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Toda a vida foi pastor, toda a vida guardou gado. A arte do “senhor Zé” pelos campos verdes de Borba

Soma 88 anos, à beira de cruzar a barreira dos 89. José Pereira Alves guarda o seu rebanho entre os, hoje, verdes campos junto a Borba. Pastor é uma profissão que conhece desde sempre. “Acho que foi assim que comecei a andar. Mas ainda gosto muito”, atesta.


Tem junto de si o “Bolinhas”, seu fiel companheiro guardador de ovelhas, enquanto se apoia no cajado apenas para estar à conversa com a Rádio Campanário. Porque à hora de caminhar segue em passo ligeiro, mesmo pelo piso irregular do cabeço onde o gado passa para regressar a casa ao fim da tarde.

“Não precisava de ter tanto gado, mas pronto. São entre 70 a 80”, revela-nos resignado, enquanto espera que a aproximação da Páscoa lhe leve uma dezenas de borregos. “Aqueles ali já têm o destino marcado. É a vida. Todos temos que comer, não é verdade?”.

E como estão os borregos este ano, após um inverno chuvoso e pasto com fartura? “Acho que até choveu demais. Há muito pasto e os animais gostam, mas parece que a água está esquisita. Se reparar nos campos vê algumas manchas entre a verdura. Não sei o que será aquilo”, alerta José Alves,. relembrando como há umas décadas os campos estavam bem diferentes por esta altura.

“Era tudo semeado por aqui. Cevada, trigo, favas ou tremocilha. Agora só se semeia para o gado”, enfatiza, apontando, por exemplo, o caso da aveia. É hora de seguir para os “aposentos”. O pastor regressa amanhã com o seu rebanho. E com o “Bolinhas”

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