Mesmo numa noite fria de inverno, Évora voltou a mostrar que a cultura e a tradição sabem aquecer a cidade. Dezoito grupos corais e instrumentais do concelho encheram ruas, praças e bairros de vozes e sons, celebrando o Dia de Reis com o tradicional Canto das Janeiras, numa iniciativa que uniu gerações e territórios.
Ao longo da noite de segunda-feira, o centro histórico e vários bairros da cidade foram palco destes cantares de raiz religiosa, numa celebração organizada pelo Município de Évora, em articulação com as uniões de freguesias do centro histórico, da Malagueira e Horta das Figueiras, do Bacelo e Senhora da Saúde, bem como com a Junta de Freguesia de Canaviais. A música percorreu a cidade, levando consigo um espírito de partilha, identidade e pertença.
O ponto de encontro final foi o Páteo do Salema, onde todos os participantes convergiram para um momento de convívio marcado pelo lume de chão, pelo tradicional petisco e por uma atmosfera de proximidade e celebração. Um espaço acolhedor que reforçou o sentimento de comunidade e deu ainda mais calor humano à noite. A Rádio Campanário acompanhou de perto esta iniciativa, dando voz a quem mantém viva a tradição.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, sublinhou que momentos como este demonstram que “Évora é um grande polo cultural”, lembrando que o valor da cidade vai muito além do título de Capital Europeia da Cultura. “Évora faz história há muitos séculos”, afirmou, destacando a construção contínua de uma identidade própria, enraizada na tradição mas aberta ao futuro.
O autarca reforçou ainda que preservar tradições não significa ficar preso ao passado. Pelo contrário, considerou que estas manifestações culturais devem ser vividas de forma dinâmica, envolvendo cada vez mais pessoas e novos grupos. Sobre a escolha do Páteo do Salema para a concentração final, em vez da habitual frente à Câmara Municipal, Carlos Zorrinho salientou o carácter acolhedor do espaço, admitindo que o local poderá variar, desde que se mantenha viva a participação e o entusiasmo dos grupos envolvidos.
Entre os participantes estiveram, entre outros, o Grupo Coral e Instrumental Vozes dos Canaviais, o Grupo Coral de São Brás do Regedouro, o Grupo Musical Raízes da Picada, Os Marchantes de São Miguel de Machede, o Grupo Cantares de Évora, o Corué – Coro da Universidade, o Coletivo dos Remédios e vários grupos ligados a associações e centros de convívio do concelho.
Foi uma noite gelada, mas ninguém arredou pé. Cantaram-se as Janeiras, cumpriu-se a tradição e aqueceram-se corações. Assim se viveu mais uma noite de Reis em Évora — uma cidade onde a cultura se sente, se canta e se partilha.





































































































































