05 Dez. 2020
Augusta Serrano;
Firmamento da Noite
00:00-04:00
×

Alerta

JUser: :_load: Não foi possível carregar o utilizador com o ID: 64

Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 10 Set. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 10 de setembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário o aumento do número de novos casos em Portugal e na Europa, o regresso às aulas, o Orçamento de Estado para 2021 e as Eleições Presidências do próximo ano.

Questionado se os portugueses aprenderam com a fase inicial da pandemia, o eurodeputado pensa que “não aprendemos nada e, infelizmente, pessoas muito irresponsáveis durante o período de férias garantirão que a transmissão da doença seja muito superior ao que poderia acontecer neste fim de férias”.

Nuno Melo conta que durante as férias testemunhou “grupos de jovens, contados às centenas, que durante a noite enchiam as lancheiras de bebidas alcoólicas e iam para os parques de estacionamento de zonas de praia ou para montanhas e faziam festas até às 07h00, metendo os vídeos nas redes sociais, com todos aos abraços e aos beijos, sendo que muitos deles tinham pessoas idosas em casa ou com doenças oncológicas ou de particular risco”.

Na opinião do centrista, “alguma juventude comportou-se de forma muito egoísta e hedonista – egoísta por apenas pensar em si próprio e porque pensam que esta doença apenas afeta os mais velhos, mas não pensem que estes mais velhos podem ser os pais ou os avós, e hedonista porque vivem apenas para o prazer imediato e perderam muito o sentido comunitário que todos devemos ter”.

“Nós devemos começar a pensar nos outros e em alguns grupos houve quem acusasse positivo para a COVID-19 e esses infetados, naturalmente no regresso ás aulas, vão contaminar colegas, pais e professores. E isto é trágico e ajuda a explicar muito o que se está a suceder e nisso também devemos reconhecer que não há de ser responsabilidade nem do Governo nem das autoridades se as pessoas não colaborarem”, disse o eurodeputado.

Para Nuno Melo, “existe uma falta de sentido de responsabilidade particularmente por parte dos jovens, porque interiorizaram que a COVID-19 não os afetaria. E não estamos a falar de pessoas iletradas ou que não tenham acesso à informação, mas sim de pessoas que têm acesso e que têm uma obrigação particular, porque estamos a falar de futuros licenciados, que estarão no mercado de trabalho e que poderão exercer cargos políticos e estão a dar um sinal muito preocupante em relação ao seu sentido comunitário. Eu percebo que estejamos todos cansados de estarmos em cada em confinamento”.

Sobre o regresso às aulas, Nuno Melo alertou que há “um grande número de escolas do nosso país que não tem condições para cumprir as diretrizes de controlo desta pandemia, desde logo em relação às distâncias. São muitas as escolas que dizem que não conseguirão assegurar a distância entre os alunos, porque as salas são exíguas e acolhem um elevado número de alunos, os profissionais de ensino são os que são e isso dificulta muito, sabendo que a transmissibilidade do vírus se facilita a uma distância inferior a dois metros”.

“É impossível, desde logo no pré-escolar e nos primeiros anos de ensino, que as crianças não se vão abraçar, não se vão tocar ou ter manifestações de afeto. Sabemos que aí sim não é um ato exatamente racional. Têm saudades dos colegas e dos amigos e isso traduz uma preocupação grande, mas com a qual teremos de lidar, o que dependerá também da evolução da doença e do número de casos que podem forçar a um novo confinamento”, refere o centrista.

Apesar de o Primeiro-Ministro já ter dito que um novo confinamento está fora de hipóteses, Nuno Melo referiu que “há uma linha vermelha à qual o próprio Primeiro-Ministro temerá, porque é uma questão de racionalidade básica, que é a capacidade de os Cuidados Intensivos dos Hospitais acomodarem as pessoas com doenças graves, porque tivemos felizmente nos primeiros meses deste ano uma demonstração de que os nossos hospitais conseguiram resolver os problemas graves. Todas as camas, todos os equipamentos respiratórios assistidos não ficaram lotados, como aconteceu, por exemplo, em Itália onde os médicos tiveram de escolher quem ia morrer e quem ia viver. Tudo dependerá da evolução da pandemia”.

