A Santa Casa da Misericórdia do Vimieiro assinalou, esta sexta-feira, 26 de junho, a tradição dos Santos Populares com um convívio que reuniu utentes, familiares, colaboradores e população da vila, numa iniciativa marcada pelas marchas populares e pelo espírito de celebração.
Para o provedor da instituição, Aurelino Ramalho, preservar estas tradições é uma missão que vai além da simples organização de eventos, assumindo-se como uma forma de promover o bem-estar e a felicidade dos utentes e destacou que “esta festa é uma tradição que não se deve perder”, acrescentando que “tal como não se devem perder as touradas ou o futebol, também os Santos Populares fazem parte da identidade do Alentejo e destas terras pequenas”.
O responsável destacou que a instituição acolhe atualmente 72 utentes em regime de internamento, para além dos serviços de apoio domiciliário e centro de dia, considerando que esta festa proporciona um momento diferente de convívio entre residentes, familiares e comunidade e afirmou que “esta é uma noite para as pessoas se divertirem, ver os filhos, os netos e os familiares que aqui estão”, reiterando que “o Alentejo continua a ser rico nesta tradição e não se pode perder aquilo que nos deixaram, que é o saber e a alegria dos idosos que hoje estão aqui e que já viveram isto noutros tempos”.
Segundo Aurelino Ramalho, recriar estas celebrações permite também despertar memórias felizes nos mais idosos. “Se perdermos estas tradições, estamos também a criar menos condições para estas pessoas terem dias diferentes, temos de lhes proporcionar, pelo menos nestas datas festivas, momentos de alegria”, referiu, frisando que “quem participa nestas marchas não vem à procura de prémios, mas sim para fazer felizes as pessoas que aqui estão”.
O provedor salientou ainda que a Misericórdia pretende manter viva a ligação entre a instituição e a comunidade vimieirense, lembrando que, além das comemorações dos Santos Populares, a tradicional Festa da Misericórdia continuará a realizar-se no próximo dia 18 de julho e revelou que “quando se começou a fazer esta festa, há cerca de 30 anos, o lucro permitia pagar os subsídios de férias dos colaboradores”, no entanto, segundo o responsável, “hoje já não dá para isso”, mas afirma que “a tradição mantém-se com o objetivo de manter a alegria na vila e porque as misericórdias não são só para tratar das pessoas, são também para lhes proporcionar momentos de felicidade.”
Quanto à participação dos utentes, Aurelino Ramalho explicou que nem todos conseguem assistir às marchas devido às suas limitações físicas, mas garantiu que a adesão é sempre voluntária. “Há pessoas que já não têm condições para apreciar uma tradição que elas próprias ajudaram a criar, mas aqui nunca obrigamos ninguém, estas coisas fazem-se sempre com a vontade de quem quer participar e de quem quer assistir”, frisou.
A edição deste ano contou com quatro marchas populares: duas representando a própria Santa Casa da Misericórdia do Vimieiro — a marcha do Lar de Idosos e a da Creche e Jardim de Infância —, a marcha do Bairro da Manizola, de Arraiolos, e, pela primeira vez, a participação da marcha da Santa Casa da Misericórdia de Avis.
A presença da marcha de Avis surgiu na sequência de um desafio lançado por Aurelino Ramalho à provedora daquela instituição, num intercâmbio que terá continuidade já no próximo domingo, com a deslocação da marcha do Vimieiro a Avis.
Embora estivesse prevista uma participação mais alargada de grupos de Avis, alterações de calendário motivadas pelo falecimento do comandante dos Bombeiros Voluntários de Arraiolos obrigaram a reajustar o programa. Ainda assim, o provedor mostrou-se satisfeito com a adesão.
“Estão cá quem quer vir ao Vimieiro, quem quer dançar para estes idosos, para as famílias e para os vimieirenses e é assim que se fazem estas brincadeiras, que são momentos de alegria na Misericórdia do Vimieiro”, concluiu.
A iniciativa voltou, assim, a reforçar o papel da Santa Casa da Misericórdia do Vimieiro como espaço de convívio e preservação das tradições locais, proporcionando aos utentes um dia diferente, marcado pela música, pela partilha e pelo reencontro entre gerações, num ambiente de festa que envolveu toda a comunidade.
A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:




















































































































































