“Não se pode colocar em causa o direito dos trabalhadores, mas também não se pode colocar em causa a viabilidade global do país” (c/som)

Revista de Imprensa 09 Jul. 2019

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, dia 9 de julho, abordou aos microfones da Rádio Campanário os resultados das eleições na Grécia e ainda o anúncio da greve dos motoristas de matérias pesadas para o próximo mês de agosto.

Relativamente ás eleições gregas, Carlos Zorrinho, começa por referir que “a situação da Grécia não é fácil”, justificando tal facto com “o Syriza não teve uma governação tão europeia quanto isso, o Syriza promoveu um referendo sobre a não aceitação da TROIKA, não obstante os gregos terem votado contra a entrada da Troika acabaram por ter de cumprir o plano”.

O eurodeputado considera que “existiu algum desgaste da governação do Syriza”, não deixando de referir que “a Grécia tem um sistema muito particular de eleição, se fosse em Portugal não tinha obtido maioria, mas na Grécia quem chega na frente tem um bónus de 50 deputados”.

A alternância entre um partido mais de esquerda e agora um partido mais centrista “é normal”, levando Carlos Zorrinho a considerar que esse facto “reforça as posições mais conservadoras na união europeia”, acrescentando que “neste momento temos 9 governos conservadores, 7 governos socialistas, 7 governos liberais, tudo isto demonstra o grande desafio que vão ser os próximos 5 anos na Europa”.

Questionado pela RC sobre quais as ilações que se podem tirar da derrota do Syriza, partido que crítico das políticas europeias, o eurodeputado refere que “não obstante daquilo que sofreu o povo grego, motivado também por uma governação não tão capaz como a que tivemos em Portugal nos últimos tempos, 40% votou na nova democracia que é um partido pró europeu, 30% votou no Syriza que é um partido crítico, 10% votou no antigo partido socialista, ou seja 80% dos gregos claramente fizerem opções pró europeias”, o que para Carlos Zorrinho “não dá nenhum espaço para a extrema direita ou para as posições radicais anti europeias”.

Por fim, Carlos Zorrinho refere que “quem governa pelas bases europeias acaba por não ter grandes resultados junto dos cidadãos”, o que leva o eurodeputado a considerar que “o grande desafio é mudar as políticas desde as próprias instituições europeias”.

Relativamente ao anúncio de greve por parte dos motoristas de matérias pesadas para o próximo mês de agosto, o eurodeputado considera que “o governo terá que se preparar de uma forma diferente daquela que aconteceu antes, pois foi apanhado desprevenido”.

Carlos Zorrinho refere que “o direito da greve é inalienável, temos de ter consciência que se geram sindicatos que não têm um contexto institucional como no passado”. Para o eurodeputado nos dias que correm existem “sindicatos muito verticais que apresentam capacidade de para o país, obviamente que tem de existir uma estratégia para lidar com estas situações”.

O eurodeputado considera que “não podemos colocar em causa o direito dos trabalhadores em se manifestarem, mas também não se pode colocar em causa a viabilidade global do país”.

Para Carlos Zorrinho “terá que existir bom senso para que se tomem as medidas necessárias, aliás elas estão previstas na lei, por forma a que se mantenham os dois direitos”.

    

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