11 Ago. 2020
Augusta Serrano
Notícias
17:00-19:30

Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 30 Jul. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 30 de julho, abordou aos microfones da Rádio Campanário a polémica em torno da venda de imóveis a metade do preço pelo Novo Banco, o novo regime que substitui o lay-off e a situação política do CDS-PP.

Nuno Melo classifica o Novo Banco como “mais um caso que ilustra a completa impunidade e até falta de vergonha da atividade bancária, que já foi uma atividade de pessoas de bem”. Segundo o eurodeputado, “era suposto que desde o escândalo do BPN alguma coisa mudasse em Portugal. Mas, não só não mudou, como os que beneficiaram do sistema e foram capitalizados em milhares de milhões de euros, com dinheiro dos contribuintes, equivalente a dizer com parcelas do nosso trabalho, continuaram a ser objeto de uma atividade imoral, em alguns casos ilícita, em que alguns, sinal da falta de sentido ético e moral dos nossos tempos, sentem o direito de se apropriar de coisa alheia”.

Para o centrista o que acontece no Novo Banco “é só mais um triste exemplo desta realidade, em que as autoridades do Estado não funcionam ou funcionam mal e não supervisionam. É um sintoma da falha absoluta do sistema judicial, em que não se vê sanções dignas que mostrem à sociedade que quem assim se comporta, paga por isso. Até pelo contrário, às vezes com o beneplácito do próprio Estado, entidades que têm a tutela dentro, como contrapartida da própria resolução e da injeção de capital, estão submetidos a obrigações que estão submetidas que a banca privada normalmente não tem, permitem-se a isto. E isso também aconteceu na Caixa Geral de Depósitos, com nomeações de pessoas como Armando Vara para administrador do Banco e sabemos como o tempo da governação de José Sócrates permitiu que no Banco do Estado milhares de milhões também desaparecessem e lá fomos, mais uma vez, capitalizar um banco”.

Sobre o novo regime aprovado pelo Governo que substitui o atual regime de lay-off simplificado, em que a partir de agosto apenas as empresas encerradas por obrigações legais podem aceder a este mecanismo e para todas as outras empresas com quebras de faturação de pelo menos 40% a suspensão de contratos de trabalho passa a estar excluída, o eurodeputado diz que “estamos perante um dos casos em que eu não condeno propriamente o Governo nesta medida. As consequências da COVID-19 são terríveis para qualquer Governo, porque os recursos são limitados e as decisões são muito difíceis, porque enquanto temos que dar o apoio aos desempregados, continuamos a ter grandes dificuldades no Serviço Nacional de Saúde, nos transportes na educação, em tudo aquilo que é fundamental para que uma sociedade funcione normalmente. Os recursos são muito limitados e o desemprego vai ser uma inevitabilidade. A nossa esperança aqui, parece-me, está em encontrar uma vacina ou uma cura num prazo razoavelmente curto, até ao início do próximo ano, porque de outra forma teremos nesta situação uma purga permanente de recursos que não existem”.

Relativamente à situação política atual, Nuno Melo sublinha que “vivemos já um imenso Bloco Central. Ouvíamos o Primeiro-Ministro no Parlamento a fazer um apelo ao BE e ao PCP para encontrar soluções à esquerda, quando sabe, do essencial das decisões do Governo, grande parte do PSD vota ao lado do PS e por seu lado tem o Presidente da República em concílio. E nisto temos quase uma situação monocromática da política, que é muito asfixiante. E quando assim é, partidos como o CDS são muito importantes”.

O eurodeputado explica ainda “se o André Ventura tivesse vencido as últimas eleições autárquicas, era um autarca do PSD. Não tinha nada a ver com o CDS. O André Ventura foi candidato a presidente de Câmara apoiado pelo PSD e não do CDS. Portanto a ligação que tentam fazer do Ventura ao CDS é um bocadinho abusiva e já ninguém se lembra da ligação dele ao PSD”. Nuno Melo lembra que “antes de existir o partido Chega, o CDS já cá estava há muito. O CDS é um dos partidos fundadores da democracia. (…) No caso do André Ventura, o facto é que ele foi candidato do PSD e se tivesse vencido as eleições autárquicas, hoje era um presidente PSD. Isto para dizer que, esta viragem que faz é, para mim, grandemente artificial e instrumental. Há ali um nicho político onde ele pode ir a votos e recriou-se à margem daquele nicho para ocupar aquele espaço político, porque se ele se comportasse assim quando foi escolhido pelo PSD, não era candidato à Câmara. Toda a comunicação esforça-se por ligar o CDS ao Chega e qualquer coisa que saia do mainstream, dizem que é o CDS a copiar o Chega, como se o CDS não estivesse cá muito antes”.

Questionado se nas próximas eleições o grande rival do CDS será o Chega, o centrista refere que “neste momento o Chega está a entrar em grande parte do eleitorado do CDS naturalmente naquilo que é o discurso mais conservador. Por exemplo, quando o André Ventura foi a Borba por causa da agressão aos Bombeiros e estava lá uma grande quantidade de pessoas, acha que essas pessoas são de extrema direita? Não. São pessoas que querem respostas concretas para problemas concretos. E percebem que o essencial do sistema político vive de fachada e só pensa nos votos não lhes dá. E quando aparece alguém que agarra esses temas, tem o apoio das pessoas, porque estão há muito tempo a pedir respostas e não as têm do sistema”.

Sobre a atual presidência do CDS, o eurodeputado salienta que “o Francisco Rodrigues dos Santos é presidente num dos momentos mais difíceis da nossa história partidária, porque tem de ser presidente de um partido concorrendo à direita com partidos que não existiam. É muito difícil encontrar um discurso certo para combater tudo isto. Compreendo que a gestão do partido é hoje muito difícil. E a nossa obrigação, independentemente do líder é tentar ajudá-lo ou pelo menos não criar ruído. E eu quero ser com o Francisco aquilo que eles não foram com a Assunção nos seus últimos tempos de governação. Eu quero ajudar o Francisco no que possa ou pelo menos não criar ruido que o prejudique e desejar que o CDS se mantenha enquanto partido porque o CDS é um partido muito importante da democracia, que representa a direita democrática, tolerante, conservadora. E se o CDS desaparece, sendo ocupado por outras pessoas que não têm estes alicerces democráticos, que transformam a direita numa coisa rígida, que Portugal não precisa, é mau para o sistema democrático. As sondagens dizem-no [Chega à frente do CDS]. Isto tem de ser combatido com uma boa dose, difícil de encontrar, de ideias que não descaracterizem o CDS e carisma de uma liderança”.

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