“Não tinha ficado mal a António Costa reconhecer que parte dos números com que procura engalanar-se resulta de propostas do PCP” (c/som)

Publicado em Revista de Imprensa 18 setembro, 2019

O deputado João Oliveira, eleito pelo círculo de Évora da CDU à Assembleia da República, no seu comentário desta quarta-feira, 18 de setembro, abordou a campanha eleitoral para o próximo dia 6 de outubro, as médias de acesso ao ensino superior e a eliminação da carne de vaca das cantinas da Universidade de Coimbra.

No que respeita à campanha eleitoral, João Oliveira começou por comentar o debate televisivo entre António Costa (PS) e Rui Rio (PSD), considerando que “houve alguns aspetos daquele debate que são muito difíceis de compreender”, confessando que não percebe como “uma discussão política acaba enredado numa discussão de números, sem tratar daquilo que verdadeiramente diz respeito às pessoas”. Para o comunista “a vida das pessoas não se faz de bombardeamentos de números”, por isso considera que ter sido “um debate um bocado estéril”.

Questionado sobre as propostas com as quais a CDU mais se identificou, o parlamentar afirma que “nem com umas nem com outras”, mas confrontado com a opinião de cada candidato sobre o SNS diz que “é um facto que Rui Rio não tem razão, porque o investimento que foi feito na saúde recuperou quase 2 mil milhões de euros de cortes que tinham sido feitos pelo anterior Governo no SNS”. No entanto, entre recuperações e investimentos na saúde, João Oliveira afirma que o país está “muito longe do país cor-de-rosa e daquilo que os números bombardeados pelo primeiro-ministro significam”.

Quanto à Dívida Pública, um dos pontos quentes do debate, o parlamentar frisa que “estamos muito longe daquilo que precisávamos de ter”, e relembra que houve um elemento que nenhum dos candidatos mencionou: “é que todos os anos saem do Orçamento de Estado 7 mil milhões de euros para pagar juros da dívida”. Nesse sentido, João Oliveira aponta que “estamos a desperdiçar 7 mil milhões de euros que podiam ser utilizados de outra forma se a dívida fosse renegociada”.

Para o comunista, o problema da dívida “está muito longe de estar ultrapassado”, embora “tenha saído um bocado da atenção mediática ainda é um problema que continua a pesar muito nas nossas cabeças”. Questionado sobre propostas para resolução do problema, João Oliveira relembra que “houve até um grupo de trabalho constituído onde foram discutidas várias hipóteses de solução do problema” e que na opinião dos comunistas “nunca tivemos discordância com as soluções que o Governo apontou mas sempre dissemos que elas eram insuficientes”.

No que respeita ao assunto relacionado com a carga fiscal, João Oliveira considera que “foi a questão em que a resposta do primeiro-ministro mais ficou a dever aquilo que podia ter sido desmontado no discurso do PSD”. O comunista frisa que os sociais-democratas “continuam a insistir na questão da maior carga fiscal de sempre”, e responde com que ela existe “porque há mais contribuições para a Segurança Social, algo que não é negativo”.

Ainda sobre a matéria fiscal, João Oliveira frisa que houve “opções de justiça fiscal” através de propostas do PCP, onde por exemplo “a alteração nas taxas do IRS significou menos 2 mil milhões de euros de impostos sobre o trabalho” ou a redução na restauração que “significou menos 700 milhões de euros de IVA pago pelas pessoas”, mas ao mesmo tempo “as empresas com lucro acima de 35 milhões “foram obrigadas a pagar mais IRC”. Por isso “não tinha ficado mal a António Costa reconhecer que parte dos números com que procura engalanar-se resulta das propostas do PCP”.

Acerca das médias de colocações no ensino superior, as mais altas desde 2012, o deputado João Oliveira afirma que “é um dos grandes contrassensos que temos no país, é que os professores apesar de serem muito mal tratados pelos Governos vão cumprindo o melhor que podem a sua missão”, refletido nas notas dos alunos. Ainda assim, o parlamentar relembra que existe um conjunto de alunos com boas notas “que ainda assim ficam afastados da universidade, alguns casos porque as famílias não têm recursos económicos e outros porque o número de vagas está muito longe das necessidades do país”.

Ainda no ensino superior, em que a Universidade de Coimbra que eliminou carne de vaca das cantinas, João Oliveira diz que “medidas que vão atrás de modas de forma completamente irrefletida não são boas medidas”. Para o parlamentar a medida resulta de “irracionalidade e falta de reflexão que é completamente inconcebível”, uma vez que a produção agropecuária “depende essencialmente de produção ode pastagens e não de rações”.

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