Comentário semanal do eurodeputado José Gusmão aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 26 Nov. 2021

Na Revista de Imprensa desta sexta-feira, dia 26 de novembro, contámos com o comentário do eurodeputado José Gusmão do Bloco de Esquerda. Onde comentou as medidas anunciadas pelo governo face à subida de casos de covid-19, as carências do SNS e a transição energética no país.

Sobre as medidas de restrição determinadas na passada quinta-feira, pelo Conselho de Ministros, diz que “é importante perceber que nesta fase da Pandemia em que Portugal conseguiu níveis extraordinários de vacinação, graças ao SNS e ao civismo das pessoas, nós já não estamos tanto a monitorizar o número de casos, mas sim de internamentos e a pressão que estes trazem para o SNS”.

Além disso, “o período das festas, como todos sabemos é um período que, mesmo sem Pandemia, já provoca uma pressão sobre o SNS considerável e que tem que ser combinada com o que tem sido os números dos internamentos”. Por isso “parece-me bem que se introduzam medidas que de alguma forma atrasem a progressão do contágio”.

Por outro lado, “o contexto português não é comparável ao de outros países, que têm taxas de vacinação muito mais baixas”, diz José Gusmão. E por isso “há um discurso da presidente da EU responsabilizando os movimentos negacionistas por esta nova vaga”.

Ainda assim, “o que me parece lamentável, é que não se tome também as medidas que já se teve tempo e recursos para tomar, de reforço do SNS”, e por isso “as declarações da Ministra da Saúde foram profundamente infelizes, estamos a fazer de uma crítica velada à classe médica e aos outros profissionais de saúde, aos enfermeiros, aos auxiliares, que têm suportado níveis inaceitáveis de horas extraordinárias”.

José Gusmão sublinha também, que “muitas das boas respostas que conseguimos dar à Pandemia devem-se à capacidade de sacrifício desses profissionais” e “merecem mais do que ralhetes da Ministra”. Portanto, ao pedir desculpas “acho que fez bem”.

Mas “na realidade, o que o SNS precisa é de mais do que um pedido de desculpas, é de mais profissionais”, sendo que “as razões para não conseguir captar mais profissionais estão bem definidas e claras e têm a ver com a possibilidade de ter carreias nos SNS”. O que “implica o estado volte a abrir vagas em exclusividade, nomeadamente para os médicos” e assim “disputar os médicos ao setor privado”, e ao mesmo tempo “dar autonomia às autoridades que compõem o SNS para poder responder às suas necessidades”, em alguns casos “muito adiadas”, aponta o deputado do BE.

Questionado sobre se isso poderia resolver os problemas de escassez de médicos no Alentejo, José Gusmão sublinha que “estão a ficar vagas por preencher em todo o país, não é só no interior”, pelo que o BE fez propostas “no sentido de criar incentivos adicionais para os médicos que vão trabalhar para zonas que não são tão procuradas”, como “apoios de rendimento, fornecendo habitação”, entre “outros fatores de incentivo, para que os médicos trabalhem nessas regiões”.

No que diz respeito ao fim da produção da energia de carvão em Portugal, o deputado bloquista diz que “se deve aproveitar o Fundo para a Transição Justa, para assegurar que o desinvestimento em todo o setor das energias fósseis se faz com a reintegração desses trabalhadores em novos contextos profissionais”.

No entanto, “tenho visto com alguma preocupação a condução deste processo”. Isto é, “nós concordamos com a medida em si”, pois “parece ser o espírito de primeiro encerra-se e depois logo se vê o que é se faz, quer do ponto de vista dos trabalhadores, quer do ponto de vista dos trabalhadores, quer do ponto de vista da energia que ainda era assegurada por essas vias”.

“O que me parece que estar a falhar é um plano claramente definido para as pessoas que vão perder o emprego nesse processo e um plano de investimento muito mais robusto nas energias renováveis”, uma vez que “nós devemos promover a transição energética, mas isso não serve para nada se for para nós continuarmos a importar energia com fontes fósseis do exterior”, aponta José Gusmão.

“Isto só serve para alguma coisa se for substituído por um investimento em produção de energia renovável, que crie emprego que está a ser destruído”, pois “se vamos deixar fechar centrais a carvão para ir buscar eletricidade produzida com combustíveis fósseis a carvão noutros sítios do mundo não estamos a promover transição energética nenhuma”, aponta.

Questionado sobre a possibilidade e isso implicar no aumento de preços, o deputado do BE diz que “a nossa dependência em relação a reservas fósseis no exterior é um fator de vulnerabilidade no ponto de vista da dinâmica dos preços”.

“Nós estamos dependentes de um oligopólio das gasolineiras, que está atualmente a promover concertadamente um aumento das suas próprias margens brutas”, e por isso “nos EUA o presidente Joe Biden já veio dizer que isso é inaceitável e já tomou medidas, mobilizando as reservas dos EUA em combustíveis fósseis”, mas “nós não temos essa capacidade”.

Apesar disso “temos sim a capacidade de investir num recurso que são as energias renováveis” o que “permitiria ter muito mais controlo sobre a dinâmica dos preços”, aponta José Gusmão, que “esse é um caminho que já tínhamos seguido, mas que foi interrompido pelas políticas da Troika”.

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