A Serra d’Ossa vai estar em destaque em Lisboa no próximo dia 19 de setembro, com a realização da iniciativa “SERRA D’OSSA – Um Território para Descobrir | Mostra da Serra d’Ossa”, promovida pela Associação de Desenvolvimento Montes Claros (ADMC). A iniciativa, integrada no projeto PROVERE + Serra d’Ossa – Recursos Naturais e Ecossistema, pretende levar até à capital uma amostra da identidade de um território que abrange os concelhos de Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Sousel e Vila Viçosa.
Durante uma tarde, entre as 14h00 e as 18h30, a Casa do Alentejo será palco de uma viagem pelos sabores, saberes, paisagens, património e manifestações culturais da Serra d’Ossa, através da presença de produtores, artesãos e representantes dos seis municípios.
Para Ângelo Sá, presidente da Associação de Desenvolvimento Montes Claros, esta mostra surge precisamente como uma das ações de dinamização previstas no projeto PROVERE + Serra d’Ossa e explicou que “a associação vai pegar em representantes dos seis concelhos e levá-los a mostrar os seus produtos”, acrescentando que estarão, em princípio, presentes dois representantes de cada município.
A intenção, sublinha, é contribuir para a dinamização de um território que considera “riquíssimo” em recursos materiais e imateriais, mas que enfrenta um dos principais problemas do interior: a falta de população. “O problema da região, no fundo, é a ausência de pessoas”, afirma Ângelo Sá, defendendo que a valorização dos produtos autóctones, do turismo de natureza, da arqueologia e do património pode ajudar não apenas a atrair visitantes, mas também a criar condições para fixar população.
A escolha da Casa do Alentejo para acolher a iniciativa não foi casual. Segundo o presidente da ADMC, a ideia surgiu depois de uma visita ao espaço, que considerou adequado para apresentar a diversidade dos seis concelhos e afirmou que “não faria sentido fazer-se uma mostra dos produtos do Alentejo, num grande centro, que não fosse na Casa do Alentejo”.
A mostra pretende, assim, funcionar como uma montra do território, dando visibilidade a produtos e atividades que vão muito além da gastronomia. Entre as áreas representadas estarão os produtos endógenos, gastronomia, artesanato, vinho, azeite, mel, queijos, doçaria, património e natureza.
A presença de artesãos e produtores permitirá também colocar em primeiro plano as pessoas que mantêm vivos os conhecimentos e técnicas transmitidos entre gerações.
Ângelo Sá destaca, entre outros exemplos, os Bonecos de Estremoz, a cantaria artística de Borba e Vila Viçosa e diferentes manifestações artesanais e culturais que marcam a identidade do território e referiu que “promover a região é levar exatamente aqueles que fazem parte dela, produzem, e aqueles que têm a mão na massa todos os dias”.
Para o responsável, existe ainda uma margem significativa para valorizar produtos que, apesar da sua importância, nem sempre são reconhecidos pelos próprios habitantes da região. “Temos uma potencialidade grande”, considera, apontando para os vinhos, enchidos, queijos, azeites, doces conventuais, mel e ervas aromáticas, entre outros produtos.
Ao longo da mostra, os visitantes poderão contactar diretamente com produtores e artesãos, conhecer os seus trabalhos e provar alguns dos produtos que caracterizam a gastronomia e a produção local. A programação incluirá também momentos de expressão cultural e artística, procurando aproximar o público da identidade do território.
Um dos momentos será protagonizado pelas Cantadeiras de Redondo, que levarão à Casa do Alentejo a tradição do Cante Alentejano, reforçando a dimensão cultural da iniciativa.
A organização pretende que a mostra seja mais do que uma exposição de produtos. O objetivo é criar um espaço de encontro entre o território e o público, permitindo conhecer quem produz, quem cria e quem trabalha diariamente na valorização da Serra d’Ossa.
A programação inclui ainda a rubrica “À conversa com a Serra d’Ossa”, que reunirá duas perspetivas sobre o presente e o futuro do território. A conversa contará com a participação de Ângelo Verdades de Sá, presidente da Associação de Desenvolvimento Montes Claros, e de Manuela Murteira, representante da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
O encontro será dedicado à identidade, aos recursos e às oportunidades da Serra d’Ossa, refletindo sobre a sua valorização, promoção e afirmação enquanto destino turístico.
