16 novembro, 2018
Augusta Serrano
Ecos da Planura
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“Estamos a eleger demasiados malucos no mundo inteiro”, o que “é uma situação que me preocupa” (c/som)

Publicado em Revista de Imprensa 29 outubro, 2018

O deputado António Costa da Silva, eleito pelo círculo de Évora do PSD à Assembleia da República, no seu comentário desta segunda-feira, dia 29 de outubro de 2018, começou por comentar a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil, dizendo que “esta é uma eleição que de certa forma era previsível”, isto “tendo em contas as sondagens e as dinâmicas próprias que estávamos verificando daquilo que estava a acontecer no Brasil”. Ainda assim, explica que na sua opinião “ao contrário de muita gente que defende que foi a democracia a funcionar, é verdade, mas o Brasil acabou de eleger um presidente de extrema-direita” e “quando eu vejo alguém da extrema-esquerda ou da extrema-direita a ser eleito eu normalmente fico muito preocupado, porque normalmente os resultados que daí advêm não são muito positivos”.

Como por exemplo, avança, “no caso da extrema-esquerda, da Venezuela, vizinho do Brasil, temos outras extremas-direitas que foram eleitas pelo mundo fora”, sendo que “os resultados normalmente não são muito bons, quer em termos sociais e nas dinâmicas próprias do Estado de Direito e do Estado Democrático, normalmente vimos grande parte das liberdades, pelo menos, no mínimo, limitadas”. Por isso, confessa estar “com pouca espectativa em relação ao Brasil”.

“Este alastrar das extremas direitas e esquerdas pelo mundo fora, preocupa-me imenso”, pois “significa que estamos a eleger, permitam-me a expressão, demasiados malucos no mundo inteiro para aquilo que o mundo propriamente necessita”.

António Costa diz que estes resultados são fruto de “irresponsabilidade social” e “muita roubalheira” de outros partidos moderados, pelo que “o resultado final é o resultado do desespero”, pois “as pessoas deixam de acreditar” ao mesmo tempo que “vamos tendo aquelas famosas ditaduras das minorias e depois os resultados que temos é que são eleitas estas pessoas”.

Já sobre o discurso de vitória de Jair Bolsonaro, que recorreu a uma oração prévia, António Costa da Silva diz que “misturar política com religião, é um erro muito grave”, até porque “uma coisa são os valores”, que “devem estar numa sociedade”, já “outra coisa é associar o mundo da política ao mundo da igreja, são coisas completamente diferentes, realidades completamente diferentes”. Mas, “o discurso, ainda assim, apesar disso, ainda foi das coisas mais sensatas que ele disse nos últimos tempos”, pois “estamos a falar de um homem que defende armas para toda a gente” e que se promove como “um homem de guerra”, por isso “preocupa-me algumas afirmações sobre as raças, sobre a escolha das opções sexuais, sobre um conjunto de matérias que têm a ver com algumas liberdades, que são individuais, mas que ele não respeita e isso preocupa-me imenso”, além de ser “uma postura que foi demasiado aceite”.

No que diz respeito às notícias falsas, que dominaram grande parte desta campanha eleitoral, António Costa da Silva afirmou que “para mim não há fake news: há notícias e há mentiras”, afirmando que aquilo que circula nas redes sociais “são mentiras a tentar enganar as pessoas”, ao mesmo tempo que essa “é uma realidade com que nos vamos ter que habituar”. Porém, “tem que haver mais regulamentação sobre ela, mas também mais acompanhamento daquilo que está a acontecer”.

Por fim, a última notícia comentada pelo deputado social-democrata, foi a decisão do governo em ocultar as subvenções vitalícias dos políticos, onde António Costa da Silva considera que “é o tipo de notícia” e “o tipo de aldrabice que o governo faz que leva a com que as pessoas desacreditem mais na política e depois nesse contexto, aparecem os tais populistas, os tais extremistas”. Questionado sobre o facto de o PSD não ter ainda denunciado a situação, o deputado refere que “é uma informação recente”, mas enquanto social-democrata diz “manifestar abertamente a minha posição sobre um assunto que me parece vergonhoso”.

António Costa da Silva considera que “esta falta de transparência que permanentemente existe” é que “faz desacreditar a própria política, faz desacreditar os próprios políticos e os partidos que deviam ser os mais sensatos”, pois “a transparência na política é fundamental”.

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