novo, acerca da descida nas sondagens do Bloco de Esquerda e a possível despopularização do voto no partido estar correlacionado com a difícil posição do Bloco em aprovar o Orçamento de Estado para 2021, o eurodeputado afirma que "é muito possível, também porque a questão do debate orçamental é um tema central. É natural que as flutuações nas sondagens tenham em conta as posições que os partidos foram assumindo no debate."

No entanto, o bloquista reafirma que "nós achamos que este orçamento não responde à crise sanitária e à crise económica de Portugal"."Se, de facto, esta descida significativa nas sondagens do BE se deveu a um desacordo por uma parte dos nossos eleitores com a nossa posição para o orçamento. O Bloco não se pode guiar por sondagens. Se nós consideramos que este orçamento não serve o país, então a nossa posição tem que ser a que foi. O BE existe e foi ganhando força e confiança junto dos portugueses por haver gente que reconhece ao Bloco firmeza na defesa das suas convicções," defende José Gusmão.

Questionado acerca da posição do Bloco de Esquerda em relação à especialidade, "nós centramos as negociações com o PS nas questões da saúde, na da legislação do trabalho e o conjunto de questões relacionadas com a recuperação económica. E, portanto, nós prescindimos de todas as outras propostas da especialidade que poderíamos fazer, porque queremos reduzir as nossas reivindicações em sede orçamental ao mínimo necessário para aprovar o orçamento de estado," esclarece o eurodeputado.

Referente à questão do Bloco ter chumbado o Orçamento de Estado 2021 por não concordar com a canalização dos fundos para o setor privado da Saúde, o bloquista esclarece a sua posição. "O que sabemos hoje é que grande parte da despesa adicional em saúde vai ser canalizada para a saúde privada, e, portanto, nós vamos ter uma trágica ironia. O SNS foi a instituição que respondeu e protegeu a saúde e a vida dos portugueses no contexto desta pandemia, e que agora vai sair enfraquecido desta pandemia, quando existem fundos financeiros da Europa para que o pudéssemos refortalecer, e pelo contrário, vai haver uma chuva de milhões sobre a saúde privada que quando a pandemia começou, o setor desertou em combate. Nós, neste momento, temos recursos que nos permitem ter uma resposta forte à crise sanitária, e nós achamos que quem tem condições para fazer isso é o Serviço Nacional de Saúde, explica o Dr. José Gusmão.

Numa última questão ao eurodeputado, eleito pelo Bloco de Esquerda, questionou-se a posição do partido acerca da renovação do Estado de Emergência e as restrições impostas. O eurodeputado salienta que "o problema é que as restrições têm que ser acompanhadas de apoios e de medidas que devem ser vistas como igualitárias. Aqui acho que há uma enorme desigualdade no tipo de apoios que está a ser dado. Nós temos milhares de empresas com dificuldades e que apenas estão a pedir apoios que a sua atividade não seja destruída enquanto essas restrições são impostas."

Em contrapartida, e reforçando o seu ponto de vista acerca dos apoios ao setor de saúde privado, "temos, ao mesmo tempo, setores que não só não é pedido nenhum sacrifício, como ainda estão a fazer negócio à custa desta crise. O Estado de Emergência que foi decretado, incluia a requisição de todas as instalações e profissionais de saúde privado. Em vez de estarmos a requisitar esses profissionais através de uma requisição civil, o que estamos a fazer é a contratar a saúde privada a preços de extorsão, que sairão caríssimos ao contribuinte e que vão drenar recursos financeiros que deviam estar a ser canalizados para o SNS," finaliza o eurodeputado.

 

Veja também...

Histórico de Notícias

« Dezembro 2020 »
Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31