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Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 29 Out. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 29 de outubro, abordou aos microfones da Rádio Campanário o Orçamento de Estado (OE) para 2021 e as medidas decretadas pelo Governo para o combate à pandemia COVID-19.

O Orçamento de Estado para 2021 foi viabilizado esta quarta-feira (dia 28), com as abstenções do PCP, PAN e PEV e das deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e com os votos contra do PSD, CDS, IL, CHEGA e Bloco de Esquerda, o único partido à esquerda a votar contra este OE, contrariando a opinião do eurodeputado do CDS no último comentário semanal, que afirmou que não tinha dúvida de que o OE para 2021 iria ser aprovado “com o voto favorável do BE”.

Sobre o sentido de voto do BE neste OE para 2021, Nuno Melo quer crer que “foi a exceção que confirma a regra, porque nós levamos desde 2015 com um histórico de encenações sucessivas e depois o BE viabiliza”. De acordo com o eurodeputado, “parece-me, mais ou menos, crível que pesou o tacticismo” porque “o BE percebeu que o OE seria na generalidade aprovado de qualquer forma, tendo em conta aquilo que seria o sentido de voto do PCP (…) e tendo em conta o PAN, que tem sempre um posicionamento ao lado de António Costa. A dúvida maior, francamente, seriam as duas deputadas não-inscritas, mas talvez por isso o BE optou por esta «nota de força» para fazer «prova de vida»”.

O eurodeputado crê ainda que “provavelmente, o Governo teria informações que nós não temos em relação ao sentido de voto destas deputadas [não-inscritas], antes mesmo deste braço-de-ferro com o BE”, sublinhando que o Primeiro-Ministro “é um hábil negociante” e que “normalmente não dá ponto sem nó nesta coisa da política e sobre isso só podemos fazer as nossas conjeturas e as nossas suposições, mas eu acredito que o Primeiro-Ministro fosse tendo o feedback da votação previsível, quer à esquerda, quer das deputadas não-inscritas”.

O debate sobre o Orçamento de Estado para 2021 ficou marcada pela forte discussão e troca-de-palavras entre o PS e o BE. Questionado se ficou uma ferida aberta entre os dois partidos, o ex-dirigente do CDS conta que “revi há dias um vídeo com umas declarações de António Costa, no programa Circulatura do Quadrado em que ele criticava o BE– dizia que o BE era tudo aquilo que na política não pode existir. E a verdade é que pouco tempo depois «geringonçou» e o BE passou a ser «namorada de percurso»”.

Nuno Melo não tem dúvidas de que “se em algum momento intuírem que a direita pode lá chegar [ao poder], lhe garanto que se juntam todos para votar ao lado de António Costa”.

Já questionado se seria catastrófico se o OE para 2021 fosse chumbado, pois poderia gerar uma eventual crise política, o eurodeputado salienta que “se tivéssemos em 2015, dir-lhe-ia que achava que os Orçamentos deveriam chumbar, pois António Costa estava a fazer, o que eu entendi, uma matança política. Aí sim, seria um voto honesto, nessa altura”.

“Neste momento, António Costa ganhou as eleições e tem uma maioria parlamentar à esquerda. A estabilidade política é importante para Portugal, mas o que é suposto é que essa maioria seja feita e conseguida. Apesar de tudo, foi conseguida. (…) Nestas circunstâncias em que António Costa tratou mal o PSD, e o CDS nem conta, não esperaria certamente os votos do PSD, mas é suposto que neste percurso, em que depois de António Costa ganhar eleições, opte por essas maiorias à esquerda. E tendo essa maioria à esquerda, é importante ter estabilidade governativa e está legitimado para governar. Mas se, por algum momento, o Governo cair, aí teremos de estar todos preparados para ir a votos”, disse Nuno Melo.

O Primeiro-Ministro marcou para este sábado Conselho de Ministros extraordinário para definir novas "ações imediatas" para o controlo da pandemia da COVID-19 em Portugal. Sobre as medidas já aplicadas pelo Governo para o combate ao novo coronavírus e questionado se as que irão ser tomadas este sábado pecam por tardia, na opinião do ex-dirigente do CDS “acho que é melhor ser restritivo e mais exigente no início, evitando males maiores mais tarde, do que andar sempre atrás da bondade de no início de não querendo assumir os factos e depois mais tarde as medidas têm que ser muito mais exigentes do que seria suposto. E nós temos andando assim desde o início”. Para Nuno Melo, “o facto é que, durante o verão, o país baixou a guarda e o Governo facilitou na linguagem e justificou que muitas pessoas baixassem a guarda”.

“Houve decisões absolutamente inacreditáveis que fizeram com que as pessoas questionassem «se eles podem, porque é que nós não podemos?». Houve eventos com muita gente, sem que a DGS parecesse muito interessada no assunto. As pessoas baixaram a guarda e o resultado está à vista”, frisa o eurodeputado.

Nuno Melo afirma que não é possível voltar a confinar o país, porque “a economia iria ser fortemente prejudicada e para a vida das famílias, que têm de viver e de ter um salário, isso seria trágico. Tem que se arranjar um «meio-termo», e é melhor alcançar isso já do que mais tarde. (…) Há decisões que se podem tomar, que ao mesmo tempo podem diminuir o impacto junto do emprego e das empresas e combatendo a pandemia”.

O ex-dirigente do CDS não tem dúvidas de que “esta coisa de sempre ir atrás do prejuízo é um bocadinho complicada e há medidas que vão ter de ser mais radicais, porque está completamente descontrolada a situação em Portugal, como está em alguns países da Europa, como em França e Bélgica. Temos que ter medidas mais fortes, porque está à vista que as que temos não são as suficientes”.

O eurodeputado teme que os hospitais atinjam o limite da capacidade, evocando “o triste exemplo de Itália durante a primeira vaga da COVID-19 e a trágica realidade dos médicos que eram forçados a escolher sobre quem ia viver e quem ia morrer, porque os ventiladores não eram suficientes e a situação era caótica”.

“A capacidade de receber doentes é a «linha vermelha», porque não tivermos ventiladores para toda a gente, será uma situação muito trágica”, alertou.

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