Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 17 Set. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 17 de setembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário o momento difícil que o CDS atravessa, as recentes remodelações no Governo e o défice orçamental no primeiro semestre de 2020.

Sobre o momento delicado que o CDS atravessa, Nuno Melo afirma que “o CDS é e será sempre o meu partido. É um partido fundador da democracia portuguesa, que tradicionalmente tem excelentes grupos parlamentares, com desempenhos que estão registados ao longo do tempo e, em diferentes legislaturas na oposição como no Governo, com pessoas que o país reconhece”.

O eurodeputado salienta que o partido deu ao país “autarcas, ministros, deputados europeus e quando falamos no CDS falamos de um partido estruturalmente democrático, que vive focado nessa ideia de contribuir para Portugal, com os seus quadros e com o seu ideário – um partido personalista, humanista e democrata-cristão”.

O democrata-cristão deseja que o CDS “se reencontre, que evite conflitos internos, que supere este momento muito difícil, que foi muito conjuntural e até estrutural, se tivermos em conta que à direita tudo se transformou porque há novos partidos que surgem e dividem eleitorado e, tal qual disse no último Congresso, da minha boca não sairá nada que possa dividir ou para criar maus momentos ao CDS, que já o vive manifestamente”.

Questionado sobre a sua opinião deste momento atual do CDS, Nuno Melo apenas disse que “a minha opinião tem consequências no momento difícil do partido e eu prefiro ser água na fervura em vez de gasolina na fogueira. E a minha opinião não será divulgada em praça pública, mas sim nos órgãos próprios do partido, com recato”.

“O que eu espero é que no CDS todos os momentos difíceis se ultrapassem e que, principalmente o eleitorado seja capaz de perceber que o CDS é um partido fundamental”, refere o centrista.

Questionado se há militantes magoados por não se ter candidatado à liderança do partido, Nuno Melo salienta que “ninguém tem de ficar zangado se alguém entende que não tem reunidas as condições para ser candidato à presidência do CDS. Há muita gente que vive com a ambição de ser presidente, mas se eu algum dia sentir esse apelo, candidato-me. Mas nunca senti esse apelo e ninguém tem de levar a mal”.

Já relativamente às remodelações no Governo português, em que o Primeiro-Ministro, em plena pandemia, mudou cinco secretários de Estado abrangendo Educação, Saúde, Infraestruturas e Mar, Nuno Melo considera uma remodelação “que tem muito de cénico”.

O democrata-cristão diz que “temos de ter em noção que qualquer Governo, nestas circunstâncias de pandemia, vive um ciclo muito difícil, porque a pandemia que enfrentamos é terrível e muito difícil de combater e também vamos entrar numa fase de Inverno, em que desde logo os sintomas da COVID-19 são confundíveis com muitas outras doenças, como uma simples gripe. Só isso já dá para perceber o impacto que pode ter nas suspeitas de tantas centenas de milhar de pessoas no Serviço Nacional de Saúde. Naturalmente, o número de casos positivos também vai aumentar, a economia vai sofrer e, portanto, neste ciclo difícil, o Primeiro-Ministro quer ter um «golpe de asa» e preparar uma mini-remodelação, que eu acredito que lhe queira dar maior eficácia do Governo”.

Nuno Melo frisou ainda que os problemas do setor da saúde “não são de hoje, mas sim de há muito tempo. Este Governo nunca se preocupou particularmente com a saúde, porque não investiu no setor e, ao contrário do anterior, tem aumentado largamente o calote do Serviço Nacional de Saúde [SNS], desde logo perante fornecedores. Até o SNS não pode viver com o dinheiro dos outros sem pagar e é muito o que tem acontecido com este Governo”.

“Este é o Governo que, na antevisão desta crise provocada pelo novo coronavírus, não investiu o que devia nos Hospitais, quando o Ministro Augusto Santos Silva dizia, em meados de fevereiro e março, que Portugal estava preparadíssimo, mas afinal não estava nada preparado”, lembra o eurodeputado.

Na opinião do centrista, neste momento “não haverá dinheiro que a curto prazo resolva o problema. É nos Orçamentos e nas medidas que se vai ver se realmente o Governo investe. O setor precisa de profissionais de saúde – médicos e enfermeiros, mas que não sejam escravos, mas sim que sejam pagos razoavelmente (já não digo suficientemente), e depois precisa de funcionar nos mercados com lealdade, o que significa comprar mercadorias, medicamentos, equipamentos e pagar, coisa que este Governo não faz”.

Por fim, sobre o Défice Orçamental, em que UTAO aponta para 5,8%, inferior aos 6,3% estimados pelo Governo, em que menor despesa com medidas de combate à pandemia, nomeadamente o lay-off, justifica a diferença, Nuno Melo diz que “o problema do desemprego é real e eu não sei que o Governo podia gastar mais ou gastar menos. O que eu vou dizer é polémico, mas certamente muitos de nós conhecem pessoas ou empresários que estiveram a receber prestações do Estado estando a trabalhar, ou seja, houve quem nesta crise, sabendo que os recursos são escassos, aproveitasse do Estado”.

O centrista refere ainda que “em relação ao Governo, também a esse nível, nós nunca teremos recursos suficientes para as necessidades do país. Essa é uma dificuldade que nós devemos reconhecer e que qualquer Governo enfrentará. Mas chamava a atenção para outro aspeto e que tem a ver com a contração da economia. Portugal é neste momento o quarto país da UE com pior impacto na sua economia, por causa desta crise provocada pelo novo coronavírus. E este é um dado geral muito relevante, pois, por exemplo no Norte do país, onde muita indústria está sediada, conheço empresários e trabalhadores que comentam que já começam a escassear as encomendas”, alerta o eurodeputado, justificando que isto tem a ver com a situação no mercado à escala global, nomeadamente no Mercado Interno da União Europeia, que é um grande mercado mas que neste momento está a retrair e vai ter muitas consequências”.

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