Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 23 Jul. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 23 de julho, abordou aos microfones da Rádio Campanário o acordo alcançado pelos líderes dos países membros da União Europeia (UE) para o próximo Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação da economia para superar a crise criada pela COVID-19, em Portugal irá receber cerca de 45 mil milhões de euros, o Aeroporto de Beja e a construção do Aeroporto de Montijo e as eleições presidenciais de 2021.

Sobre o acordo alcançado pelos líderes do países-membros da UE, Nuno Melo frisa que “acabou por ser um acordo muito importante, que ajudou a salvar esta ideia de solidariedade europeia, num quadro de pandemia que não afetou de forma igual todos os países. Estamos a falar de muito dinheiro, 45 mil milhões, dos quais grande parte a fundo perdido. Eu diria que é uma boa notícia para Portugal, mas é, principalmente, um bom sinal da Europa, porque sem solidariedade nos momentos difíceis, este projeto não faz sentido”.

Questionado se caso o acordo não tivesse sido alcançado a UE desmoronaria, para o Eurodeputado “depois do Brexit, a União Europeia está mais ou menos ligada à máquina”, admitindo que “poderia ter havido um plano mais intransigente que deixasse muito menos margem aos Estados e que não tivesse em conta todas as nossas diferenças. Mas também é importante percebermos outra coisa: Portugal, ao longo da sua história, viu chegar muito dinheiro e nós temos de pensar um pouco para além do dinheiro que entra. Tentar refletir porque é que já entrou tanto dinheiro em Portugal e nós continuamos na cauda da Europa, até porque beneficiamos de fundos de coesão que se destinam a ajudar países com mais dificuldades. Mas os anos passam e nós continuamos na mesma. Portanto, não se trata apenas de ter dinheiro para «tapar buracos», nós neste momento temos de utilizar bem este dinheiro para, estruturalmente redesenhar o país, alterar o nosso modelo de desenvolvimento, criar melhor emprego e mais bem pago. Se a UE não for capaz de combater as desfrutações de mercado fazendo face ao damping que esmaga salários e que faz com que as empresas encerrem porque não são capazes de competir com nações emergentes, a começar na China, grande parte da UE não terá como superar as suas dificuldades. Não basta entrar dinheiro, temos de ser competitivos”.

Sobre as declarações do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que afirmou que “este dinheiro é de todos nós e a consulta deve ser alargada aos portugueses”, Nuno Melo refere que “não concordo nada”, pois “acho que o dinheiro é de todos nós, mas as decisões devem ser tomadas por quem realmente tem competência e capacidade, para além do imediatismo da política e do que fica bem. Espero que os ouvidos, não sejam apenas os que pensam para onde pode ir dinheiro para ajudar a empresa amiga, esquecendo que há um conjunto de pessoas e um país que tem de sair daqui muito forte. Espero que ouçam quem tem capacidade. Pôr os melhores de Portugal, os mais capazes a serem ouvidos, até porque temos aqui uma dívida gigantesca, que é o nosso grande entrave. Espero que o Governo tenha a capacidade de chamar os melhores, independentemente dos partidos, e nem precisam de ser só dos partidos, temos pessoas extraordinárias nas nossas universidades, nas nossas empresas, pessoas que podem ajudar”.

Relativamente à construção do Aeroporto de Montijo, o centrista disse apenas que “devem ser os melhores a decidir sobre assuntos que são muito técnicos. A questão é: numa decisão destas, tento socorrer-me daquilo que são os pareceres técnicos e há vários entraves que são levantados em relação ao Montijo. À partida deve ter que ser a lei alterada por questões ambientais, mas não só. Sinceramente não lhe sei dizer se é a melhor solução, mas parece-me que Lisboa tem de ter uma melhor solução, porque aquele aeroporto está sobrecarregado, já não dá resposta, mas não sei se Montijo será a melhor solução. Resta-me saber se há outra solução exequível. Portela+1 sempre foi uma solução que me agradou, mas acho que devem ser as pessoas tecnicamente mais habilitadas a ajudar a encontrar a solução final. Eu, pessoalmente, acho que podíamos potenciar mais o aeroporto de Beja. Quem viaja na Europa sabe que de Beja a Lisboa a distância é muito curta. Há aeroportos principais em muitos países da Europa e do mundo que estão a distâncias equivalentes, às vezes muito maiores da distância de Beja a Lisboa, e por isso acho que investimos tanto em Beja que podia realmente ser uma solução muito mais barata”. O eurodeputado deixa ainda elogios ao Aeroporto de Beja, dizendo que “é um aeroporto extraordinário que podia ser muito melhor potenciado e muito melhor utilizado”.

Já sobre as sondagens que dão uma vitória expressiva a Marcelo Rebelo de Sousa - 70%- e questionado se já é altura de o atual presidente da República dizer se é recandidato, Nuno Melo não tem dúvidas que “evidentemente é recandidato”. Sobre se terá o apoio do CDS, na opinião do centrista, “neste momento o CDS tem uma competição difícil à direita, no sentido em que apareceram novos protagonistas, como o Iniciativa Liberal e o Chega. Sabemos que o André Ventura vai ser candidato presidencial e não votarei nele, como é evidente. Mas acho importante que o CDS tivesse um candidato seu, porque de outra forma, um partido que está a emergir é o Chega, com o seu presidente a candidato, vai nesta discussão eleitoral, que é relevante e mediática, aglutinar aquilo que é uma realidade à direita, onde o CDS não estará. Eu sou dos que acha que o CDS é o que o Chega nunca será, mas, aparentemente, o Chega neste momento teria mais votos que o CDS”.

Nuno Melo esclarece que está apenas “a constatar sondagens”, em relação ao Chega ter mais votos do que o CDS, e que “as sondagens nos últimos anos têm-se aproximado mais dos resultados do que me aconteceu, por exemplo, em 2009. As sondagens não são resultados, mas temos de ter em conta os sinais que nos dão: um partido à direita do CDS a crescer e o CDS em dificuldades” e deseja que “que este novo líder [Francisco Rodrigues dos Santos] tenha o melhor resultado para o CDS, pois o sucesso deste líder significa o sucesso do partido”.

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