A participação da representante da Entidade Regional de Turismo enquadra-se no trabalho desenvolvido por aquela entidade nas áreas da dinamização e promoção turística, inovação, qualificação da oferta e apoio ao investimento.
Para Ângelo Sá, a valorização do território passa necessariamente por uma visão conjunta dos seis concelhos. O responsável aponta o potencial diversificado existente na região, desde o Endovélico e Alqueva, no Alandroal, ao património religioso e histórico de Vila Viçosa, passando pelo património gastronómico e vinícola de Borba e Estremoz, pelo turismo de natureza em Redondo e pelo património e atividades ligadas à caça em Sousel.
“Tem que se encontrar é formas depois das pessoas lá chegarem”, defende, considerando fundamental criar circuitos e produtos turísticos capazes de levar os visitantes a permanecer mais tempo na região.
Entre os principais constrangimentos identificados pelo presidente da ADMC está a falta de capacidade de alojamento. Na sua perspetiva, não basta atrair visitantes para uma visita de algumas horas, é necessário criar condições para que permaneçam no território, consumam nos restaurantes, visitem museus, lojas, mercados e monumentos e conheçam diferentes municípios e destacou que “o produto turístico tem que ser um produto que permita que as pessoas pernoitem no território”.
Ângelo Sá defende, por isso, uma maior articulação entre os municípios e os agentes económicos, de forma a construir produtos turísticos integrados que cruzem os diferentes recursos existentes. É nesse contexto que enquadra também projetos como a ecopista entre Vila Viçosa e Estremoz, que poderá, no futuro, estabelecer ligações com outros concelhos.
Segundo o responsável, existe a expectativa de que durante o primeiro trimestre de 2027 possa haver avanços relativamente a este projeto, que considera uma oportunidade para criar novas ligações entre os territórios. A necessidade de cooperação entre os seis municípios é uma das ideias sublinhadas por Ângelo Sá.
O presidente da ADMC considera que algumas iniciativas ganhariam escala se fossem pensadas de forma conjunta, permitindo criar circuitos capazes de distribuir visitantes pelos diferentes concelhos e salientou que “não faz sentido, a determinado tipo de atividades, ser desenvolvidas só por esta ou por aquela câmara, quando podem perfeitamente as câmaras municipais se articularem.”
A ADMC assume, neste processo, um papel de dinamização e de apoio aos parceiros, mas Ângelo Sá reconhece que o sucesso a longo prazo dependerá também da capacidade de os municípios e agentes económicos darem continuidade às oportunidades criadas.
A realização da iniciativa em Lisboa poderá ser apenas o primeiro passo de uma estratégia mais ampla de promoção da Serra d’Ossa. Ângelo Sá admite a possibilidade de a mostra voltar a realizar-se no futuro, quer em Lisboa, quer noutros locais, e revela que já foi colocada a hipótese de a Casa do Alentejo acolher iniciativas dedicadas individualmente a cada um dos seis municípios.
A ideia poderá passar, por exemplo, pela realização de fins de semana temáticos dedicados a Vila Viçosa, Alandroal, Estremoz, Borba, Redondo ou Sousel, com a presença de grupos culturais, ranchos folclóricos, grupos de teatro e produtores locais. “A abertura é total”, afirma Ângelo Sá, considerando que a mostra conjunta poderá funcionar como um “pontapé de saída” para outras ações de promoção territorial.
A Mostra da Serra d’Ossa, marcada para 19 de setembro na Casa do Alentejo, pretende, assim, aproximar Lisboa de um território que se constrói através da relação entre natureza, cultura, património, gastronomia, produção local e pessoas.
Durante uma tarde, será possível conhecer produtores e artesãos, descobrir produtos, ouvir o Cante Alentejano e conversar sobre os recursos e as oportunidades de seis concelhos que procuram afirmar, em conjunto, a Serra d’Ossa enquanto território de identidade, experiências e potencial turístico.

