A Companhia de Dança Contemporânea de Évora, a Malvada – Associação Artística, a Associação Provisória e o fadista Duarte são os promotores dos projetos do concurso regional de Évora_27 com os 100.000 de apoio, o mais elevado.
“A Centelha Fugaz que Permanece”, da Companhia de Dança Contemporânea de Évora (CDCE), “Aqueduto”, da Malvada, “Escola Provisória para Nada”, da Associação Provisória, e “Ópera do Vagar”, de Duarte, são os títulos destes quatro espetáculos, revelou hoje à agência Lusa a Associação Évora 2027, gestora da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Associação Évora 2027 anunciou que foram selecionados para a programação da capital europeia 33 projetos apresentados por estruturas do setor cultural e artístico do Alentejo, através do concurso aberto “A Nossa Vez”.
A ‘open call’ (chamada ou concurso aberto), com um investimento global de 1,3 milhões de euros, foi dirigida ao setor cultural e artístico do Alentejo e abrangeu todas as áreas artísticas e expressões do saber-fazer da região.
A iniciativa teve candidaturas abertas entre 10 de novembro de 2025 e 17 de fevereiro deste ano, para apoiar projetos com verbas entre os 10.000 e os 100.000 euros.
O júri avaliou 287 candidaturas e acabou por selecionar 33 projetos para a programação, quatro deles com acesso a 100.000 de apoio cada – os restantes têm diferentes patamares de financiamento -, que “serão apresentados ao longo de 2027 em diferentes locais do território alentejano”.
O espetáculo da CDCE “dá relevo ao trabalho com a comunidade e apresenta o pressuposto desafiante de integrar uma equipa multigeracional”, de acordo com os dados fornecidos hoje à Lusa pela associação gestora da CEC Évora_27.
“A apresentação integra-se num espaço patrimonial icónico, o Templo Romano de Évora”, revelou, explicando a proposta de dança contemporânea vai trabalhar “complementarmente em cruzamento disciplinar”, sendo uma criação original, em estreia na Capital Europeia da Cultura.
A Malvada – Associação Artística avançou com “Aqueduto”, cuja sinopse indica tratar-se de “um programa transdisciplinar que articula criação, reflexão e participação em espaço público, com forte ligação à(s) comunidade(s)”.
“O projeto apresenta uma singular relação com o conceito de VAGAR, como condição ‘regenerativa’, compreendendo parcerias diversificadas, a nível regional, nacional e internacional”, pode ler-se.
Segundo a associação, “foi particularmente notada e valorizada a consistente relação com o território, em contexto urbano e rural, articulando paisagem, edificado e cidade. O projeto integra um pensamento sobre públicos com grande preocupação com acessibilidade e inclusão, afirmando-se como um veículo de ligação de comunidades através das práticas artísticas e da fruição pública”.
Já a “Ópera do Vagar” apresentada pelo fadista e cantautor Duarte e selecionada pelo júri para ser apoiada igualmente com o montante máximo, “é uma proposta original, com uma excelente equipa artística e técnica e um trabalho de ‘backstage’ extremamente complexo e exigente”.
“O projeto consiste numa nova criação operática, contemporânea, com criação de libreto, música e cenários originais, de matriz popular, com integração do Cante Alentejano”, o qual vai assumir-se como “elemento central e não acessório do espetáculo”, disse a Associação Évora 2027.
A Ópera do Vagar, continuou, “aborda tempo e território, com elevado potencial para se constituir como um dos espetáculos de destaque na programação de Évora_27” e “integra parceiros e artistas nacionais e internacionais”.
O projeto “artístico-pedagógico experimental” promovido pela Associação Provisória está “extremamente bem estruturado, com forte dimensão processual e potencial de legado”.
A “Escola Provisória para Nada” tem por foco “o saber-fazer, contando com uma vasta equipa multidisciplinar”. Assente em “parcerias fortes”, a missão pedagógica deste projeto “destaca-se como elemento de difusão do conhecimento artístico e cultural no território do Alentejo”, pode ler-se na sinopse.

