“Em política as coisas mudam tão depressa que não convém que as forças políticas se deixem amarrar pelo longo prazo” (c/som)

Publicado em Revista de Imprensa 02 outubro, 2018

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, dia 02 de outubro, começou por falar da entrevista de António Costa, onde este revelou não querer “casar” com os partidos da “geringonça”, bem como das opções para o próximo Orçamento de Estado e as reivindicações dos professores.

Sobre a entrevista e as declarações de António Costa que diz que “dá para sermos amigos, mas não dá para casar” com o PCP e o BE, Carlos Zorrinho considera que esta “foi uma entrevista muito profunda em que foram tocadas praticamente todas as questões essenciais da governação” e ao mesmo tempo “muito direta”. Por outro lado, refere que “o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, não têm o mesmo programa, não têm os mesmos fundamentos ideológicos, mas têm e juntaram-se com um objetivo muito importante”, o de “procurar reverter uma política de empobrecimento” que “foi posta em prática pelo governo anterior”.

Porém, “isso não fez com que os partidos perdessem a sua identidade”, pelo que “é importante, com estas diferentes identidades, podermos cooperar”, mas “o casamento é uma coisa que normalmente se faz uma perspetiva mais de longo prazo” e “em política as coisas mudam tão depressa que não convém que as forças políticas se deixem amarrar pelo longo prazo”.

Ainda assim, questionado se a opção do PS em termos de acordos pós-eleitorais passaria por uma aliança à direita, Carlos Zorrinho refere que ainda “é muito cedo para fazer esse tipo de projeções” e que, por outro lado, “as maiorias absolutas não se pedem”.

No que diz respeito às medidas avançadas por António Costa, para o Orçamento de Estado para 2019 e o consenso com o Presidente da República sobre a nomeação da nova Procuradora Geral da República, o eurodeputado socialista sublinha que “é muito importante que se mantenha a excelente convivência estratégica entre o Primeiro-ministro, o Governo e a Presidência da República”, pois assim “aumenta-se a confiança e o potencial da nossa economia”, bem como “a perspetiva e a reputação externa de Portugal que nos ajuda em muitas circunstâncias”.

Já sobre o orçamento, Carlos Zorrinho admite que “é preciso fazer escolhas”, isto “porque no final o orçamento tem que ser equilibrado”.

Questionado sobre os efeitos e motivações da greve dos professores que durante o dia de hoje incidiu sobre o distrito de Évora, o socialista começou por afirmar que, “em última análise” e enquanto professor do ensino superior, “sou solidário com os meus colegas professores”. Contudo, “parece-me que já está mais ou menos claro que o governo foi até onde podia ir”.

Tendo em conta os 600 milhões de euros que custaria o descongelamento de 9 anos, quatro meses e dois dias, exigido pelos professores, Carlos Zorrinho explica que nesse cenário o governo “teria que escolher, a que outras áreas da função pública, que outros profissionais iria reduzir rendimentos”. No seu entender, chegados ao final da atual legislatura, o que mais importa é que “em média, os portugueses vivem melhor e o país está melhor”.

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