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Quatro Misericórdias do Alentejo recebem apoio para preservar património histórico

As Misericórdias de Cabeço de Vide, Montemor-o-Novo, Portel e Veiros estão entre as 14 instituições portuguesas que vão beneficiar de financiamento do Fundo Rainha Dona Leonor (FRDL) para a recuperação e valorização do património histórico. Os contratos de financiamento foram assinados numa cerimónia realizada na Sala de Extrações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Nesta edição do programa, o Fundo Rainha Dona Leonor aprovou um investimento global de um milhão de euros, destinado a projetos de conservação e reabilitação do património das Santas Casas de Misericórdia em diferentes pontos do país.

No caso do Alentejo, os apoios destinam-se à criação de um núcleo museológico no antigo hospital da Misericórdia de Cabeço de Vide, à conservação do património móvel da Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Novo, às obras na Igreja da Misericórdia de Portel e à recuperação da cobertura da Igreja do Senhor dos Passos, em Veiros.

Durante a cerimónia, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paulo Sousa, recordou que o Fundo Rainha Dona Leonor nasceu para reforçar o espírito solidário que está na génese das Misericórdias.

“Materializa aquilo que está na origem das Misericórdias, a solidariedade e compromisso pelo bem-comum.”

O responsável destacou que, desde a criação do fundo, em 2014, foram já apoiados 171 projetos, dos quais 112 na área social e 59 na área do património, num investimento superior a 25 milhões de euros.

Embora tenha sublinhado que a prioridade das Misericórdias continuará sempre a ser o apoio às pessoas, Paulo Sousa defendeu que a preservação do património assume igualmente um papel essencial.

“O património não pode ser ignorado, porque salvaguarda a memória coletiva de gerações de irmãos, benfeitores e colaboradores, que ajudaram a construir esta extraordinária obra.”

Acrescentou ainda que proteger estes edifícios e espólios históricos significa preservar a identidade e os valores que marcaram o percurso das Misericórdias ao longo de séculos.

“As pedras falam da nossa história, valores e presença.”

Também o presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, destacou a importância do Fundo Rainha Dona Leonor na recuperação de um património que considera pertencer não apenas às Misericórdias, mas ao país.

“As pedras falam de misericórdia porque foram erguidas pelo esforço das comunidades.”

O dirigente deixou igualmente um reconhecimento à equipa responsável pela gestão do fundo, considerando que o seu trabalho tem permitido devolver vida a edifícios e bens patrimoniais de elevado valor histórico e cultural.

Durante a sessão, Manuel de Lemos recordou ainda o apoio extraordinário prestado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa às instituições afetadas pelas intempéries registadas no início deste ano, salientando que esse mecanismo foi decisivo para acelerar a recuperação dos danos e permitir o regresso à normalidade.

Na edição de 2026, o Fundo Rainha Dona Leonor aprovou projetos de intervenção em igrejas, capelas, espólios artísticos e núcleos museológicos, contribuindo para a valorização de um património que constitui um dos mais importantes legados históricos, culturais e religiosos das Misericórdias portuguesas.

Com quatro candidaturas aprovadas, o Alentejo volta a assumir um lugar de destaque neste programa de financiamento, garantindo a preservação de edifícios e bens patrimoniais que fazem parte da identidade histórica das comunidades locais e da memória coletiva da região.

Foto: UMP

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