Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 25 Jun. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 4 de junho, abordou aos microfones da Rádio Campanário a evolução da pandemia COVID-19 em Portugal.

Sobre os números alarmantes da pandemia em Portugal nos últimos tempos, o eurodeputado salienta que “o desconfinamento tinha de ser responsável, ou seja, significa que não se podia passar do Estado de Emergência para o comportamento normal que tínhamos antes da pandemia, porque o vírus continua presente”, afirmando mesmo que “o pior dos exemplos do desconfinamento vem de quem manda - do Presidente da República, do Primeiro-Ministro e do Presidente da Assembleia da República, porque no início do desconfinamento, quando se tinha de dizer às pessoas para serem prudentes e para continuarem a cumprir as normas de segurança e higiene e ter cuidado com os mais idosos, prestaram-se com a comunicação social atrás a pensar nos votos, porque na política os votos contam muito, a ir para o Campo Pequeno, no meio de duas mil pessoas, e volto a insistir, no pior exemplo pedagógico. Se os Governantes podem, passando a expressão, «enfiar» no Campo Pequeno no meio de tanta gente, porque é que as outras pessoas não poderão ir às suas festividades, a concertos ou a Centros Comerciais? Foi um exemplo terrível”.

Nuno Melo faz um contraponto desta situação com “o sentido responsável da noite de S. João, no Porto: foram as próprias pessoas, que voluntariamente e respondendo ao apelo das autarquias de Gaia, que é socialista, e do Porto, prescindiram das festividades que estão enraizadas nas cidades, a pensar na COVID-19. E depois há outro facto muito grave: recordo de uma notícia desastrada da TVI que dava conta que quando no início o Norte tinha mais casos de infeção, isto devia-se ao facto de a população daquela região ser mais ignorante e menos formada, o que foi ridículo. Agora acontece que o epicentro do “terramoto” está em Lisboa e Vale do Tejo. Portanto parece que a ignorância rumou toda para sul e não rumou. Ora o vírus não conhece fronteiras e regiões e o que aconteceu no Sul, com este caso do concerto onde os mais altos cargos do Estado estiveram presentes, com o 1º de Maio, juntando curiosamente pessoas de concelhos onde hoje há mais casos de infeção, com as pessoas jovens irresponsavelmente na praia”. Para o centrista “isto é uma das causas para o que hoje faz com que Portugal seja muito mal avaliado na Europa, não possamos entrar em muitos países e porque pior que Portugal em número de casos só a Suécia.

Apesar do aumento significativo do número de casos de COVID-19, Portugal continua a ser dos países com menos óbitos. Mas o eurodeputado explica que “há uma razão que está mais ou menos cientificamente explicada e que está a ser estudada. É que os países onde há menos mortes foram onde houve campanhas nacionais de vacina BCG. Houve um momento em que os países ditos de Terceiro Mundo tinham campanhas contra a Tuberculose, porque era preciso preveni-la e Portugal, desde o tempo do Estado Novo tinha BCG. Em Portugal, essa campanha acabou nos anos 2000 porque entendeu se que Portugal já estava no “Primeiro Mundo” e acabou-se com a BCG. Curiosamente estão se a fazer testes na Alemanha, porque estatisticamente os países onde a vacina contra a Tuberculose foi ministrada a toda a população tem menos mortes, porque a tuberculose também acontece nos pulmões e vias respiratórias e a resposta imunitária parece ser melhor nos povos que receberam a BCG do que nos outros e isso é mérito de todos aqueles que optaram por esta imunização coletiva”.

O eurodeputado refere que é muito grave “pensar que só acontece aos mais velhos e por isso não tem mal, parece levar os jovens a esquecer que por acaso os mais velhos podem ser os nossos pais e avós. Uma conduta irresponsável dos mais jovens equivale a dizer que não quero saber dos nossos familiares”.

Questionado se há dificuldade no equilíbrio em conter o vírus e avançar com a economia, Nuno Melo sublinha que “no momento em que o vírus existe e não há vacina, estamos no verão mas vem aí o outono e inverno e nessas estações a COVID-19 tem condições ótimas para, infelizmente, transformar em mais uma tragédia, no meio termo é que está a resolução. Ou seja, abrir a economia, mas com comportamentos responsáveis dos cidadãos. Isso equivale a usarmos máscara no trabalho, não irmos a concertos como fez o Primeiro-Ministro e o Presidente da República, não nos metermos no meio de duas mil pessoas em espaços fechados ou abertos, evitar grandes ajuntamentos e festas durante o curto espaço de tempo, à escala da humanidade, necessário para encontrar uma vacina, porque só quando a vacina estiver disponível é que podemos retomar o ritmo normal. Mas, neste momento, isso não é possível. É bom desconfinar, senão a economia morre, mas temos de desconfinar com maneiras, mas isso já depende de cada um”.

Se estamos perante uma segunda vaga da COVID-19, o centrista diz que “há quem entenda que no caso de Lisboa e Vale do Tejo já poderá ser uma segunda vaga. Eu acho que, não sendo médico nem tendo dados, noto uma relação direta com o que acontece em Lisboa e o comportamento que foi público de ajuntamentos de pessoas. O presidente da República nunca deveria ter ido ao Campo Pequeno e aquele espetáculo não devia ter acontecido”.

Se é o momento certo para retomar os espetáculos culturais a partir de 1 de julho, Nuno Melo acha “francamente que não. Nós tivemos uma pedagogia no início de toda esta crise de informar a população dos hábitos adequados e também ficámos a saber que o vírus se transmite também através de objetos. Portanto muita gente num só espaço não invalida que as pessoas que possam estar contaminadas toquem nas cadeiras, nas maçanetas das portas nesses espaços que são simultaneamente usados por milhares de pessoas. Há condições ideias para a propagação do vírus, que só não acontece realmente se estiverem afastadas e, portanto, não tem que haver um isolamento absoluto, mas tem que haver uma grande prudência, porque não é com emoção que se combate uma pandemia, mas sim com razão. E por isso as pessoas não devem estar em festas ou ajuntamentos. Têm de ser responsáveis e terem espírito de sacrifício até que haja uma vacina”. 

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