A vila de Terena volta a receber a tradicional romaria em honra de Nossa Senhora da Boa Nova, um dos momentos mais emblemáticos de devoção popular no Alentejo, que todos os anos atrai milhares de fiéis.
A iniciativa, organizada pela confraria local, tem origens seculares. Segundo o juiz da confraria, Nuno Pereira, existem registos que comprovam a realização destas celebrações já no século XVI, nomeadamente um documento datado de 1580, o que demonstra a longevidade e continuidade desta tradição.
Para além do caráter religioso, a romaria destaca-se também pela sua relevância cultural. Trata-se de um evento que cruza práticas de fé com expressões etnográficas e sociais, assumindo um papel importante na identidade das comunidades ligadas ao Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova.
A participação tem-se mantido expressiva ao longo dos anos. Mesmo após períodos desafiantes, como a pandemia, verifica-se um aumento no número de peregrinos, refletindo a procura de espiritualidade em tempos de maior incerteza.
Entre os pontos altos das festividades está o encontro das procissões, um momento particularmente simbólico que reúne multidões num ambiente de grande emoção. Embora não existam dados oficiais, a organização estima a presença de milhares de participantes.
A confraria assegura não só a preparação da romaria, como também a gestão contínua do santuário, garantindo a sua conservação e o acolhimento de visitantes ao longo de todo o ano.
O programa contou com o apoio de entidades locais, como o município e a junta de freguesia. Este envolvimento institucional tem contribuído para reforçar a dimensão do evento.
Com uma história que atravessa gerações, a romaria de Nossa Senhora da Boa Nova continua a afirmar-se como um dos mais importantes símbolos de fé e tradição no Alentejo.

