“Se os bombeiros dizem que não foram ouvidos nesta regulamentação, antes de irem para a greve, deveriam ter sido ouvidos” (c/som)

Publicado em Revista de Imprensa 04 dezembro, 2018

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, dia 04 de dezembro, começou por abordar as diversas greves marcadas durante esta legislatura, em especial a agora anunciada pelos Bombeiros Profissionais, para depois se debruçar sobre as previsões do estudo a OCDE sobre as reformas portuguesas, para terminar a comentar as declarações de António Costa acerca do peso da Cultura no OE2019.

Sobre a convocação de greve dos Bombeiros Profissionais a partir de dia 19 de dezembro até dia 2 de janeiro, em protesto contra as propostas de regulação do regime de aposentações do setor, Carlos Zorrinho reafirma uma vez mais “que isto é um Estado Democrático a funcionar”. Sublinhando que “acabámos de aprovar o quarto orçamento de uma legislatura”, sendo que até agora “não tiveram nenhum orçamento retificativo” e “com uma gestão de recursos muito rigorosa”.

Por isso, “é óbvio que as pessoas compreenderam, e ainda bem que compreenderam, que o país começou a ter alguma capacidade de respirar”, motivo pelo qual “as pessoas puderam começar a reivindicar aquilo que consideram justo”.

Por outro lado, “se afetássemos tudo a todos” e “corrigíssemos de um momento para o outro todas as injustiças que as várias instituições consideram que existem, então certamente, todo o contexto que permite essa reivindicação iria de novo para trás”, ao mesmo tempo “voltaríamos a ter anos como aqueles anos de 2011, 2012 e 2013, em que ninguém fazia greves, em que toda a gente andava cabisbaixo”. Uma altura, “em que todos os anos se cortava mais nos rendimentos, as pessoas iam para o estrangeiro e não havia emprego”, refere.

“Se os bombeiros dizem que não foram ouvidos nesta regulamentação, talvez antes de irem para a greve, deveriam eventualmente ter sido ouvidos”, afirma Carlos Zorrinho, defendendo que “também é preciso haver aqui uma capacidade de negociação”.

Ao mesmo tempo, o eurodeputado socialista, refere que durante esta legislatura, “houve uma capacidade muito importante de no início da formação deste governo, ter sido feito um acordo escrito com outras forças políticas, que tinha pontos muito concretos”. Pelo que, “foram esses pontos que pouco a pouco foram cumpridos”, como “a reposição dos rendimentos, as apostas nas reformas que era necessário fazer”.

Já sobre o relatório da OCDE, cujas manchetes desta terça-feira afirmavam que as reformas afirmavam que as novas reformas perderiam 26%, Carlos Zorrinho, refere que apesar das preocupações inerentes à inversão da pirâmide contributiva, não podemos saber “o que é que vai acontecer daqui a 40 anos”, pois “não sei como é que vai ser o mercado de trabalho”.

“É bom termos essas previsões, é bom termos a ideia de que se não tivermos mais filhos, se não criarmos mais valor, se não começarmos se calhar a taxar o valor acrescentado e não apenas o trabalho, vamos ter problemas com as reformas”. Conduto, “para já, não é para quem se vai reformar amanhã, é para quem começou a trabalhar agora”.

Sobre as afirmações do Primeiro-ministro, António Costa, sobre o peso do Orçamento para a Cultura, que afinal é de 0,65% e não 1% do Orçamento Geral para 2019, Carlos Zorrinho começou por salvaguardar que “os números não sei”, até porque “há muitas maneiras de fazer contas”. Porém, “a verdade é que há um sinal importante, que é o sinal de reforço no investimento na Cultura”.

Por outro lado, “nós também temos que começar a ter uma exigência qualitativa”, isto é, “o que é que é feito com esse dinheiro”, essa deve ser a questão no seu entender, mais do que as metas percentuais. Ainda assim, “devemos, quem sabe, por exemplo, ter esse debate na prospeção das próximas eleições, quanto é que cada partido entende que deve ser investido nos vários sectores e em quê”, referiu Carlos Zorrinho.

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