As emblemáticas Festas em honra de Nossa Senhora da Boa Nova, realizadas anualmente em Terena, no concelho de Alandroal, poderão vir a integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O processo está atualmente numa fase inicial e resulta de uma parceria estabelecida entre a Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova e a Universidade de Évora.
A informação foi avançada à Rádio Campanário pelo juiz da Confraria, Nuno Pereira, que explicou que o trabalho de investigação e preparação da candidatura ainda se encontra numa fase “muito embrionária”. Ainda assim, o responsável mostrou-se confiante quanto ao potencial reconhecimento desta tradição secular, sublinhando que se trata de um processo exigente e que requer um levantamento rigoroso da história, práticas e valores associados à romaria.
Segundo Nuno Pereira, as festividades representam um “gigantesco legado cultural e, acima de tudo, religioso”, marcado por um culto mariano ininterrupto com cerca de sete séculos de história. Para além da vertente espiritual, o responsável destaca também as dimensões gastronómica, cultural e etnográfica que fazem destas celebrações um elemento identitário da região. O objetivo principal da iniciativa passa pela salvaguarda e valorização deste património para as gerações futuras.
A romaria tem como epicentro o Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, edifício classificado como Monumento Nacional desde 1910. O santuário é palco de um culto mariano contínuo desde o século XIII, sendo considerado o mais antigo santuário do país localizado a sul do Rio Tejo.
Realizada sempre no fim de semana seguinte à Páscoa, a romaria está profundamente enraizada na população e constitui um dos mais fortes traços da cultura e da etnografia do Alentejo. Mais do que uma celebração religiosa, trata-se de um verdadeiro rito comunitário que envolve instituições locais, associações e a população, demonstrando a vitalidade de uma tradição transmitida de geração em geração.
Conhecidas popularmente como Festas dos Prazeres, estas celebrações são consideradas por muitos como um dos mais significativos exemplos de património imaterial da região, refletindo a fé, a memória coletiva e a identidade cultural do povo alentejano.
A edição deste ano das festividades decorrerá entre 10 e 14 de abril, no histórico santuário recentemente requalificado. Como é habitual, são esperados milhares de fiéis e peregrinos vindos de várias regiões do país, muitos deles movidos pela devoção, pelo cumprimento de promessas ou pela continuidade de uma tradição familiar que atravessa gerações.
A organização das celebrações está a cargo da Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova, em parceria com a Paróquia de São Pedro de Terena, a Junta de Freguesia de Terena (São Pedro) e o Município de Alandroal.
Mais do que um evento religioso, a romaria de Terena continua a afirmar-se como uma expressão viva da fé, da memória e da cultura alentejana — um legado que o tempo não apaga e que a comunidade mantém vivo com orgulho e devoção.