Relativamente ao Orçamento de Estado para 2021 e questionado se o CDS-PP está “fora da jogada”, o centrista salientou “o CDS tem tido extraordinários grupos parlamentares, que têm sempre apresentado as suas propostas para o Orçamento de Estado, que serão validadas ou não, consoante a vontade própria do Governo, que estrategicamente se desloca à esquerda mas pragmaticamente tem conseguido com o PSD acordos fundamentais, como o acordo em relação ás CCDR´s, que eu considero muito trágico e perverso”.

“António Costa pode dizer que não haverá um Bloco Central formal, mas em matéria de distribuição do "bolo", esse Bloco Central vai funcionando onde pode. E depois há a questão cénica e pragmática de quem quer dar sinais ao eleitorado que com António Costa vinha uma estratégia à esquerda e daí o apelo que fez, que é um apelo quase trágico, de dizer “atenção PCP e BE que o que está em causa é uma perda de poder que desde 2015 tem garantido ao espaço aquilo que foi chamado de “Geringonça” o exercício do poder em Portugal e que cada um lá foi ocupando o seu espaço. Esta repartição de poder, que é importante e que traduz a influência da sociedade, pode acabar e a dramatização desse cenário é feita por António Costa, que eu acho que no final acabará por ter essa aprovação à esquerda”, disse o Eurodeputado.

No fim, Nuno Melo fez uma leitura dos pré-candidatos já conhecidos: “Eu diria que, se tivermos em conta que as Presidenciais são fundamentalmente impulsos individuais de vontade, Marcelo Rebelo de Sousa levará grande vantagem. Nós percebemos a sua enorme popularidade mas agora há dados novos na equação – Ana Gomes é uma pedra neste xadrez vai dividir o Partido Socialista e por outro lado enfraquecerá aquilo que seria uma potencial candidatura do BE, com Marisa Matias, que sem Ana Gomes recolheria muito desta esquerda mais intelectual e contestatária, já que as candidaturas apresentadas pelo PCP são normalmente muito orgânicas, ou seja, tem nas candidaturas uma expressão coletiva e não essa lógica individual”.

O eurodeputado enalteceu ainda que “Ana Gomes vem esvaziar parte do eleitorado de Marcelo Rebelo de Sousa e de algum eleitorado que iria votar em Marisa Matias. Depois temos André Ventura, que vai capitalizar muito do descontentamento, sendo o único candidato de uma área política à direita de Marcelo Rebelo de Sousa e também vai capitalizar muito do descontentamento do centro-direita que está descontente com o atual Chefe de Estado, que acham que este foi um braço amigo do Governo”.

Questionado se Ana Gomes terá ficado desiludida por Marisa Matias ter apresentado candidatura, na opinião do centrista “Ana Gomes apoiou nas últimas Eleições Europeias, manifestamente, Marisa Matias, com a expetativa desse apoio. Mas não o teve, porque por um lado Marisa Matias tem o seu ego e as últimas presidências deram-lhe estatuto e o BE teve nessas eleições um instrumento relevante político de estar na discussão. Não acho que Ana Gomes vá vencer as Presidenciais, mas vai buscar eleitorado à esquerda e à direita e Marisa Matias terá talvez o pior resultado, mas veremos”.

Sobre a posição CDS, Nuno Melo frisou que “nas circunstâncias atuais, o tempo não joga propriamente a favor do CDS. Por isso, se Marcelo Rebelo de Sousa avançar para uma recandidatura, e isto é uma intuição minha, o CDS acabará por apoiar Marcelo Rebelo de Sousa”.

Veja também...

Histórico de Notícias

« Dezembro 2020 »
Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31