O preço do azeite disparou em todo o mundo e tornou-se um dos grandes problemas nos orçamentos dos portugueses sobretudo porque em Portugal a nossa cozinha o azeite é um dos ingredientes principais. Nos últimos anos, a subida histórica de preços, fez com que passasse a ser designado de “ouro líquido”.
As condições meteorológicas não foram favoráveis à última campanha da azeitona que se traduziu em menos quantidade levando, inevitavelmente, a uma subida dos preços.
Manuel Macareno, produtor de azeite na Freguesia de Pardais, concelho de Vila Viçosa, em entrevista à Rádio Campanário falou sobre os elevados preços do azeite e de onde vem esta escalada de preços.
Este produtor de azeite marcou presença na Feira de Santa Catarina à moda antiga realizada em Pardais no passado sábado . Na banca que lhe foi atribuída Manuel vendia um garrafão de azeite de 5 litros por 50 euros. Quem compra acha muito, quem vende acha pouco.
Explica-nos que a campanha de 2024 “correu mal” pois a azeitona estragou-se toda. Acabou por não ser colhida “uma vez que estava seca.” Sobre o preço do azeite nos dias de hoje, o produtor, já com uma vasta experiência na área, entende que “é sempre muito para quem paga.” Manuel Macareno vai mais longe. Na sua opinião, as perspetivas, especialmente no norte do País, de baixar o preço deste líquido “podem não se revelar rentáveis para o setor.”
Para Manuel Macareno o azeite chegou a estes preços “exorbitantes” muito por conta da crise e muito por conta dos Espanhóis que, sem azeitona, levaram a estes aumentos”. De olhos postos no futuro, Manuel Macareno mostra-se céptico no que diz respeito à próxima campanha pois, na verdade, e na sua opinião “é o tempo que manda”.
Com o Natal à porta e onde o bacalhau é o prato principal, uma iguaria que requer um bom azeite, perpetiva-se , no entendimento do maior produtor mundial de azeite, que possam existir reduções significativas no preço deste líquido. Os preços estão a cair desde abril, mas os produtores já avisaram que não voltarão aos valores de há dois anos.
De acordo com os dados revelados pela Deco proteste , a 5 de janeiro de 2022, uma garrafa de 75 centilitros de azeite virgem extra custava 4,46 euros. Mais de dois anos e meio depois, este produto estava 4,24 euros (mais 95%) mais caro. A 28 de agosto de 2024, para comprar a mesma garrafa de 75 centilitros, o consumidor tinha de gastar, em média, 8,71 euros.
O ano que marca o início da guerra na Ucrânia, 2022, terminou com uma garrafa de azeite virgem extra a custar 5,85 euros. Contas feitas, foram mais 1,38 euros (mais 30,97%) em comparação com a primeira semana de 2022. Um ano depois, a 27 de dezembro de 2023, este produto já custava 9,44 euros, mais 4,98 euros do que em janeiro de 2022 .

