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Presidente da Liga Portugal acredita que novos investimentos podem colocar o Alentejo no futebol profissional

O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, defendeu uma maior articulação entre o futebol profissional, o futebol distrital e a formação, considerando que a sustentabilidade das competições profissionais depende da existência de um futebol amador e de base forte.

As declarações foram proferidas em Évora, à margem da Gala do Centenário da AFE, onde o dirigente destacou o trabalho desenvolvido pela Associação de Futebol de Évora (AFE), nomeadamente na formação de jovens atletas e na arbitragem. “Há futebol profissional porque há amador, e há formação”, afirmou Reinaldo Teixeira, sublinhando o papel dos clubes, dirigentes, escolas e municípios na criação de condições para a prática desportiva.

O presidente da Liga Portugal considerou particularmente positivo o crescimento registado pela AFE, que passou de cerca de dois mil atletas para mais de quatro mil, tendo como objetivo atingir os cinco mil. Para Reinaldo Teixeira, este crescimento demonstra a importância da cooperação entre as diferentes estruturas do futebol.

A falta de jovens árbitros e a necessidade de reforçar o futebol distrital foram também abordadas. Reinaldo Teixeira destacou iniciativas como a da Associação de Futebol de Évora, que procura incentivar os clubes a disponibilizarem árbitros para os jogos das camadas jovens através de benefícios nas taxas de arbitragem.

Para o dirigente, estas medidas devem ser acompanhadas por uma maior intervenção do futebol profissional junto das comunidades locais.
“O futebol profissional promove e, com a sua promoção, faz com que o número de praticantes aumente”, afirmou, defendendo uma relação mais próxima entre clubes, associações distritais, Liga Portugal e Federação Portuguesa de Futebol.

Questionado sobre a ausência prolongada de clubes alentejanos nas duas principais divisões do futebol português, Reinaldo Teixeira admitiu que gostaria de ver todas as regiões do país representadas no futebol profissional. “Para nós, gostaríamos que todos os distritos tivessem equipas de futebol profissional”, afirmou.

O dirigente, contudo, ressalvou que a presença no futebol profissional não pode ser determinada por decreto e depende da capacidade dos clubes para criar projetos sustentáveis e explicou que “o futebol profissional é um futebol de negócio”, defendendo que a criatividade dos dirigentes, a capacidade de investimento e as oportunidades que surjam serão determinantes para o aparecimento de novos projetos.

Reinaldo Teixeira admitiu ainda que o Alentejo poderá vir a beneficiar de novos investimentos no futebol, apontando para o peso crescente do capital estrangeiro nos clubes profissionais portugueses.

Segundo o presidente da Liga Portugal, “cerca de 60 por cento dos clubes” profissionais já são participados por capitais estrangeiros. Nesse contexto, acredita que poderá surgir, mais cedo ou mais tarde, um investimento semelhante no Alentejo. “Mais dia menos dia, mais ano menos ano, vai acontecer um investimento também no Alentejo, em algum clube que se transformará em SAD”, perspetivou.

Para o dirigente, esse investimento poderá permitir que um clube da região alcance a Liga 2 ou até a Liga 1, embora tenha destacado também a importância da mobilização dos agentes económicos e das forças locais.

Reinaldo Teixeira considera que a dimensão territorial e as características do Alentejo podem constituir fatores de atração para futuros projetos. O distrito de Évora, recordou, está entre os maiores do país em área geográfica.

Apesar da ausência atual de representação nas principais divisões, o presidente da Liga Portugal mostrou-se otimista quanto ao futuro e deixou clara a sua preferência e afirmou que ” tinha imenso gosto de ter em todos os distritos o futebol profissional representado.”

Num território onde o futebol continua a mobilizar milhares de praticantes e adeptos, Reinaldo Teixeira acredita que estão reunidas condições para que o Alentejo volte a ter um representante entre os grandes palcos do futebol português, deixando no ar a possibilidade de um novo ciclo para os clubes da região.

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