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“Reter os jovens no nosso território é o objetivo mas não é fácil” alerta Presidente da Junta de Aguiar

As dificuldades que persistem nos territórios de baixa densidade e as estratégias necessárias para garantir o seu desenvolvimento estiveram no centro da reflexão promovida pela segunda edição da Escola de Verão da Cooperativa Oficina Rua do Relógio, que decorreu em Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo. A iniciativa reuniu autarcas, investigadores e especialistas para debater soluções que permitam reforçar a atratividade do interior e criar melhores condições para quem escolhe viver nestes territórios.

A mesa-redonda “Periferias no Centro do Mundo”, realizada no auditório do Paço dos Henriques, foi um dos momentos centrais do encontro. Moderado por Conceição Rego, professora do Departamento de Economia da Universidade de Évora, o debate contou com a participação das presidentes das juntas de freguesia de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo, que partilharam as principais preocupações das suas comunidades e refletiram sobre o papel do poder local na resposta aos desafios do interior.

Moderado por Conceição Rego, professora do Departamento de Economia da Universidade de Évora, o debate contou com a participação das presidentes das juntas de freguesia de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo, que partilharam as principais dificuldades e oportunidades das respetivas comunidades.

À margem da iniciativa, em declarações à Rádio Campanário, a presidente da Junta de Freguesia de Aguiar, Rosinda Gaio, começou por destacar o apoio prestado pelo Município de Viana do Alentejo, salientando que essa colaboração tem sido fundamental para minimizar algumas das limitações inerentes à dimensão da freguesia. “Apesar de esta ser a junta mais pequena do concelho, felizmente temos um município muito atento às nossas necessidades, o que ajuda a ultrapassar o facto de sermos a freguesia mais pequena do concelho.”

Ainda assim, a autarca reconhece que a principal limitação continua a ser a reduzida capacidade financeira da junta. “A maior dificuldade é a nível financeiro, pois o orçamento é muito reduzido.”

Com pouco mais de mil habitantes, Aguiar enfrenta muitos dos problemas comuns aos territórios do interior. O envelhecimento demográfico continua a ser uma das maiores preocupações, obrigando a um acompanhamento constante da população mais idosa e, em simultâneo, à procura de soluções que permitam fixar os mais jovens.“O envelhecimento da população é uma preocupação constante, garantindo-lhes qualidade de vida, ao mesmo tempo que com os mais novos existe a preocupação de os conseguir reter no território.”

No entender de Rosinda Gaio, criar condições para que as novas gerações permaneçam na freguesia continua a ser um dos maiores desafios.“A fixação das camadas mais jovens não é fácil.”

Entre os fatores que dificultam esse objetivo, a presidente da Junta aponta a escassez de habitação, as dificuldades ao nível das acessibilidades e a falta de resposta nos cuidados de saúde.Como exemplo, refere a situação da extensão de saúde da freguesia.“Temos uma estrutura completamente nova, mas neste momento não há médico.”

Durante a entrevista, Rosinda Gaio fez ainda questão de destacar o papel desempenhado pelas juntas de freguesia na resposta às necessidades das populações, considerando que estas são o nível de poder mais próximo dos cidadãos.“As juntas de freguesia são a linha da frente do poder local no que diz respeito à proximidade com as comunidades.”

A autarca enalteceu igualmente a realização da mesa-redonda e o facto de as presidentes de junta terem sido convidadas a participar no debate, defendendo que a experiência de quem trabalha diariamente junto das populações é essencial para a definição de políticas públicas.“Somos os primeiros a chegar às pessoas.”

Com mais de duas décadas de experiência na vida política, Rosinda Gaio assume que o exercício de funções autárquicas vai muito além da gestão administrativa, sendo encarado como um compromisso permanente com a comunidade.“É uma missão de vida.”

A mesa-redonda “Periferias no Centro do Mundo” integrou o programa da segunda edição da Escola de Verão da Cooperativa Oficina Rua do Relógio, promovendo uma reflexão alargada sobre o futuro dos territórios do interior e os desafios da coesão territorial. Ao longo da sessão, ficou evidente que áreas como a habitação, os cuidados de saúde, as acessibilidades e o reforço dos meios financeiros das autarquias continuam a ser determinantes para garantir melhores condições de vida e assegurar a sustentabilidade das comunidades de baixa densidade.

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