As instituições reinventaram-se! A ligação afectiva é maior, os utentes dão-lhes agora mais valor “ diz Presidente da Unitate(c/som)

Entrevistas 22 Jul. 2021

O ano de 2020 trouxe consigo o que ninguém no mundo conseguiu prever.

Um vírus desconhecido, com quem ninguém estava preparado para lidar e que, á semelhança de todo o mundo, obrigou Portugal a combater.

Decorrem 16 meses de pandemia no nosso país, entre avanços e recuos, os portugueses são diáriamente confrontados com com uma realidade de vida completamente diferente daquela a que estavam habituados.

Uma das faixas etárias mais afetadas pelo novo coronavírus foi a população mais idosa que, por força da idade, pela sua natural debilidade física e muitas vezes psicológica, se viram perante a necessidade de não perderem a esperança, de não perderem os afetos e de encontrarem formas de se reinventarem.

A Rádio Campanário esteve à conversa com Tiago Abalroado, Presidente da Unitate-Associação de Desenvolvimento da Economia Social , conversa na qual foi abordado o aumento de pedidos de ajuda que surgiram em contexto pandémico assim como a forma como os idosos estão a encarar este regresso, ainda que lento, a uma normalidade cada vez mais desejada.

Tiago Abalroado, começou nos dizer que se verificou uma “necessidade de reforçar este apoio de proximidade junto das populações, sobretudo ao nível de algumas respostas sociais onde a sua atividade foi suspensa e nesse sentido muitas pessoas ficaram em casa, nomeadamente alguns idosos ao nível dos centros de dia, e também algumas crianças de creches .”

O Presidente da Unitate acrescentou ainda “todas estas respostas que foram suspensas no período de pandemia , exigiram às instituições que continuassem a dar esse apoio, mas de uma forma diferente “ não deixando no entanto de sublinhar que “as instituições tiveram que se reinventar, reinventar a forma de chegar mais perto das pessoas e de forma mais personalizada ,atendendo às suas necessidades.”

Tiago Abalroado referiu-nos ainda que no período “pós suspensão assistimos a uma necessidade de maior reforço dos cuidados, das medidas de segurança e proteção das pessoas que estão ao cuidado das instituições e também qui houve necessidade de melhorar procedimentos, de ajustar dinâmicas para conseguir dar uma resposta eficaz com um serviço de qualidade.”

Todas as Instituições, onde está incluída a Unitate, procuraram fazê-lo da melhor forma e julgo que conseguiram “ evidenciou.

Ao longo do período pandémico e agora, já nesta fase onde foram aligeiradas as medidas de combate à pandemia, as Instituições não pararam, conforme salienta Tiago Abalroado que garante “ continuou a ser prestado apoio às famílias, os idosos que estavam no centro de dia tiveram serviço de apoio domiciliário personalizado, ou seja, não houve um desligamento entre as instituições e as famílias .“

A atividade retoma progressivamente, a grande generalidade das respostas já reabriu e segundo o Presidente da Unitate “vemos que existe uma mobilização geral de todos os trabalhadores das instituições para conseguirem dar resposta a esta nova normalidade.”

No que diz respeito ao número de pedidos de apoio , nesta fase de pandemia, “houve um incremento substancial da procura das diferentes respostas sociais sobretudo porque também as famílias tomaram consciência de certas necessidades que existem no seio familiar , nomeadamente necessidades diárias, e para as quais, foi necessário, como forma de obter resposta, recorrem às Instituições daí o número de pedidos ter aumentado.”

 

Questionado qual o estado de espírito que encontra junto dos Utentes da Unitate numa altura em que, ainda que lentamente, se tenta um regresso à vida normal, Tiago Abalroado diz de forma convicta “Independente das áreas de intervenção, verificamos que há uma grande motivação por parte de todos os utentes para aquilo que é o contexto diário das respostas sociais.” sublinhando “todos os utentes estão motivados, estão expetantes.”

Na sua opinião, “este período levou a que alguns utentes pudessem dar mais valor aquilo que é o serem acompanhados por uma instituição ou estarem nessa mesma instituição.”

O Presidente da Unitate acredita que “houve uma maior ligação afetiva até entre os utentes e a instituição “ destacando que “no caso particular da Unitate isso é por demais evidente, concretamente, nos idosos que estão no centro de dia da Vendinha onde existia um desespero total porque queriam regressar e queriam voltar à sua vida no contexto de centro de dia e isso só foi possível no início deste mês.”

Para Tiago Abalroado existe neste momento um esforço conjunto, quer das instituições, quer dos seus funcionários, quer dos utentes “eles estão empenhados, estão a trabalhar de forma muito ativa para recuperarem ao nível da motricidade, da estimulação , para recuperarem de tudo aquilo que foi este grande período de pausa, tentando que os efeitos da pandemia não se traduzam em impato negativo na saúde mental e na saúde física.”

Tiago Abalroado termina referindo “o trabalho das instituições passa agora pelo reforço da sua ação e de desenvolverem esta capacidade de continuar a estimular os utentes, para que sejam minimizados o mais possível os efeitos da pandemia. “

 

Ana Rocha

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