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Três diplomados da Universidade de Évora distinguidos no Prémio Archiprix Portugal 2025

A Universidade de Évora voltou a destacar-se no panorama nacional do ensino da Arquitetura ao ver três dos seus diplomados distinguidos na edição de 2025 do Prémio Archiprix Portugal, que reconhece anualmente os melhores trabalhos finais de mestrado desenvolvidos em instituições de ensino superior portuguesas.

Marta Gouveia, estudante do programa de mestrado integrado em Arquitetura da Universidade de Évora, foi a grande vencedora desta edição, tornando-se na segunda diplomada consecutiva da UÉvora a conquistar a distinção máxima do prémio, feito que atesta a qualidade e consistência do ensino promovido pelo Departamento de Arquitetura da Escola de Artes.

O projeto premiado, intitulado “O que pode ser uma ilha”, tem como ponto de partida a ilha de São Miguel, nos Açores, e propõe uma reflexão sensível sobre a condição insular enquanto território de experiências e possibilidades. A proposta materializa-se na criação de uma quinta‑“laboratório agrário”, um espaço onde a produção agrícola se articula com a investigação científica, com o objetivo de antecipar respostas para futuras crises alimentares na região. “Trata-se de um trabalho sobre um lugar que me é profundamente significativo”, afirma Marta Gouveia, sublinhando que esta investigação foi “uma verdadeira viagem de regresso à ilha que sempre conheci, mas que agora foi vista com um olhar mais consciente e atento”.

A jovem arquiteta, que encara esta distinção com “enorme felicidade e entusiasmo”, refere ainda que, estando no início do seu percurso profissional, esta validação representa “um alento e uma fonte de motivação para continuar a crescer, a aprender e a acreditar no caminho que tento construir”. Questionada sobre o papel da Universidade de Évora na sua formação, Marta Gouveia destaca a abordagem pedagógica da instituição, profundamente enraizada “no território, no património e na dimensão sensível do espaço”, salientando também a proximidade com os docentes e o ambiente de trabalho exigente, mas criativo, proporcionado por uma escola de dimensão mais reduzida.

A excelência dos trabalhos desenvolvidos no Mestrado Integrado em Arquitetura da UÉvora foi também reconhecida através das Menções Honrosas atribuídas a Tonny Marques e Cláudia Batista, ambos diplomados da mesma instituição.

No caso de Tonny Marques, o projeto intitulado “Memória do Mar: Proposta de requalificação da Baía de Câmara de Lobos” foca-se na reconstrução da memória coletiva associada à atividade piscatória na ilha da Madeira. A partir de uma leitura geográfica e histórica, o autor propôs a devolução simbólica e funcional da lota à comunidade local, criando um espaço catalisador da identidade territorial. “Este reconhecimento foi para mim um momento muito especial, que validou o esforço e o trabalho desenvolvidos ao longo do curso”, partilhou Tonny, sublinhando que a distinção constitui “um incentivo para continuar a crescer profissional e pessoalmente”.

O percurso de Tonny na Universidade de Évora foi marcado por várias influências, entre as quais destaca Maria do Céu Tereno, Docente do Departamento de Arquitetura da UÉvora e orientadora da sua dissertação, e Pedro Maria Ribeiro, coorientador ligado à componente prática e também antigo aluno da UÉvora. O jovem arquiteto sublinha ainda a importância dos momentos de avaliação externa ao longo do curso: “Era sempre um momento de grande motivação saber que alguém de fora vinha avaliar o nosso projeto. Ter o nosso trabalho apreciado por arquitetos convidados, como o Arquiteto Paulo David, foi profundamente enriquecedor”.

Já Cláudia Batista desenvolveu uma investigação de cariz teórico que teve como ponto de partida o arquivo de desenhos do arquiteto Álvaro Siza, procurando refletir sobre os processos de produção de conhecimento no campo da arquitetura. Na sua dissertação, procurou “evidenciar o valor processual da obra, ancorada no seu arquivo de desenhos, em confronto com outras fontes”, contribuindo para uma valorização do ato projetual que desafia a narrativa dominante. Cláudia reconhece que a Universidade de Évora tem vindo a destacar-se “pela relação colaborativa que se estabelece entre alunos e docentes, assente numa forte cultura de atelier”, mas também pelo modo como “baseia as suas pedagogias numa valorização do lugar e do território”. Ainda que o seu trabalho se inscreva numa vertente teórica distinta da prática tradicional, afirma partilhar “os mesmos alicerces formativos” com os restantes colegas distinguidos. Para a arquiteta, a Menção Honrosa atribuída pelo júri do Archiprix Portugal constitui “um marco importante” na sua trajetória, funcionando como validação externa da qualidade e relevância do trabalho desenvolvido.

Com estas distinções, a Universidade de Évora reafirma o seu compromisso com a formação de arquitetos e arquitetas profundamente conscientes do território, da memória e das potencialidades sociais e ambientais do espaço construído. A conquista do Prémio Archiprix Portugal pelo segundo ano consecutivo traduz-se numa demonstração da relevância do ensino da arquitetura em Évora a nível nacional.

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