Protestos e greves são “um sinal de vitalidade desses sectores e de descontentamento” (c/som)

Publicado em Revista de Imprensa 02 novembro, 2018

O membro do Bloco de Esquerda (BE) Romão Ramos apresentou hoje, dia 26 de outubro, no seu espaço de comentário à sexta-feira, a sua visão acerca da aprovação do Orçamento de Estado (OE) para 2019, com o voto favorável do BE, tendo terminado com forte contestação da oposição, o bloquista considera que os comportamentos de agitação dos deputados do PSD e CDS revelam “a sua desilusão por quatro anos consecutivos de anúncio da vida do diabo e que as coisas não iriam decorrer como inicialmente foram previstas e como eram expectáveis que corressem com esta maioria”, mas “estamos a começar a assistir ao fim de uma legislatura inédita”.

Romão Ramos sublinha ainda o período desta legislatura “foram anos de devolução de rendimentos, de direitos, da construção de um país que economicamente está neste momento mais saudável”. Por outro lado, afirma, “penso que a maioria da população (…) fará um balanço positivo das suas vidas e de melhoras concretas na sua vida quotidiana”.

Ainda com a aprovação deste OE “o BE conseguiu aprovar um conjunto de medidas e comprometeu o governo com um conjunto de medidas que nos pareciam importantes constar neste OE”. Sobre as propostas que foram rejeitadas pelo governo, Romão Ramos diz o partido tem agora “um mês para, no debate da especialidade, conseguir aumentar esse número de propostas do BE, para ver se algumas delas conseguem passar”.

O bloquista firma ainda que “há um balanço geral, destes quatro anos, bastante positivo” da legislatura, uma vez que “havia um compromisso, também nosso, para com a população, de aguentar este governo por quatro anos” e “foi assim que aconteceu”.

Questionado sobre a possibilidade de continuar a suportar o governo por mais um mandato, Romão Ramos responde que “vamos ver”, uma vez que “nós partimos para este quadro com uma força do BE de 10% dos votos e de uma bancada de nove deputados” e “foi com essa força que conseguimos negociar com o PS”, mas “para o próximo ano, em setembro ou outubro do próximo ano haverá novas eleições legislativas” e aí “veremos que força é que a população portuguesa entende dar ao BE”.

Relativamente ao facto de terem existido mais greves nesta legislatura do que na anterior, diz que “é um sinal de robusteza da nossa democracia”, pois após o “boom de contestação social, de movimentação social, de grandes manifestações na rua, que chegaram a ser superiores a um milhão de pessoas” para “contestar o governo” e “medidas do governo” de Passos Coelho, quando se “percebeu que Cavaco Silva nunca deixaria cair esse governo, mesmo com um pedido de demissão de Passos Coelho (…) houve um momento de estagnação dos movimentos sociais”.

Porém, apesar da “espectativa da população e de vários sectores profissionais, de que muitas coisas voltassem a momentos anteriores ao governo da Direita” no início da atual legislatura, “o que aconteceu foi que este governo demorou muito ou ainda não respondeu a vários sectores profissionais” e por isso “eles estão na rua, legitimamente, a lutar pelos seus direitos”, que “têm tido, esmagadoramente, o apoio do BE”.

O que “é um sinal de vitalidade desses sectores e de descontentamento”, porque “foram setores profissionais que esperavam que este governo do PS fizesse mais por cada uma das suas carreiras”. Isto “porque, um novo governo, com um novo apoio de partidos à Esquerda, era espectável que essas alterações acontecessem de uma forma mais célere e fossem mais robustas”.

Por fim, sobre a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil, que garantiu já a inclusão do juiz Sérgio Moro como Ministro da Justiça, Romão Ramos diz que “fica claro que a destituição, quer da Presidente Dilma Rousseff, quer a prisão, sem provas concretas do Presidente Lula da Silva, foram um golpe antecipado por parte de uma elite política e económica brasileira, para alcançar este objetivo”.

Ou seja, “para a eleição de um governo de matriz fascista, apologista de uma ditadura que tenta branquear a antiga ditadura dos generais brasileiros”, ao mesmo tempo que “vai escolher agora para este superministério Sérgio Moro, que fica desde já muito fragilizado”, ao ingressar num governo “que tem no seu programa medidas como a instalação de uma nova ditadura, de uma ampla distribuição de armas pela população” e do qual “já vamos assistindo a algumas medidas” como “uma deputada do PSL, partido de Bolsonaro, que fez circular um post instigar os alunos a fotografarem ou a filmarem declarações de professores na segunda-feira contra aquela eleição”.

“Aquele grande bloco de mais de 45 milhões de pessoas que votou na candidatura de Fernando Haddad e de Manuela D’Ávila, vão tentar neste momento, juntamente com todos os outros partidos, formar um bloco democrático nas instituições brasileiras, de resistência a esta avalanche de medidas proto-fascistas que o Brasil ainda muito recentemente viveu”, acrescenta.

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